Turquia vive segundo dia de protestos contra governo

Por BBC |

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Manifestações começaram na sexta-feira devido a um plano das autoridades para fazer mudanças em parque em Istambul

BBC

A Turquia teve seu segundo dia de protestos violentos neste sábado. Choques entre policiais e manifestantes foram registrados em Istambul e na capital Ankara. As manifestações começaram na sexta-feira devido a um plano das autoridades para fazer mudanças no parque Gezi, na praça Taksim, em Istambul.

Neste sábado houve uma escalada da violência depois que a polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes em Istambul e em Ankara. Usando um tom desafiador, o premiê Recep Tayyip Erdogan afirmou que a reforma do parque continuará. Também disse que a polícia permanecerá na praça Taksim para manter a ordem. Segundo correspondentes, o protesto começou como um tumulto local, mas rapidamente se espalhou pelas principais cidades do país e se transformou em um movimento contra o governo e contra o partido AK, do premiê.

Caos no trânsito
Centenas de manifestantes marcharam sobre a ponte que liga os continentes europeu e asiático em Istambul, na manhã deste sábado. O objetivo deles era chegar até a praça. A polícia disparou granadas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes – que responderam atirando pedras. Um grupo  conseguiu se reunir na praça Taksim. Eles gritavam "unidos contra o facismo" e "governo renuncie". O grupo foi atacado por policiais com canhões de água.

Mais confrontos foram registrados no distrito de Besiktas. "Há mais de 40 mil pessoas cruzando a ponte entre a Ásia e a Europa hoje. Todo o transporte público está paralisado", disse à BBC uma moradora de Istambul que se identificou como Lily. Ela disse ainda que a polícia teria jogado granadas de gás lacrimogêneo a partir de helicópteros, durante a noite.

"Por volta de uma e meia da manhã a cidade toda começou a se manifestar. As pessoas estavam batendo em panelas, potes e soprando apitos", afirmou.

AP
Manifestantes e forças de segurança se enfrentam pelas ruas de Istambul e deixam rastro de destruição

A correspondente da BBC em Istambul, Louise Greenwood, afirmou que policiais de regiões distantes, como Antalya, estão sendo levados às principais cidades para ajudar a conter os choques. Ela disse ainda que todo o distrito de Taksim e as áreas vizinhas estão isoladas e as pontes da cidade foram interditadas.

Autoridades de Istambul afirmaram que dezenas feridos foram levados para hospitais e ao menos 60 suspeitos foram presos, desde o início dos confrontos na sexta-feira. Manifestantes em Ankara afirmaram que seu protesto foi uma ação de solidariedade aos colegas de Istambul. Eles gritavam frases como: "Em todo lugar há resistência, Taksim está em todo lugar".

No sábado, centenas de manifestantes se reuniram em um parque de Ankara. Muitos consumiram álcool em protesto contra restrições recentes do governo - de inspiração islâmica - sobre a venda e propaganda do produto. Alguns deles tentaram marchar em direção ao Parlamento, gritando mensagens contrárias ao governo, mas foram dispersados pela polícia.

Muitas mensagens no Twitter reclamavam sobre a falta de cobertura da mídia internacional sobre os protestos.

Islamização sutil
Os Estados Unidos expressaram preocupação em relação ao modo como o governo turco está lidando com os protestos. A Anistia Internacional condenou as táticas adotadas pela polícia. O polêmico projeto de revitalização do parque Gezi - que defragrou a onda de violência - prevê a retirada de árvores para realizar obras com o objetivo de aliviar o trânsito de veículos nas imediações da praça Taksim.

Opositores do projeto disseram que o parque é uma das poucas áreas verdes preservadas em Istambul. Correspondentes afirmaram que a questão colocou em evidência o descontentamento das camadas mais jovens da população contra o governo e o partido AK - devido ao que chamam de uma islamização sutil do país.

Na semana passada, o Parlamento turco aprovou uma legislação que restringe a venda e o consumo de bebidas alcoólicas entre 22h e 6h. O partido AK tem raízes políticas no Islã. Mas o premiê tem afirmado estar comprometido com o secularismo do Estado. Erdogan está no poder desde 2002 e muitos turcos têm reclamado, afirmando que o governo dele está se tornando cada vez mais autoritário. No mês passado, a polícia entrou em choque com milhares de pessoas que participavam de uma passeata de primeiro de maio em Istambul.



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