Após enfrentar manifestantes com violência, polícia se retirou da praça Taksim, em Istambul durante a noite. Novos protestos foram convocados para este domingo

Comerciantes e trabalhadores municipais começaram a limpar as ruas de Istambul e Ancara neste domingo, depois de dois dias de protestos contra o governo turco . Houve mais de 90 manifestações diferentes ao redor do país, quase mil pessoas foram presas e centenas ficaram feridas.  Durante a noite, em Istambul, manifestantes ainda acenderam fogueiras e houve confusão com a polícia, mas as ruas estavam muito mais calmas.

Os protestos começaram na sexta-feira devido a um plano das autoridades para fazer mudanças no parque Gezi, na praça Taksim, em Istambul. Mas os atos cresceram, se espalharam por várias cidades e o movimento acabou se tornando um ato contra o primeiro-ministro Tayyip Erdogan e o seu partido de raízes islâmicas.

Neste sábado, houve uma escalada da violência depois que a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra os manifestantes em Istambul e em Ankara. Durante a noite, a polícia se retirou da praça Taksim para tentar diminuir a tensão.

Segundo o correspondente da BBC em Istambul James Reynolds, depois da retirada da polícia o clima era de comemoração na praça com centenas de manisfestantes celebrando o que eles afirmam ser uma vitória.

E neste domingo, a chuva afastou muitas pessoas da praça Taskim, mas aos poucos manifestantes começam a se juntar a um pequeno grupo de manifestantes, que ali permaneceu ao redor de uma fogueira. Por enquanto, o protesto é pacífico.

Nas redes sociais, há chamados para novos protestos tanto em Istambul quanto em Ancara. "Vamos ficar aqui até o fim", afirmou Akin, que permaneceu na praça pelos últimos quatro dias. "Não vamos embora. Estamos cansados desse governo opressor nos colocando constantemente sob pressão. Isso não é mais só por causa da árvores", disse ele. 

O projeto de revitalização do parque Gezi – que deu início à onda de violência – prevê a retirada de árvores para realizar obras com o objetivo de aliviar o trânsito de veículos nas imediações da praça Taksim. Opositores do projeto disseram que o parque é uma das poucas áreas verdes preservadas em Istambul.

Violência policial
A agressividade da polícia deixou turcos e turistas chocados. Organizações internacionais de direitos humanos protestaram contra a ação e os Estados Unidos expressaram preocupação em relação ao modo como o governo turco está lidando com os protestos.

Helicópteros jogaram cilindros de gás lacrimogêneo em áreas residenciais, e a polícia também usou o gás para tentar retirar pessoas de prédios. Um vídeo no YouTube mostra um manifestante sendo atingido por veículo blindado da polícia que atacava uma barricada.

O primeiro-ministro Recep Tayyp Erdogan afirmou que a polícia cometeu "erros" devido à força usada para enfrentar os protestos, mas também pediu o fim das manifestações em Istambul. Erdogan afirmou que a ação da polícia será investigada. 

Sob o governo de Erdogan, a Turquia passou por uma transformação e, de uma economia frágil, virou um dos países que mais cresce na Europa. Ele permanece um político popular, mas críticos, principalmente nas camadas mais jovens da população, o acusam de autoritarismo e conservadorismo religioso. Na semana passada, o Parlamento turco aprovou uma legislação que restringe a venda e o consumo de bebidas alcoólicas entre 22h e 6h.

Limpeza
Lixo e destroços se acumularam na praça Taskim depois dos conflitos com a polícia. No domingo, comerciantes apagavam pichações contra o governo das paredes. Os slogans também foram pintados em veículos queimados, incluindo um ônibus e um carro da polícia.

*Com Reuters e BBC

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