Correa assume 3º mandato e defende 'controle social' da mídia no Equador

Por Agência Brasil |

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Em seu discurso de posse, presidente equatoriano apresenta números positivos de mudanças econômicas e sociais durante os últimos seis anos

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Ao tomar posse nesta sexta-feira para seu terceiro mandato consecutivo, Rafael Correa apresentou números positivos das mudanças econômicas e sociais que o Equador viveu nos últimos seis anos e defendeu um "controle social" da mídia. "O principal indicador de sucesso não é crescimento econômico, mas sim a redução da pobreza e sobretudo a da pobreza extrema", declarou. Ele discursou logo depois de receber a faixa presidencial da presidenta da Assembleia, Gabriela Rivadeneira.

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Correa destacou que o país está agora entre os três menos desiguais países latino-americanos, de acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), juntamente com a Venezuela e o Uruguai. O país também melhorou seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), sendo um dos quatro países que mais subiram posições, conquistando, desde 2007, dez posições no ranking mundial de 186 países.

"Sabemos que não há índices perfeitos, e acredito que temos muito o que alcançar", declarou. Lembrou também que, entre 2007 e 2012, 1 milhão de equatorianos deixou a linha da pobreza extrema, diminuindo a parcela da população nestss condições de 16,2% para 11,2%.

Com relação à sua política econômica, Correa destacou que a média de crescimento foi de 4,2%, com baixa taxa de desemprego, em torno de 4,1%. O líder equatoriano explicou que o "sucesso" econômico do país se justifica pela modernização da máquina estatal, com um sistema transparente de licitações e também pelo direcionamento e uso das reservas financeiras do país em benefício dos próprios equatorianos.

"Inquestionavelmente já não mandam as oligarquias e o capital estrangeiro. Aqui quem manda é o povo equatoriano. A Pátria já é de todos", pontuou.

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Correa defendeu o controle social da mídia. Segundo ele, uma boa imprensa é fundamental para a democracia, mas uma "imprensa ruim faz muito mal à democracia". Nesse contexto, qualificou a imprensa latino-americana de ruim e defendeu liberdade de expressão de todos os equatorianos, e não somente de certos grupos de poder. "Acreditamos em meios comunitários, públicos e privados", acrescentou.

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No campo da política externa, apontou que continuará sendo voz atuante dentre os países da Aliança Bolivariana, formada pelo presidente Hugo Chávez, que morreu em março. "Como é possível que a sede da Comissão Interamericana de Direitos Humanos possa ser mantida em um país que não ratificou a Convenção de Direitos Humanos?", questionou em seu discurso, voltando a defender a saída da sede do organismo da Organização dos Estados Americanos (OEA), de Washington, capital dos EUA.

Ele também criticou o bloqueio econômico dos EUA a Cuba e questionou a OEA que, segundo ele, deveria se posicionar e lutar para o fim do embargo e também pelo fechamento da prisão americana dos EUA na Baía de Guantánamo, Cuba.

Ao terminar seu discurso, ele se lembrou de Chávez, declarando que até seus filhos sentem saudade do presidente. "Vamos em busca de nossa pátria querida", disse, usando palavras que Chávez gostava de usar.

Correa chegou pontualmente à cerimônia de posse, na Assembleia Nacional do país, ao lado da mulher e dos filhos. Antes de começar a cerimônia, cumprimentou os chefes de Estado e de governo que foram prestigiá-lo. Previamente, a presidenta da casa Legislativa, Gabriela Rivadeneira, discursou quase uma hora, atribuindo a Correa as mudanças que o país viveu nos últimos anos.

"Com Rafael Correa, demostramos que é possível inclusive mudar o destino. Agora todos os setores sociais e econômicos têm a possibilidade de mudança, agora a população indígena e pobre, aqueles que eram invisíveis, são os mimados dessa revolução cidadã", disse.

Correa assumiu o mandato para o período 2013-2017, com a presença de dez chefes de Estado, incluindo os presidentes do Haiti, Michel Martelly; da Bolívia, Evo Morales; da Costa Rica, Laura Chinchilla; do Chile, Sebastián Piñera; da Venezuela, Nicolás Maduro; da Colômbia, Juan Manuel Santos. O príncipe de Asturias, Felipe Borbón, também compareceu representando a Espanha.

A presidente Dilma Rousseff não compareceu, porque está na Etiópia para a celebração dos 50 anos da União Africana. O vice-presidente Michel Temer representou o Brasil na solenidade. Os presidentes do Irã, Mahmud Ahmadinejad, e do Peru, Ollanta Humala, cancelaram a participação no evento de posse.

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Correa saiu bastante fortalecido da campanha eleitoral de fevereiro. Além de vencer com quase 16 pontos porcentuais sobre seus opositores, seu Movimento Aliança Pátria Altiva e Soberana (Aliança PAIS) elegeu 73% do Parlamento, obtendo 100 das 137 cadeiras da Assembleia Nacional.

A expectativa é de que, com a ampla maioria, Correa impulsione outras reformas, como as leis de comunicação, água, terra e um novo Código Penal. Apesar de sua fidelidade à Aliança Bolivariana e da amizade com Chávez, Correa tem declarado que admira outros modelos econômicos, como o da Coreia do Sul, que tem um Estado forte, que controla a economia, mas com investimento prioritário em educação.

Esse será o último mandato de Correa, de acordo com a Constituição. Ele tem reiterado que esses são seus "últimos quatro anos no país". Além de levar adiante as reformas sociais que implementou, tem pela frente o desafio de construir um nome que possa sucedê-lo.

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