Obama discursará sobre uso de drones após revelação de morte de americanos

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Em meio a escândalos envolvendo seu governo, presidente deve tratar também sobre o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, promessa antiga de campanha

O presidente Barack Obama deverá falar, durante seu discurso na Universidade de Defesa Nacional nesta quinta-feira (23), sobre o uso mortal de aviões não tripulados (drones) contra suspeitos de terrorismo, fazer valer a promessa de fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba; e alertar americanos sobre as ameaças que eles continuam a enfrentar - mesmo de cidadãos do próprio país.

Secretário de Justiça: Aviões não tripulados mataram quatro americanos

AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, faz pausa durante coletiva na Casa Branca, Washington

Discussão: Reformulação de base legal para uso de 'drones' tem poucos efeitos práticos

Na véspera do discurso de quinta-feira na Universidade de Defesa Nacional, o governo Obama revelou pela primeira vez que quatro cidadãos americanos foram mortos em ataques com drones secretos fora do país. Em uma carta para líderes do Congresso obtida pelo jornal New York Times, o secretário de Justiça americano, Eric H. Holder, revelou que o governo deliberadamente matou Anwar al-Awlaki, um muçulmano radical que foi morto em um ataque em setembro de 2011 no Iêmen.

A responsabilidade dos EUA na morte de Awlaki foi amplamente reportada, mas o governo até agora havia se recusado a confirmá-la ou negá-la.

Sob críticas: Obama promete ação contra três controvérsias que afetam governo

A carta também disse que os EUA mataram outros três americanos: Samir Khan, morto no mesmo ataque; Abdulrahman al-Awlaki, filho de Awlaki também morto no Iêmen; e Jude Mohammed, morto em um ataque no Paquistão. "Esses indivíduos não eram um alvo específico dos EUA", escreveu Holder na carta.

É esperado que, no discurso, Obama reafirme as prioridades da segurança nacional - de terroristas domésticos aos drones, passando pelos combatentes inimigos presos nem Guantánamo - mas não faça nenhum anúncio de mudança nas políticas.

Medida: EUA divulgam documentos sobre ataque que matou embaixador na Líbia em 2012

Receita: Holder ordena investigar avaliação fiscal adicional de grupos conservadores

Polêmica: EUA obtêm secretamente registros telefônicos de agência de notícias

A Casa Branca deu poucas pistas sobre como o presidente responderá questões que cercam sua administração há anos, que, segundo críticos, enviam aos aliados estrangeiros sinais confusos sobre as intenções dos EUA em algumas das regiões mais voláteis do mundo.

Obama tentará reorientar o público, cada vez mais apático em relação às questões de segurança, enquanto seu governo enfrenta uma série de controvérsias decorrentes do ataque a um complexo dos EUA em Benghazi, na Líbia, da avaliação fiscal adicional de grupos conservadores e do monitoramento de repórteres feito pelo governo.

Infográfico: Relembre os primeiros quatro anos de Obama no poder

A palestra marcada para 15h (horário de Brasília) em Washington, destina-se, em parte, a reforçar o apoio de Obama às liberdades civis, após recentes críticas de que seu governo é fechado e rigoroso com os adversários. O discurso também vai abordar a pressão internacional e interna sobre as políticas de combate ao terrorismo.

A utilização de aeronaves não tripuladas, chamadas de drones, contra os extremistas aumentou as tensões com países como o Paquistão, e atraiu críticas de ativistas de direitos humanos dentro dos EUA.

O não cumprimento da promessa de campanha de 2008 de fechar a prisão de Guantánamo tem sido destacado por uma greve de fome de mais de 100 detentos, dos quais muitos estão sendo alimentados à força para não morrer.

Sob pressão de greve de fome: Obama promete novo impulso para fechar Guantánamo

Desafio: Obama enfrenta 'maldição' do segundo mandato

A Casa Branca, que tem enfrentado dificuldades para responder aos escândalos que dominaram a cobertura da mídia por vários dias, assinalou que Obama vai discutir o "fechamento definitivo" da prisão ao delinear uma estratégia ampla de combate ao terrorismo para enfrentar as ameaças que mudaram desde os ataques de 11 de setembro de 2001.

"O presidente está considerando uma gama de opções de forma que possamos reduzir a população (de Guantánamo) e avançar para o fechamento final. Algumas opções podemos decidir por conta própria, mas algumas exigirão trabalhar com o Congresso", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, na quarta-feira.

Com AP e Reuters

Leia tudo sobre: obamaeuadroneguantánamo

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas