Premiê de Portugal está 'doido para se ver livre' de governo, declara seu pai

Por iG São Paulo |

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Enquanto filho é alvo de críticas por pacote de austeridade implementado em Portugal, seu pai afirma que família fará uma festa se ele deixar o cargo

Reprodução
Reprodução de vídeo mostra António Passos Coelho, pai do primeiro-ministro de Portugal, durante entrevista

António Passos Coelho, pai do primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, afirmou que o filho "está doido para se livrar disso", referindo-se ao governo português. Segundo ele, a família fará uma festa se o filho deixar o cargo.

As declarações foram feitas enquanto Passos Coelho, que assumiu como premiê em 2011, é duramente criticado em Portugal pelas medidas de austeridade que teve de implementar há quase dois anos sob um pacote de resgate da "troika" - o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia.

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Apesar das medidas, o déficit orçamentário não diminui como programado, tendo, ao contrário, aumentado no ano passado para 6,4% do PIB. Além disso, enquanto o nível de desemprego continua em quase 18%, prevê-se que a economia se contrairá ainda mais neste ano para 2,3%. 

No mês passado, o premiê se viu em meio a uma crise constitucional e política. A corte constitucional barrou quatro de nove medidas que ele queria adotar, forçando-o a adotar mais cortes de gastos para cumprir a meta de déficit orçamentário deste ano de 5,5% do PIB e garantir a aprovação de credores para o desembolso da próxima parcela de € 2 bilhões do resgate.

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Por causa desse cenário desfavorável, António Passos Coelho, 87, disse em entrevista ao "i" que a situação portuguesa "não tem conserto", sendo necessário mesmo viver em austeridade.

AP
Pedro Passos Coelho, líder do Partido Social Democrata, de centro-direita, é visto após encontro com presidente português, Aníbal Cavaco Silva, em Lisboa (2011)

No entanto, o médico pneumologista defendeu o premiê das críticas de que é alvo por causa dos sacrifícios impostos à população para respeitar o pacote de resgate. "Julgam que o meu filho não sabe? Coitado, sabe Deus o que ele passa. Está doido por se ver livre disso. A gente vai fazer uma festa, cá na família, quando ele se vir livre disto. Vamos fazer uma festa, nem queira saber”, disse.

Segundo ele, ninguém em sua família queria que Passos Coelho assumisse o governo. “Nunca gostamos que ele fosse para onde foi, porque a ideia cá em casa, na família, é que isso não tem conserto. Há muitos anos, não é de agora.”

António Passos Coelho relembra que, durante a campanha eleitoral, avisou o filho: "Você vai se dar mal." A advertência foi feita, disse, enquanto guardou para si as seguintes palavras: "Toda essa gente que está aqui vai te vaiar. Agora estão aqui todos contigo, mas daqui a um ano vão te vaiar. Não disse isso porque parecia mal na época.”

No início deste mês, Pedro Passos garantiu que não se demitirá se perder as eleições marcadas para outubro. Ao pai fez igual promessa nos seguintes termos, relatou António Pedro Passos: "É evidente que posso fazer isso (demitir-se), mas vai ser uma tragédia para o país. Tudo o que conseguimos cai de um dia para o outro, todo o critério internacional cai de um dia para o outro, vamos ter outro resgate, vamos ter uma austeridade pior que esta. Isto está na minha mão. Como posso fazer isso?”

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