Assembleia venezuelana rejeita investigar denúncias de corrupção

Por Reuters | - Atualizada às

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Gravação supostamente protagonizada por comentarista chavista - que anunciou fim de seu programa na terça - cita corrupção cambial, disputas internas e entrega de armas a civis

Reuters

A Assembleia Nacional venezuelana rejeitou na terça-feira um pedido da oposição para investigar várias acusações de corrupção e complô envolvendo o governo de Nicolás Maduro, que vieram à tona em uma gravação supostamente protagonizada por um influente comentarista chavista.

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AP
Legislador da oposição Ismael García (C) fala durante coletiva sobre denúncias de corrupção relativas a governo de Nicolás Maduro (20/05)

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Na conversa, interlocutores identificados pela oposição como sendo o apresentador de TV Mario Silva e um chefe da inteligência cubana em Caracas citam vários casos de corrupção cambial, disputas internas de poder e entrega de armas militares a civis.

O presidente da Assembleia venezuelana, Diosdado Cabello, figura como uma das principais autoridades citadas na gravação. Em seu programa de segunda-feira à noite na TV pública, Silva disse que sua voz foi usada numa "montagem" e em seguida anunciou a suspensão da atração, alegando razões de saúde.

"Cada um que se defenda", disse Cabello, qualificando as acusações da oposição como "fofocas, histórias e invenções" e garantindo que seus inimigos valem menos que "moscas" no lixo.

A conversa atribuída a Silva acusa Cabello de usar empresas de fachada para burlar o rigoroso controle cambial do governo com a ajuda de um ex-presidente da comissão que administra a entrega de dólares a preços oficiais.

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A gravação aborda também outros temas, dos quais alguns a oposição há anos denuncia, sem resposta das autoridades: ingerência cubana, distribuição de armas sem controle e tráfico de influências depois da morte do presidente Hugo Chávez, em março.

"As confissões de Mario Silva revelam um país severamente doente. Quantos relatórios o governo cubano filtrou?", disse o deputado Andrés Velásquez, que conseguiu discursar na terça-feira, um dia depois de a oposição ter tido a palavra cassada por Cabello.

A procuradoria disse na terça que não recebeu as denúncias sobre a suposta conversa, mas a oposição assegura ter outra gravação para divulgar nos próximos dias.

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Maduro, cujo governo não é ainda reconhecido pela oposição após a contestada eleição de abril, desqualificou seus detratores, na primeira reação pública à gravação.

"Abordo isso porque sou responsável de que essa revolução continue seu caminho", disse ele, chamando de "lixo" o deputado que apresentou a gravação e recorrendo ao apelo de "unidade" do chavismo em meio ao escândalo.

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