Líder da oposição Suu Kyi critica política de dois filhos para minoria muçulmana

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Autoridades do Estado de Rakhine, em Mianmar, têm planos de retomar limite de dois filhos para famílias muçulmanas da etnia Rohingya, um dos povos mais perseguidos do mundo

A líder opositora em Mianmar Aung San Suu Kyi, grupos de direitos humanos e líderes islâmicos expressaram consternação nesta segunda-feira (27) pelos planos das autoridades do país de retomar um limite de dois filhos para famílias muçulmanas da etnia Rohingya. A política não se aplica aos budistas e seu debate ocorre em meio a acusações de limpeza étnica.

Rohingya: Minoria muçulmana se recusa a deixar local em Mianmar ameaçado por ciclone

AP
Líder opositora de Mianmar Aung San Suu Kyi conversa com jornalistas durante encontro partidário em Mianmar

TV iG: Muçulmanos da etnia rohingya fogem da violência em Mianmar

No fim de semana, autoridades no Estado de Rakhine disseram que estavam restaurando uma medida imposta nos tempos de ditadura militar que proibia as famílias da etnia Rohingya de ter mais de dois filhos. Os detalhes sobre a política e como ela seria aplicada não foram divulgados, provocando pedidos de esclarecimentos e preocupações em relação ao aumento de discriminação contra o grupo que, segundo a ONU, é um dos mais perseguidos do mundo.

"Se é verdade, isso é contra a lei", disse Suu Kyi, a líder opositora. Suu Kyi enfrentou críticas por fracassar na defesa dos Rohingya após duas ondas de violência sectária no ano passado. Ela afirmou aos repórteres que ela não havia se informado sobre os detalhes da última medida, mas se existem "é discriminatória e também viola direitos humanos".

Em 2012: Mianmar registra 56 mortos em confrontos entre budistas e muçulmanos

Março: Mianmar declara estado de emergência em cidade atingida por violência sectária

A política se aplica a duas cidades do Estado de Rakhine que fazem fronteira com Bangladesh e possuem a maior população muçulmana do Estado. As cidades, Buthidaung e Maungdaw, possuem cerca de 95% de muçulmanos.

A ordem faz de Mianmar talvez o único país do mundo a aplicar tal restrição contra um particular grupo religioso, e pode trazer mais críticas por discrimanação contra os muçulmanos no país de maioria budista.

Por anos, os Rohingya em Mianmar enfrentaram várias restrições. Eles precisavam de permissão para viajar para fora de suas vilas, casais também deveriam ter uma permissão especial para se casar, e eles só podiam ter dois filhos.

Saiba mais: Mianmar declara estado de emergência em cidade atingida por violência sectária

O porta-voz do Estado de Rakhine Win Myaing disse no fim de semana que a política tinha como objetivo conter o crescimento da população na comunidade muçulmana, que, segundo uma comissão do governo no mês passado, foi identificado como uma das causas da violência sextária. Ele disse que as autoridades não determinaram como a medida será implementada.

Phil Robertson da Human Rights Watch caracterizou a política como "ultrajante", acrescentando que o relatório da comissão afirmou que qualquer forma de controle população deve ser "voluntária" e de acordo com as premissas dos direitos humanos.

"Quando um grupo étnico começa a falar sobre controle de natalidade para outro grupo é um pouco assustador", disse. "Esse é um preciso na direção errada - indo exatamente na direção errada da reconciliação e do respeito aos direitos humanos."

Com AP

Leia tudo sobre: mianmarsuu kyirakhinerohingya

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas