Tensões crescentes abrem caminho para novos conflitos no Oriente Médio

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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Com maior papel do Hezbollah na Síria e possibilidade de que rebeldes recebam armas, história terá como confirmar que 'toda ação corresponde a consequências não planejadas'

O governo americano anunciou que um de seus aviões não tripulados matou o número 2 da milícia islâmica do Taleban no Paquistão. Não há dúvidas de que uma vingança da organização terrorista afegã, até agora nunca derrotada, deve acontecer na hora e local que ela decidir. Curiosamente, prova-se a verdade da lei da história “de que a toda ação corresponde, inevitavelmente, a consequências não planejadas”.

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AP
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O Taleban se vibializou com a vitória no Afeganistão contra um Exército da ex-União Soviética (1922-1991), que operava no país em apoio ao regime comunista. Com ajuda de assessores da CIA, além de armas fornecidas, as forças soviéticas acabaram se retirando derrotadas, o que contribuiu para o fim da URSS. Um dos heróis da guerrilha foi Osama Bin Laden, que se tornou o maior inimigo dos americanos, com a criação da Al-Qaeda, o que precipitou o incremento do terrorismo por todo o mundo.

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O Hezbollah (Partido de Deus), que assumiu o controle do sul do Líbano (na fronteira norte de Israel) e é uma das grandes preocupações militares do Estado judeu, foi criado por veteranos árabes da guerra do Afeganistão. Nessa região, a vizinha Síria recebe forças combatentes do Hezbollah, que lutam pela preservação do governo de Bashar al-Assad. Ambos são fortemente apoiados pelo Irã, cujo progresso na direção de produzir armas atômicas Israel qualifica como ameaça existencial.

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A Síria, como se sabe, enfrenta uma guerra civil. Os ministros de Relações Exteriores da União Europeia aprovaram o fim do embargo de armas aos rebeldes que tentam derrubar Assad, ao mesmo tempo que nada farão até a realização de uma conferência de paz em junho, visando a promover a solução política à questão. A ideia é convencer o presidente sírio a aceitar o exílio com sua família, sob garantias das grandes potências, deixando o país se reorganizar como democracia e promover eleições.

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O Reino Unido também está disposto a ajudar os rebeldes com armas. Ao que parece, todos que pensam em cooperar com os rebeldes não têm clareza sobre qual grupo apoiar. Não existe unidade entre os oponentes, cujo único objetivo comum seria a derrubada de Assad, sem que haja concordância de como substituir o presidente. Grupos relacionados à Al-Qaeda, que é sunita (seita majoritária no mundo muçulmano), estariam pensando em ocupar o cargo. Nem Europa nem EUA querem armas caindo em mãos de forças não democráticas.

Israel afirmou que não há interesse em interferir no conflito sírio. Os americanos querem evitar novas quedas em areias movediças, como ocorreu no Iraque e Afeganistão, onde estão há mais dez anos sem resultados definitivos.

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Há poucos dias, a população israelense foi avisada de que haveria exercícios de segurança. As sirenes de alerta soaram para que os civis estivessem preparados para a hipótese do pior. Fontes militares informaram que o sistema antimísseis Domo de Ferro não seria suficiente para destruir a chuva de foguetes que poderia alcançar qualquer parte do país, sob promessa do Hezbollah, em caso de intervenção do Estado judeu no conflito sírio.

A vida em Israel está normal, sem indícios de preocupações entre a população. Realizam-se festivais culturais por todos os lados. Entretando, a pequena população que vive nas Colinas do Golan, conquistadas da Síria em 1967, vive com o ruído das trocas de fogo entre rebeldes e governo sírio.

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Uma solução da questão palestina deverá prever a democratização do novo país. Numa eleição hoje, o Hamas, que domina a Faixa de Gaza e possui apoio do Irã, ganharia o poder. Essa hipótese está no pensamento israelense em relação a entedimentos com o governo de Ramallah. É muito improvável uma simplificação das questões regionais sem novos conflitos.

*Com colaboração de Nelson Burd

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