Explosão simultânea de carros-bomba deixa 26 mortos no Níger

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Entre os mortos estão cinco suicidas, que atacaram um acampamento militar e uma mina de urânio operada pela francesa Areva em retaliação à intervenção da França no Mali

Suicidas no Níger detonaram dois carros-bomba simultaneamente neste quinta-feira, um dentro de um acampamento militar em Agadez, maior cidade do norte do Níger, e outro em uma mina de urânio operada por uma empresa francesa  na cidade de Arlit, deixando ao menos 26 mortos e 30 feridos, disseram autoridades no Níger e na França.

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AP
Foto sem data fornecida pela companhia nuclear francesa Areva mostra parte da mina de urânio de Arlit, alvo de ataque no norte do Níger

Um militante que sobreviveu tomou um grupo de soldados como reféns, e autoridades tentam negociar sua libertação. Os incidentes mostram que a ação de militantes islâmicos está se espalhando pela África Ocidental.

O momento dos ataques, que aconteceram ao mesmo tempo, e o fato de os responsáveis terem conseguido entrar em uma instalação de alta segurança e na mina de operação estrangeira Somair, destacam o crescente alcance e a sofisticação dos extremistas islâmicos com base no vizinho Mali. Os jihadistas malinenses prometeram vingar uma intervenção liderada pela França que os expulsou de cidades no norte do Mali.

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Ambos os ataques foram reivindicados por um subgrupo dissidente do braço local da Al-Qaeda, o Movimento pela Unidade e Jihad na África Ocidental (ou Mujao), disse a rádio francesa RFI. No ano passado, o Mujao dominou parte do vizinho Mali antes de ser expulso por forças francesas.

O maior número de mortos foi na cidade desértica de Agadez, localizada a quase 1 mil km a nordeste da capital, onde os militantes atravessaram com seu carro cheio de explosivos as defesas de uma guarnição militar e o detonaram dentro da base, matando 20 soldados e ferindo outros 16, disse o ministro da Defesa do níger, Mahamadou Karidjo, na capital Niamey. Três suicidas também morreram, mas um quarto escapou e capturou um grupo de cadetes, disse o ministro do Interior Abdou Labo.

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A cerca de 240 km a nordeste de Agadez, uma dupla de suicidas entraram na mina de urânio operada pela gigante nuclear francesa Areva, ferindo 14 empregados, um dos quais morreu posteriormente. Os dois suicidas também morreram, de acordo com uma declaração da companhia, o Ministério da Defesa e testemunhas.

Quando a França usou aviões e tropas de combate terrestre para o Mali, os extremistas prometeram retaliar não apenas contra os interesses franceses no mundo, mas também contra governos africanos que a ajudaram. O Níger enviou 650 soldados para ajudar a França.

A afiliada da Al-Qaeda na África e grupos aliados capturaram o norte do Mali em abril do ano passado. Eles avançaram nas grandes cidades, estabelecendo suas próprias administrações. Mas por quase um década antes disso, eles já se sentiam em casa no Mali, usando sua remota região sem lei do norte para treinar combatentes e para manter reféns europeus que haviam sequestrado - incluindo muitos do Níger.

*Com Reuters e AP

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