Reino Unido jamais cederá ao terror, diz Cameron após ataque em Londres

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Premiê britânico e autoridades se reuniram em segunda reunião de emergência em menos de 24 horas; polícia confirma que vítima, morta a facadas, era um soldado

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse nesta quinta-feira (23) que o assassinato brutal de um soldado em Londres por dois homens que gritavam palavras de ordem jihadistas foi uma traição ao Islã e que o Reino Unido jamais cederá ao terror.

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Cameron condenou o "ataque doente" e afirmou que os pensamentos do país estão com a vítima e com sua família. O premiê fez o pronunciamento depois de uma reunião de emergência, enquanto a segurança foi reforçada nas bases do Exército em torno de Londres em meio ao temor de que outros ataques ocorram.

AP
O premiê britânico David Cameron fala em frente ao nº 10 da Downing Street

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A convocação da reunião de emergência nesta quinta-feira - a segunda em menos de 24 horas - indica como o governo britânico está levando a sério o que considera ter sido um incidente terrorista. A secretária do Interior Theresa May, o secretário da Defesa Philip Hammond, o prefeito de Londres Boris Johnson e policiais e autoridades de segurança participaram do encontro.

A polícia confirmou nesta quinta-feira que o homem morto era um soldado e disse que sua identidade não será revelada ainda, a pedido da família. Uma autópsia será realizada ainda nesta quinta.

Um dos supostos autores do ataque justificou as motivações do crime em um vídeo, no qual ele aparece com as mãos ensanguentadas e segurando facas e um facão de açougue. A polícia atirou e levou os suspeitos sob custódia. Um deles está em estado grave.

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A mídia do Reino Unido afirmou que a vítima vestia uma camiseta em apoio ao Exército quando foi morta.

A polícia no condado de Lincolnshire no leste da Inglaterra afirmou que uma propriedade estava sendo vasculhada em conexão ao ataque de Woolwich. Segundo a polícia, o mandado de busca foi obtido, mas não podiam dar detalhes sobre a operação. A polícia também investigava o local do ataque em busca de novas pistas.

O prefeito de Londres, Boris Johnson, pediu à população da cidade que mantenha a calma. Ao deixar a reunião de emergência, Johnson aparentemente indicou que o ataque era visto como um incidente isolado. "Tudo o que eu ouço me leva a crer que os londrinos podem ir ao seu trabalho da maneira normal e vamos levar os assassinos à Justiça", disse.

Mais cedo, Cameron afirmou que havia "fortes indicações" de que o crime teria sido um ato de terrorismo, e duas outras autoridades afirmaram que havia sinais de que o ataque foi motivado por extremismo islâmico.

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O incidente ocorreu na tarde de quarta-feira, quando policiais responderam a relatos de um ataque a apenas alguns blocos do quartel de treinamento militar da Artilharia Real no bairro de Woolwich. Imagens do local no momento do crime mostram um carro azul que aparentemente foi usado no ataque. Algumas armas - incluindo facas, machados, e um facão de açougue - foram encontradas jogadas na rua.

Transeuntes filmaram um dos supostos atores do assassinato, com suas mãos ensanguentadas, fazendo críticas políticas enquanto o corpo da vítima estava caído no chão.

Imagens - obtidas pela ITV news e pelo jornal The Sun - mostraram um homem com jaqueta escura e gorro andando em direção à câmera, segurando um facão de açougue e uma faca. Falando em inglês com sotaque britânico, ele se desculpou que as mulheres na rua tenham sido obrigadas a testemunhar o ato, dizendo que "em nossa terra, as mulheres têm que ver o mesmo".

Assista ao vídeo:

Segundo fontes ouvidas pela agência Reuters, o Reino Unido investiga uma possível ligação da Nigéria com os suspeitos. A identidade deles ainda não foi divulgada. "Juramos pelo Alá todo-poderoso que nunca vamos parar de lutar contra vocês", declarou. "Devemos lugar contra eles como eles lutam contra nós".

Testemunhas

Outras imagens mostraram o segundo suspeito segurando uma faca enquanto conversava com uma mulher que, segundo a mídia britânica, tentou intervir para prevenir mais derramamento de sangue. O jornal Daily Telegraph identificou a mulher como Ingrid Loyau-Kennett, 48 anos, e disse que ela confrontou os suspeitos de matar o soldado, dizendo: "É só vocês contra muitas pessoas. Vocês vão perder."

Dizendo que queria impedir que o suspeito atacasse mais alguém, ela perguntou se ele havia "feito aquilo" e o que queria. "Ele disse: 'Eu matei ele, porque ele matou muçulmanos e eu estou farto com pessoas que matam muçulmanos no Afeganistão. Eles não tem nada o que fazer lá", disse ao jornal.

Na noite de quarta-feira, a tropa de choque em Woolwich conteve cerca de 50 homens agitando bandeiras Liga de Defesa Inglesa, um grupo de extrema-direita nacionalista. Grupos religiosos muçulmanos rapidamente condenaram os ataques e pediram que a polícia acalmasse as tensões.

Com AP

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