Aviões não tripulados mataram quatro americanos, diz secretário de Justiça

Por iG São Paulo |

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Afirmação é o 1º reconhecimento formal de que cidadãos dos EUA foram atingidos por drones no Iêmen e Paquistão. Segundo Holder, radical Awlaki foi alvo deliberado do governo

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Imagem de vídeo mostra Anwar al-Awlaki em novembro de 2010. Radical foi morto em ataque de drone em 2011

Um dia antes de o presidente Barack Obama fazer um grande discurso sobre segurança nacional, seu governo reconheceu formalmente nesta quarta-feira que os EUA mataram quatro cidadãos americanos em ataques de aviões não tripulados (drones) no Iêmen e Paquistão.

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Em uma carta para líderes do Congresso obtida pelo New York Times, o secretário de Justiça americano, Eric H. Holder, revelou que o governo deliberadamente matou Anwar al-Awlaki, um muçulmano radical que foi morto em um ataque em setembro de 2011 no Iêmen.

A responsabilidade dos EUA na morte de Awlaki foi amplamente reportada, mas o governo até agora havia se recusado a confirmá-la ou negá-la.

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A carta também disse que os EUA mataram outros três americanos: Samir Khan, morto no mesmo ataque; Abdulrahman al-Awlaki, filho de Awlaki também morto no Iêmen; e Jude Mohammed, morto em um ataque no Paquistão. "Esses indivíduos não eram um alvo específico dos EUA", escreveu Holder na carta.

Apesar de rumores sobre a morte de Mohammed terem aparecido em notícias locais em Raleigh, Carolina do Norte, onde ele vivia, sua morte não havia sido confirmada pelos EUA até esta quarta.

De acordo com conhecidos de Mohammed na Carolina do Norte, ele parece ter sido morto em um ataque lançado por um drone no Waziristão do Sul, área tribal paquistanesa, em novembro de 2011. Sua mulher, que conheceu e com a qual se casou no Paquistão, subsequentemente ligou para a mãe dele no Estado para avisá-la da morte, disseram amigos.

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Secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, dá coletiva em Washington em 14 de maio

Holder, em um discurso na Faculdade de Direito da Universidade de Northwestern no ano passado, esboçou o pensamento legal do governo de que cidadãos americanos vistos como terroristas operacionais, que representam uma "ameaça iminente de ataque violento" e cuja captura é inviável, devem ser alvo de ataques. Esse pensamento legal abstrato - incluindo a ampla definição do que seria "iminente" - foi largamente detalhado em um documento confidencial entregue ao Congresso no ano passado, que foi vazado no início deste ano.

Mas a carta de Holder foi além na discussão da morte de Awlaki em particular. Ele disse que não foram as palavras de Awlaki conclamando ataques violentos contra americanos que levaram os EUA a persegui-lo, mas sua ação direta no planejamento dos ataques.

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Holder alegou que Awlaki não apenas "planejou" a tentativa de explodir um avião que ia para Detroit em 25 de dezembro de 2009, alegação que tem sido amplamente debatida em documentos judiciais e em outros âmbitos, mas também "desempenhou um papel-chave" em uma conspiração de outubro de 2010 de atacar aviões de carga com rota para os EUA, incluindo "participando do desenvolvimento e teste" das bombas.

“Além disso, informação que continua confidencial para proteger fontes e métodos sensíveis evidencia o envolvimento de Awlaki no planejamento de várias outras conspirações contra os EUA e interesses ocidentais e deixa claro que ele continuava a planejar ataques quando foi morto", escreveu Holder, acrescentando: "A decisão de ter Anwar al-Awlaki como alvo estava dentro da lei, foi ponderada e justa."

Obama anunciou a morte de Awlaki em 30 de setembro de 2011, dando o crédito às agências de inteligência dos EUA, mas ele não explicitamente reconheceu que Awlaki foi morto por um ataque americano.

*Com New York Times

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