O leilão de 1,2 mil vinhos da adega do Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, arrecadou 718,8 mil euros (R$ 1,9 milhão), entre eles um vinho de R$ 20,5 mil

BBC

O leilão de 1,2 mil vinhos da adega do Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, arrecadou 718,8 mil euros (R$ 1,9 milhão), quase o triplo das estimativas iniciais, informou na sexta-feira (31) a casa de leilões Druot em um comunicado.

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Esta foi a primeira vez que parte da adega presidencial francesa, criada em 1947, foi colocada à venda. E encontrou um público cativo entre compradores chineses. Grandes vinhos, champanhes e conhaques chegaram a ser vendidos, em média, por duas e quatro vezes mais do que o estimado no catálogo do leilão. Em alguns lances, os valores iniciais foram multiplicados por cinco ou mais. Um lote de garrafas de Château Lafite Rothschild (Bordeaux) de 1978, por exemplo, estimado em 700 euros, foi vendido por 3,8 mil euros.

Nesta sexta-feira, o leilão foi iniciado com a venda de garrafas de conhaque, com preços estimados em 150 euros, mas que rapidamente atingiram entre 1,8 mil e 2,2 mil euros.

Belas  surpresas

A garrafa mais cara de todo o leilão foi a do renomado vinho Château Petrus, safra 1990, adquirida por um francês nesta sexta-feira por 6,1 mil euros (com as taxas e comissões, o montante atinge 7,6 mil euros, ou R$ 20,5 mil). O Château Petrus havia sido estimado inicialmente entre 2,2 mil e 2,5 mil euros. "Tudo foi vendido e obtivemos mais do que o dobro das estimativas mais baixas, com algumas belas surpresas. Mais de 6 mil euros por uma garrafa é um excelente preço", afirmou a leiloeira Ghislaine Kapandji, da Druot, no encerramento da venda.

Na quinta-feira, duas outras garrafas de Château Petrus da mesma safra de 1990 haviam sido vendidas por 5,5 mil euros e 5,8 mil euros, os lances mais altos do primeiro dia. O leilão reuniu compradores do mundo todo, mas os chineses, grandes consumidores de vinhos franceses, sobretudo de Bordeaux, tiveram participação bastante ativa na venda da adega do Palácio do Eliseu.

Foi um comprador chinês que fez o lance mais elevado da quinta-feira, ao adquirir por 5,8 mil euros um Château Petrus. Ele também comprou a metade das garrafas de conhaque vendidas no primeiro dia do leilão. Foi também um grupo de chineses que tentou adquirir a garrafa de Château Petrus leiloada nesta sexta e que foi finalmente comprada por um francês. "Todos estão contentes, tanto os compradores quanto a Presidência. Estávamos conscientes do prestígio da venda realizada pelo Palácio do Eliseu, mas não tínhamos a dimensão disso", afirmou a leiloeira ao comentar os resultados bem acima das previsões iniciais.

Economias

As garrafas leiloadas representam apenas 10% da adega do Palácio do Eliseu. O objetivo do governo é renovar a adega com vinhos mais "modestos" e também, ao mesmo tempo, dar uma chance de destaque aos pequenos produtores. O restante dos recursos obtidos no leilão serão transferidos ao orçamento público, informou o governo. "O Palácio do Eliseu não pode mais se permitir de servir à mesa garrafas que custam 2 mil ou 3 mil euros", afirma a chef sommelière da Presidência, Virginie Routis.

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