Discurso de Obama sobre drones recebe elogios no Paquistão e no Iêmen

Por iG São Paulo |

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Autoridades paquistanesas, porém, criticaram presidente por não suspender ataques com aviões não tripulados; Iêmen diz que decisão sobre Guantánamo pode melhorar relações

O discurso do presidente Barack Obama sobre o uso dos aviões não tripulados (drones) e o destino dos prisioneiros de Guantánamo foi bem recebido nesta sexta-feira (24) pelos dois principais países atingidos por essas políticas - o Paquistão e o Iêmen.

Apesar disso autoridades paquistanesas criticaram o presidente por não suspender totalmente os ataques no país, como há muito tempo eles têm requerido.

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AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, faz discurso sobre segurança nacional em Universidade de Defesa Nacional, em Washington

Obama afirmou que os ataques com drones contra militantes islâmicos são cruciais nos esforços de contraterrorismo americano mas reconheceu, em seu discurso feito na quinta-feira, que não "resolvem todos os problemas".

O presidente também disse que estava profundamente perturbado pela morte involuntária de civis nos ataques e anunciou regras mais restritas para os ataques do governo - medidas que, segundo seus assessores, efetivamente limitarão o uso de drones no futuro.

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O presidente pediu também que o Congresso fechasse a prisão da Baía de Guantánamo, em Cuba, e tentou alavancar o processo anunciando um novo esforço para tranferir detentos para seus países de origem além de suspender uma proibição de transferências para o Iêmen. O fim das restrições ao Iêmen é importante, uma vez que 30 dos 56 prisioneiros passíveis de transferência são iemenitas.

Um assessor do primeiro-ministro do Iêmen, Rageh Badi, elogiou a decisão de Obama de suspender a proibição e permitir o retorno dos detentos iemenitas. Segundo ele, a atitude foi um "passo bem-vindo" que poderia melhorar as relações entre os dois países. "Esse é um discurso responsável, especialmente sobre o fechamento do centro de detenção, que tem sido um insulto aos EUA mais do que a qualquer outro país", disse.

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O esforço de Obama em fechar Guantánamo também foi bem recebido no Paquistão, mas a questão é menos ressonante no país, porque há poucos paquistaneses na prisão. Analistas também se questionaram se Obama teria sucesso, uma vez que sua promessa de fechar a prisão durante seu primeiro mandato fracassou, muito por causa da oposição no Congresso.

Os paquistaneses se importaram muito mais com os comentários de Obama acerca dos ataques com aviões não tripulados uma vez que o país foi atingido por 355 ataques desse tipo desde 2004. Os ataques deixaram 3336 mortos, segundo a Fundação Nova América.

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Essa foi a primeira vez que o presidente falou extensivamente ao público sobre o programa de drones, que é conduzido pela CIA no Paquistão e considerado confidencial. Ataques com drones em outros países são realizados pelo Exército sozinho ou com cooperação da CIA, como no Iêmen.

Tais ataques são extremamente impopulares no Paquistão, parcialmente por causa das alegações de autoridades do governo qe que os ataques matam civis inocentes regularmente - uma avaliação que os EUA consideram "exagerada". Autoridades paquistanesas regularmente criticam os ataques como uma violação da soberania do Paquistão.

Obama disse em seu discurso que havia um grande abismo entre a avaliação dos EUA sobre a morte de civis decorrente de ataques de drones e aqueles causados por organizações extra governamentais. Mas reconheceu que houve casos de civis que morreram e disse que eles vão assombrá-lo e aqueles na cadeira de comando "pelo tempo em que viverem".

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"Obama finalmente respondeu ao sentimento popular nesse país, que é ferozmente contra os drones, e eu acho que isso mostra certa sensibilidade", disse Mushahid Hussain, presidente do comitê de defesa do Senado no Paquistão. "Mas para o povo do Paquistão isso não é bom o suficiente ao menos que esses ataques cessem."

A chancelaria do Paquistão reiterou esse ponto em um comunicado enviado a jornalistas. "O governo do Paquistão tem mantido consistentemente que os ataques de drones são contraproducentes, implicam na perda de vidas inocentes, têm implicações humanitárias e de direitos humanos e viola os princípios da soberania nacional, integridade territorial e leis internacionais."

Mas também elogiou Obama por mencionar as centenas de soldados paquistaneses que perderam suas vidas lutando contra extremistas e por reconhecer que o uso da força não tornará os EUA mais seguros.

Embora Obama tenha defendido o uso dos drones, autoridades paquistanesas e analistas afirmaram que seus comentários apresenta a nova diretriz que rege os ataques pode criar espaço e melhorar as relações prejudicadas entre os dois países, no momento em que um novo governo se prepara para tomar posse no Paquistão.

O número de ataques no Paquistão caíram de um pico de cerca de 120 em 2010, para dezenas até agora nesse ano, embora não seja claro se o declínio se deu por decisão do governo.

Com AP

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