Polícia britânica detém décimo suspeito em assassinato de soldado em Londres

Por iG São Paulo |

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Homem de 50 anos é detido sob suspeita de conspirar na morte de soldado a golpes de facão em rua de Londres na quarta. Crime aumentou tensões raciais no Reino Unido

Reprodução
Homem identificado como Michael Adebolajo é visto com mãos ensanguentadas em vídeo gravado após ataque

A polícia britânica prendeu nesta segunda-feira um décimo suspeito em conexão com o assassinato de um soldado em uma rua de Londres, um aparente ataque extremista islâmico que horrorizou o país e aumentou as tensões raciais.

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O homem de 50 anos foi detido em Welling, leste de Londres, sob suspeita de conspirar na morte do soldado Lee Rigby, 25, disse a Scotland Yard. A polícia não deu informações adicionais sobre a identidade do suspeito.

A detenção mais recente acontece enquanto mais detalhes surgem sobre o histórico de Michael Adebolajo, 28, um dos dois principais britânicos suspeitos no assassinato de quarta-feira. Ele e Michael Adebowale, 22, foram atingidos por disparos e feridos pela polícia no local do crime.

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Rigby, um soldado que serviu no Afeganistão, foi atropelado por um carro e repetidamente atacado com facões de açougueiro perto de seu quartel-general no sudeste de Londres.

Autoridades britânicas disseram que conheciam os dois principais suspeitos há algum tempo, mas revelações de que Adebolajo foi preso no Quênia em 2010 - e alegações de que funcionários de segurança britânicos tentaram recrutá-lo como informante depois disso - alimentaram questões sobre se as autoridades do Reino Unido poderiam ter feito mais para evitar a morte da semana passada.

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Adebolajo e Adebowale continuam sob supervisão de guardas armados em dois hospitais diferentes em Londres. Outros quatro homens e o suspeito preso nesta segunda continuam sob custódia em uma delegacia da capital britânica, enquanto outro foi solto sob fiança. Duas mulheres foram liberadas sem acusações.

Nesta segunda, o grupo de direitos humanos com base em Londres CagePrisoners, que defende suspeitos de terrorismo, disse que Adebolajo e sua família o contataram há cerca de seis meses reclamando que sofriam pressão do serviço britânico de espionagem doméstica MI5. Moazzam Begg, funcionário do grupo que falou com ele, o descreveu como "paranoico e instável".

"Os parentes eram abordados de formas diferentes. Um deles vivia e trabalhava no exterior, foi abordado pelo MI6 (agência de espionagem externa do Reino Unido) no seu trabalho e recebeu uma oferta de dinheiro. Eles queriam que ele trabalhasse para eles."

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AP
Foto sem data mostra Lee Rigby, soldado britânico que foi morto em ataque em Londres

Begg contou que Adebolajo disse ter sido torturado e ameaçado de estupro quando estava no Quênia, e que foi interrogado por várias horas sobre seu retorno a Londres. Primeiramente, os serviços de inteligência britânicos o liberaram, disse Begg, mas em março de 2012 eles o encontraram e lhe ofereceram emprego como informante. Adebolajo rejeitou a oferta, disse.

Autoridades quenianas disseram no domingo que Adebolajo foi preso no Quênia em 2010 com outros cinco perto da fronteira do país com a Somália. A polícia acreditava que Adebolajo ia trabalhar com os militantes islâmicos somalis do grupo al-Shabab.

Muthui Kariuki, porta-voz do governo queniano, disse à Associated Press que Adebolajo, que tinha um passaporte britânico, foi levado a uma corte judicial antes de ser entregue às autoridades britânicas no Quênia. A Chancelaria do Reino Unido confirmou que Adebolajo foi preso no Quênia em 2010 e disse que a agência "ofereceu assistência consular".

Não está claro como Adebolajo chegou a ser preso e como retornou a Londres. Autoridades quenianas negaram alegações de que ele foi torturado durante interrogatório.

Segundo o ex-chefe do al-Muhajiroun Anjem Choudary, o homem que aparece em um vídeo após o ataque é Michael Adebolajo, um cristão que se converteu ao Islã por volta de 2003 e participou de várias manifestações do grupo em Londres.

Previamente, um muçulmano linha dura descreveu Adebolajo como um cidadão britânico de ascendência nigeriana que se converteu ao Islã e participou de manifestações e palestras organizadas pelo grupo radical al-Muhajiroun, que foi banido no Reino Unido.

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O assassinato de Rigby e os aparentes vínculos de Adebolajo com o Islã radical alimentaram um sentimento antimuçulmano no Reino Unido, com a polícia e ativistas um aumento nos crimes de ódio, violência e vandalismo.

Cerca de 1 mil partidários do grupo inglês de extrema direita Liga de Defesa Inglesa marcharam no centro de Londres nesta segunda para protestar contra a morte do soldado, entrando em confronto com um pequeno grupo de manifestantes antifacistas e com polícia antidistúrbio. A polícia prendeu 13 pessoas, em sua maioria por suspeita de causar desordem pública.

Uma mesquita na cidade de Grimsby, norte da Inglaterra, foi atacada na noite de domingo, de acordo com o presidente do local religioso, Diler Gharib. A polícia disse ter prendido dois suspeitos no caso, afirmando que o fogo foi extinto sem causar ferimentos.

*Com AP

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