Em visita a Brasília, vice-presidente dos EUA elogiou democracia brasileira e disse que quer aprender com o País

A visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao Brasil confirmou o estreitamento de laços entre os dois países em comparação com a gestão Luíz Inácio Lula da Silva. Em pronunciamento oficial nesta sexta-feira (31) em Brasília, Biden reforçou o exemplo da democracia brasileira e afirmou que quer aprender com o País e firmar entendimentos para “multiplicar por sete” o comércio entre os dois países.

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Dilma conversou com vice-presidente americano Joel Biden por 40 minutos
Reuters
Dilma conversou com vice-presidente americano Joel Biden por 40 minutos

Durante a sua passagem pelo Brasil, Biden visitou o Rio de Janeiro e nesta sexta-feira teve um encontro com a presidente Dilma Rousseff (PT) e almoçou com o vice-presidente, Michel Temer (PMDB). Entre as conversas, Biden reforçou a importância do Brasil no cenário internacional, principalmente por conseguir aliar os princípios do liberalismo e do estado social, tendo como principal exemplo o programa social Bolsa Família. Biden também reforçou os elogios em relação às políticas de combate à violência contra a mulher. Geopoliticamente, citou como positiva a posição do governo brasileiro de ratificar sua posição contra a guerra civil na Síria, o mesmo posionamento dos norte-americanos.

Já na área econômica, Biden disse que quer trocar informações com o País, principalmente as relacionadas à tecnologia empregada na área energética, já que o Brasil caminha para a sustentabilidade após descoberta do pré-sal. Nessa área, os EUA ofereceram tecnologia para ajudar a explorar áreas ultraprofundas, citando, por exemplo, o trabalho de exploração de gás de xisto.

Os EUA também já sinalizam com outras formas de flexibilização das regras para imigração e intensificação dos intercâmbios educacionais, principalmente por conta do programa Ciência sem Fronteiras, que hoje concede 5.028 bolsas de pós-graduação e graduação para estudantes brasileiros nos EUA. O vice-presidente brasileiro, do outro lado, reiterou os pedidos para que o Brasil tenha um assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e apoio para que São Paulo seja escolhida como cidade sede da Expo 2020, exposição universal com pavilhões nacionais de vários países. A capital paulistana compete com Dubai (Emirados Árabes) e Izmir (Turquia). O Brasil nunca realizou uma Expo, que é realizada desde o século 18.

Segundo o vice-presidente dos EUA, o ano de 2013 “pode e deve marcar” uma nova era nas reações entre o Brasil e os EUA. “Mas palavras não bastam para chegar lá. Estamos a caminho”, disse reforçando que o presidente dos Estados Unidos já visitou o Brasil nos últimos 4 anos e que pelo menos 10 membros do ministério já estiveram no país. “Isso nunca aconteceu”, admitiu. “Ambos reconhecemos que há lacunas, há espaços. Mas nós discutimos uma agenda ambiciosa para fechar essa lacuna”, disse Biden, que confirmou o convite para a presidente Dilma visitar os os EUA no dia 23 de outubro.

Ele ainda reforçou que é necessário intensificar o comércio entre os dois países que hoje chega a aproximadamente US$ 100 bilhões por ano. Nesse ano, por exemplo, a Embraer conseguiu fechar contrato para a venda de 20 jatos à American Air Lines, em uma operação estimada em aproximadamente US$ 3 bilhões.

“Não há nenhuma razão para a que a maior economia do mundo e a 7ª maior economia não possam multiplicar isso por sete”, analisou. Dizendo que o Brasil não é mais um país emergente, mas que hoje a nação é um “ator importante no cenário internacional”. “O mundo pode aprender muito com o êxito do Brasil. Eu acho que vocês brasileiros subestimam a profundidade do impacto que do seu êxito nos últimos 15 anos”, disse.

“As nações que cooperam mais e que negociam as diferenças são aquelas nações em que cada uma compreende a outra. A única forma de se fazer isso é estar presente nos outros países”, declarou Biden.

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