Prefeito japonês pede desculpas por comentário sobre tropas americanas

Por iG São Paulo |

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Toru Hashimoto, prefeito de Osaka, havia dito que soldados dos EUA deveriam patrocinar entretenimento adulto para reduzir crimes sexuais

Um prefeito japonês pediu desculpas nesta segunda-feira (27) por dizer que as tropas americanas deveriam patrocinar negócios de entretenimento adulto como uma forma de reduzir crimes sexuais, mas fez outra defesa sobre a escravização sexual de mulheres realizada pelo Japão antes e durante a Segunda Guerral Mundial (1939-1945).

Toru Hashimoto: Escravas sexuais 'foram necessárias' na Segunda Guerra

AP
Toru Hashimoto, prefeito de Osaka, participa de coletiva na cidade a oeste do Japão

'Mulheres de conforto': Placas em homenagem a ex-escravas sexuais provocam polêmica

Toru Hashimoto, prefeito de Osaka e co-líder de um partido nacionalista emergente, disse que suas declarações feitas duas semanas atrás não passaram de um "sentimento de crise" sobre casos de assédios sexuais feitos por equipes do Exército dos EUA contra civis japoneses em Okinawa, onde um grande número de tropas americanas estão baseadas sob um tratado de segurança bilateral.

Hashimoto também disse que não tolerava o sistema das chamadas "mulheres de conforto", mas quis dizer que as autoridades do Exército na época, não só no Japão mas em muitos outros países, consideravam-no necessário.

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Ele negou qualquer intenção de retirar do Japão a responsabilidade sobre suas vítimas dos tempos de guerra, acrescentando que queria lançar uma luz sobre crimes sexuais nos campos de batalha e encorajar um debate aberto sobre o problema nos dias de hoje.

"Eu entendo que meu comentário poderia ser interpretado como um insulto às forças dos EUA e ao povo americano" e foi inapropriado, disse em coletiva em Tóquio. "Eu retiro essa afirmação e expresso minhas desculpas."

O prefeito causou polêmica ao dizer que o sistema que forçou milhares de mulheres de outros países a se prostituirem durante a guerra para atender soldados japoneses foi "necessário".

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Durante o conflito, cerca de 200 mil mulheres de territórios ocupados pelo Japão foram obrigadas a atuar como escravas sexuais para soldados do Exército japonês. A maioria era da China e da Coreia, mas também havia mulheres das Filipinas e da Indonésia.

Toru Hashimoto disse que as "mulheres de conforto", como ficaram conhecidas, deram aos soldados japoneses uma "chance para relaxar".

O prefeito disse que naquelas circunstâncias "em que balas voavam como chuva e vento, os soldados corriam o risco de perder suas vidas". "Para que eles descansassem, um esquema de mulheres de conforto era necessário. Qualquer um pode entender isso."

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Hashimoto é cofundador do partido nacionalista japonês Restauração, que tem poucos assentos no Parlamento e não faz parte do governo. Ele foi o governador mais jovem da história do Japão antes de se tornar prefeito de Osaka. No ano passado, ele já havia causado polêmica quando disse que o Japão precisava de uma "ditadura".

Com AP

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