Jordânia pede que EUA instalem baterias de mísseis antiaéreos em seu território enquanto Israel adverte que agirá se houver risco para o Estado judeu

Preocupada com a continuação do conflito entre governo e rebeldes na Síria, a Jordânia apelou aos EUA para instalar baterias de mísseis antiaéreos. É a segunda vez que a Jordânia apela aos EUA para defendê-la do país vizinho. Em setembro de 1970, choque entre soldados do rei jordaniano e combatentes de Yasser Arafat , líder palestino, aproximou-se de uma tentativa de golpe de Estado.

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Reprodução de vídeo mostra rebeldes sírios celebrando após captura de base do Exército em Nairab, noroeste da Síria (23/05)
AP
Reprodução de vídeo mostra rebeldes sírios celebrando após captura de base do Exército em Nairab, noroeste da Síria (23/05)

Foi o chamado Setembro Negro, quando homens de Arafat foram massacrados pela força local e fugiram do país, passando por Damasco, onde não permitiram que permanecessem, chegando ao Líbano. A Síria botou seus tanques na rua para invadir a Jordânia, que pediu socorro aos americanos. Era tal a urgência, que apelaram a Israel, com quem estavam em estado de guerra. Os judeus, então, salvaram um país muculmano de outro.

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Jordânia , Líbano , Iraque e Turquia são os destinos dos refugiados sírios da guerra civil. Israel só tem permitido a entrada deles em estado grave. Há cerca de 20 sírios internados em hospitais israelenses. O gabinete de Benjamin Netanyahu mandou mensagem ao presidente Bashar Al-Assad comunicando que não pretende interferir no conflito, mas não deixará nenhum disparo contra seu território ficar sem resposta. O chefe do Estado Maior israelense, Benny Gantz, declarou que está preparado para qualquer eventualidade.

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Em Beirute, capital do Líbano, universitários xiitas estão abandonando seus estudos para se juntar às tropas do grupo militante Hezbollah na Síria, que apoiam Assad e estariam recebendo armas iranianas e russas. O interesse do presidente russo, Vladimir Putin, é o porto que opera a sua única base naval no Oriente Médio. Seu Exército tem enviado mais navios para a região, onde considera estratégica sua presença por causa do empenho em voltar a ser respeitada como grande potência. Ninguém prevê choques com os EUA, mas não se descarta uma espécie de retorno à Guerra Fria (1947-1991).

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O Hezbollah estaria sendo fortalecido com mais armas. Gantz anunciou que pretende agir contra isso com todos os meios. Consta que o movimento islâmico Hamas, que domina a Faixa de Gaza, estaria se infiltrando na Síria em favor de Assad. A fronteira mais perigosa, no momento, é a que separa as Colinas do Golan , anexadas por Israel em 1967, e a Síria. Praticamente não existe distância entre os dois países. Tanto é assim que disparos sírios têm atingido o lado de Israel, que retaliou recentemente.

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Tentativas russo-americanas , com apoio da Turquia, são feitas para que se encontrem meios de suspender o conflito interno sírio, permitindo solução político-diplomática. Entretanto, ninguém fala em interferência militar externa. Existem envolvimentos de interesses iranianos, russos, do Hezbollah e Hamas, além da falta de definição por parte de potências ocidentais, que se revelam hesitantes em atuar diretamente.

Qualquer ação pode ter consequências não desejadas. É óbvia a timidez da comunidade internacional, principalmente de americanos, ingleses, franceses, em adotar medidas mais decisivas. São muitos os interesses em jogo, que podem desequilibrar o Oriente Médio, até na forma de um contágio da violência e de ações de movimentos terroristas fora da região.

*Com colaboração de Nelson Burd

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