Suspeitos de ataque em Londres já haviam sido investigados, diz oficial

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo fontes do governo britânico, dois homens acusados de matar de forma brutal soldado em Woolwich eram conhecidos do serviço de segurança

Dois homens suspeitos de assassinar de forma brutal um soldado britânico já haviam constado em investigações anteriores pelos serviços de segurança, afirmou nesta quinta-feira (23) uma autoridade britânica, enquanto investigadores realizavam buscas para determinar se os homens eram parte de um plano maior para aterrorizar as ruas de Londres.

Quinta: Reino Unido detém dois suspeitos de envolvimento em ataque em Londres

De família cristã: Um dos suspeitos de ataque em Londres se converteu ao Islã

De acordo com fontes ouvidas pela rede britânica BBC, um dos suspeitos é Michael Adebolajo, 28 anos, que aparece em um vídeo após o ataque. Também nesta quinta, a polícia britânica anunciou a detenção de um homem e uma mulher, ambos com 29 anos, sob suspeita de conspirar no assassinato.

Premiê: Reino Unido jamais cederá ao terror, diz Cameron após ataque em Londres

Reprodução
Homem identificado como Michael Adebolajo é visto com mãos ensanguentadas em vídeo gravado após ataque

Woolwich: Homem é morto em suposto ataque terrorista ao sul de Londres

Os homens, suspeitos de matar a facadas um soldado britânico enquanto transeuntes assistiam horrorizados, se gabavam de sua atitude e alertavam para mais violência em imagens gravadas em telefones celulares de testemunhas. Segurando facas e um facão de açougue, eles aparentemente aguardaram a chegada da polícia, que disparou contra suas pernas, de acordo com um transeunte que tentou salvar o soldado.

O premiê britânico, David Cameron, prometeu que o Reino Unido não se acovardaria pelas cenas de violência e que rejeitaria "a narrativa venenosa do extremismo na qual essa violência se alimenta". De fato, houve poucos sinais de alarme na capital, que já foi atingida por ataques terroristas durante uma longa confrontação com o IRA e mais recentemente, a Al-Qaeda.

Imagens: Suspeito diz que ataque em Londres vinga morte de muçulmanos

Ainda assim, a segurança foi reforçada nos quartéis militares da capital, com guardas armados em muitos casos. O ataque de quarta-feira ocorreu próximo a um quartel militar no bairro de Woolwich, sul de Londres.

Há poucos detalhes confirmados sobre os dois suspeitos feridos e a polícia não informou qual é sua condição de saúde. Eles confirmaram que a vítima era um soldado britânico. O Ministério de Defesa do Reino Unido identificou o soldado morto como Lee Rigby, do 2º Batalhão do Regimento Real de Fuzileiros. Com 25 anos, Rigby era pai de Jack, de 2 anos, entrou para o Exército em 2006, primeiramente foi enviado ao Chipre e mais tarde serviu no Afeganistão e Alemanha. Ele assumiu um posto de recrutamento com o Exército em Londres em 2011.

Um dos supostos autores do ataque justificou as motivações do crime em um vídeo. As imagens - obtidas pela ITV news e pelo jornal The Sun - mostraram um homem com jaqueta escura e gorro andando em direção à câmera, segurando um facão de açougue e uma faca. Falando em inglês com sotaque britânico, ele se desculpou que as mulheres na rua tenham sido obrigadas a testemunhar o ato, dizendo que "em nossa terra, as mulheres têm que ver o mesmo".

AP
O premiê britânico David Cameron fala em frente ao nº 10 da Downing Street

EUA: Agente do FBI mata homem que era questionado sobre ataque em Boston

Uma fonte do governo britânico afirmou que ambos os suspeitos eram parte de investigações anteriores dos serviços de segurança por possíveis conexões com terrorismo. A autoridade afirmou que não poderia fornecer outros detalhes, porque os suspeitos podem ser parte de um julgamento. Investigações realizadas pelo serviço de segurança interno britânico, MI5, podem incluir imagens de câmeras escondidas, grampos telefônicos e interceptações.

A polícia no condado de Lincolnshire no leste da Inglaterra afirmou que uma propriedade estava sendo vasculhada em conexão ao ataque de Woolwich. Segundo a polícia, o mandado de busca foi obtido, mas não podiam dar detalhes sobre a operação. A polícia também investigava o local do ataque em busca de novas pistas.

O incidente ocorreu na tarde de quarta-feira, quando policiais responderam a relatos de um ataque a apenas alguns blocos do quartel de treinamento militar da Artilharia Real no bairro de Woolwich. Imagens do local no momento do crime mostram um carro azul que aparentemente foi usado no ataque. Algumas armas - incluindo facas, machados, e um facão de açougue - foram encontradas jogadas na rua.

Outras imagens mostraram o segundo suspeito segurando uma faca enquanto conversava com uma mulher que, segundo a mídia britânica, tentou intervir para prevenir mais derramamento de sangue. O jornal Daily Telegraph identificou a mulher como Ingrid Loyau-Kennett, 48 anos, e disse que ela confrontou os suspeitos de matar o soldado, dizendo: "É só vocês contra muitas pessoas. Vocês vão perder."

Testemunhas: Frieza e euforia dos suspeitos marcam ataque em Londres

Dizendo que queria impedir que o suspeito atacasse mais alguém, ela perguntou se ele havia "feito aquilo" e o que queria. "Ele disse: 'Eu matei ele, porque ele matou muçulmanos e eu estou farto com pessoas que matam muçulmanos no Afeganistão. Eles não tem nada o que fazer lá", disse ao jornal.

Na noite de quarta-feira, a tropa de choque em Woolwich conteve cerca de 50 homens agitando bandeiras Liga de Defesa Inglesa, um grupo de extrema-direita nacionalista. Grupos religiosos muçulmanos rapidamente condenaram os ataques e pediram que a polícia acalmasse as tensões.

AP
Tributo em memória da vítima é colocado do lado de fora do quartel da Artilharia Real, perto da cena do ataque em Woolwich, Londres

Com AP

Leia tudo sobre: ataque em woolwichwoolwichlondresreino unido

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas