Carros-bomba deixam 66 mortos em bairros xiitas na região de Bagdá, Iraque

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Segurança no país árabe se deteriora rapidamente enquanto crescem tensões sectárias pela guerra na vizinha Síria e por meses de protestos antigoverno liderados pelos sunitas

Uma onda de carros-bomba atingiu bairros majoritariamente xiitas na área de Bagdá, capital iraquiana, logo no início da manhã desta segunda-feira, deixando ao menos 66 mortos nos mais recentes atos de violência no Iraque.

As explosões são a mais nova indicação de que a segurança no país árabe está rapidamente se deteriorando enquanto crescem as tensões sectárias exacerbadas por meses de protestos antigoverno liderados pelos sunitas e pela guerra na vizinha Síria.

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AP
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O Iraque foi atingido por uma onda de banho de sangue que deixou mais de 350 mortos nas duas últimas semanas.

Não houve nenhuma reivindicação imediata pela violência desta segunda, mas os ataques têm as marcas do braço iraquiano da Al-Qaeda. O grupo, conhecido como Estado Islâmico do Iraque, frequentemente usa carros-bomba e explosões coordenadas em um esforço para minar a confiança dos iraquianos no governo liderado por xiitas.

O ataque mais mortífero aconteceu quando duas bombas explodiram no bairro oriental de Habibiya, que fica perto do distrito em sua maioria xiita de Cidade Sadr. O ataque deixou 12 mortos e 35 feridos, de acordo com a polícia.

Duas explosões também atingiram uma feira ao ar livre na área predominantemente xiita de al-Maalif, deixando seis mortos e 12 feridos, afirmaram dois policiais.

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Outro carro-bomba explodiu na lotada rua comercial de Sadoun, no centro de Bagdá, deixando cinco mortos e 14 feridos, incluindo quatro policiais que estavam em um posto de controle próximo.

A rua é uma das principais áreas na capital para clínicas, farmácias e lojas. Bombeiros foram vistos tentando extinguir as chamas dos destroços do carro-bomba enquanto a polícia isolava a área.

Em Nova Bagdá, no leste da capital, um carro-bomba explodiu quando especialistas tentavam desmantelar os explosivos, matando um civil e deixando outros nove feridos. No bairro de Sabi al-Boor, no norte de Bagá, a polícia disse que oito civis foram mortos e 26 ficaram feridos com a explosão de outro carro-bomba em um mercado.

Além disso, no bairro de Bayaa, sudoeste, um carro-bomba matou seis civis e feriu 16, enquanto no distrito de KazimiyahIn (norte), um veículo com explosivos foi detonado perto de um ônibus e de um ponto de táxi, deixando quatro mortos e 11 feridos. E, na área de Sadria (centro), outro carro-bomba explodiu em um mercado, matando três civis e ferindo 11.

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Na área de Jisr Diyala (leste), mais um carro-bomba matou cinco e feriu 12. E, na área de Shaab (norte), outro matou quatro e feriu nove. Carros-bomba também atingiram o bairro de Baladiyat (leste), matando quatro e ferindo 11, e o bairro de Hurriyah (norte), matando cinco e ferindo 14.

Em Madain, a cerca de 20 km ao sul do centro de Bagdá, um ataque matou três e feriu nove. Funcionários médicos confirmaram o número de vítimas sob condição de anonimato.

Embora a violência tenha diminuído no Iraque desde o pior período de violência, militantes ainda são capazes de lançar ataque letais em todo o país. O recente banho de sangue aumentou as tensões entre a minoria sunita do país e o governo liderado por xiitas. O aumento da violência relembra a carnificina sectária que levou o Iraque para perto da guerra civil em 2006 e 2007.

Alarmado com a deterioração nacional na situação de segurança, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, ordenou uma mudança nos principais níveis militares.

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Desde sábado, o governo lançou uma operação militar na Província de Anbar, no leste do país, para perseguir combatentes da Al-Qaeda no Iraque. O grupo se fortaleceu graças ao aumentou da ilegalidade na fronteira do Iraque com a Síria e à cooperação fronteiriça com o grupo militante sírio Frente al-Nusra.

*Com AP

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