Reino Unido detém dois suspeitos de envolvimento em ataque em Londres

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Homem e mulher de 29 anos foram detidos sob suspeita de conspirar na morte de soldado identificado como Lee Rigby, 25, pai de um menino de 2 anos

A polícia britânica anunciou na noite desta quinta-feira a detenção de mais dois suspeitos pelo ataque lançado na quarta-feira contra um soldado britânico no bairro de Woolwich, sul de Londres. De acordo com a polícia, um homem e uma mulher, ambos com 29 anos, foram detidos sob suspeita de conspirar no assassinato.

Reuters
Pessoas veem flores deixadas do lado de fora de quartel perto de onde soldado foi morto em Woolwich, sudeste de Londres

As prisões foram anunciadas no mesmo dia em que dois muçulmanos linha dura informaram que o homem visto empunhando um facão de açougueiro depois da morte do soldado é um muçulmano convertido que participou de manifestações com o grupo radical al-Muhajiroun, que foi banido no Reino Unido.

Assista: Em vídeo, suspeito diz que ataque em Londres vinga morte de muçulmanos

Segundo o ex-chefe do al-Muhajiroun Anjem Choudary, o homem que aparece em um vídeo após o ataque é Michael Adebolajo, um cristão que se converteu ao Islã por volta de 2003 e participou de várias manifestações do grupo em Londres.

Reprodução
Homem identificado como Michael Adebolajo é visto com mãos ensanguentadas em vídeo gravado após ataque

De família cristã: Um dos suspeitos de ataque em Londres se converteu ao Islã

Omar Bakri Muhammad - que agora vive no Líbano, mas foi um pregador muçulmano radical em Londres - também reconheceu o homem visto na televisão como Adebolajo e disse que ele compareceu a suas palestras na capital britânica no início dos anos 2000.

Bakri disse se lembrar de Adebolajo como uma "pessoa tímida" que queria aprender sobre o Islã e fazia perguntar interessantes. "Ele costumava ouvir mais do que falar", afirmou. "Fiquei surpreso de saber que ele era o suspeito no ataque."

Relatos: Testemunhas descrevem frieza e euforia de suspeitos de ataque em Londres

A segunda pessoa internada depois de ser atingida por disparos durante um confronto com a polícia ainda não foi identificada. Imagens de um vídeo o mostraram segurando uma faca enquanto conversava com uma mulher que, segundo a mídia britânica, tentou intervir para prevenir mais derramamento de sangue. O jornal Daily Telegraph a identificou como Ingrid Loyau-Kennett, 48 anos, e disse que ela confrontou os suspeitos de matar o soldado, dizendo: "É só vocês contra muitas pessoas. Vocês vão perder."

Woolwich: Homem é morto em suposto ataque terrorista ao sul de Londres

O Ministério de Defesa do Reino Unido identificou o soldado morto como Lee Rigby, do 2º Batalhão do Regimento Real de Fuzileiros. Com 25 anos, Rigby era pai de Jack, de 2 anos, entrou para o Exército em 2006, primeiramente foi enviado ao Chipre e mais tarde serviu no Afeganistão e Alemanha. Ele assumiu um posto de recrutamento com o Exército em Londres em 2011.

AP
Foto sem data mostra Lee Rigby, soldado britânico que foi morto em ataque em Londres

Os dois homens suspeitos de assassinar de forma brutal o soldado já haviam constado em investigações anteriores feitas pelos serviços de segurança, afirmou nesta quinta-feira (23) uma autoridade britânica. Apesar da informação de que os dois suspeitos pelo ataque, cujo estado de saúde não foi revelado pelas autoridades, não está claro quão recente são as investigações ou qual sua relação com os outros dois presos.

Oficial: Suspeitos de ataque em Londres já haviam sido investigados

Os homens, suspeitos de retalhar o militar em folga perante transeuntes horrorizados, se gabavam de sua atitude e alertavam para mais violência em imagens gravadas nos celulares das testemunhas. Segurando facas e um facão de açougue, eles aparentemente aguardaram a chegada da polícia, que disparou contra suas pernas, de acordo com um transeunte que tentou salvar o soldado.

O premiê britânico, David Cameron, prometeu que o Reino Unido não se acovardaria pelas cenas de violência e que rejeitaria "a narrativa venenosa do extremismo na qual essa violência se alimenta". De fato, houve poucos sinais de alarme na capital, que já foi atingida por ataques terroristas durante uma longa confrontação com o IRA e mais recentemente por ataques inspirados na Al-Qaeda.

Premiê: Reino Unido jamais cederá ao terror, diz Cameron após ataque em Londres

Ainda assim, a segurança foi reforçada nos quartéis militares da capital, com guardas armados em muitos casos. O ataque de quarta-feira aconteceu perto de um quartel militar no bairro de Woolwich, sul de Londres.

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Autoridades de segurança têm se preocupado com o recente aumento de homens buscando treinamento e oportunidades de combate em países como Síria, Somália e Iêmen. Há relatos de que dezenas de britânicos e britânicas se radicalizaram pelo clérigo militante nascido nos EUA Anwar al-Awlaki, que foi morto por um ataque de drone dos EUA em 2011 no Iêmen.

*Com AP

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