Ahmadinejad critica exclusão de aliado da eleição presidencial do Irã

Por iG São Paulo |

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Atual presidente afirmou que decisão do Conselho Guardião é um ato de 'opressão' e que ele levará o caso ao líder supremo do país aiatolá Ali Khamenei

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou na quarta-feira (22) que a decisão dos observadores eleitorais de impedir que seu principal assessor concorra à presidência nas eleições do mês que vem é um ato de "opressão" e que ele levará o caso ao líder supremo do país aiatolá Ali Khamenei.

Decisão: Ex-presidente e aliado de Ahmadinejad são impedidos de disputar eleição no Irã

NYT
Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, participa de coletiva no Cairo (5/2)

Mashaei: Herdeiro de Ahmadinejad, candidato no Irã enfrenta oposição dos clérigos

Seus comentários foram publicados em seu site, presidente.ir, um dia depois que o Conselho Guardião barrou a candidatura de Esfandiar Rahim Mashaei. Apesar da promessa de apelação feita por Ahmadinejad, é improvável que o Conselho Guardião tenha tomado a decisão sem o endosso do líder supremo. O conselho permitiu apenas oito candidatos, a maioria deles, apoiados pelos clérigos.

Ahmadinejad: Presidente do Irã muda de tática para garantir sobrevivência após eleições

A decisão foi um duro golpe para Ahmadinejad, que esperava ter um aliado na sucessão. Ele não pode concorrer na eleição de 14 de junho, pois a constituição iraniana permite apenas dois mandatos. "Eu acredito que o direito de um homem oprimido não será detonado nesse nível em um país onde existe Velayet-e-Faqih", teria dito Ahmadinejad, fazendo referência ao sistema de governo iraniano, no qual um clérigo serve como líder supremo e é a autoridade final em todas as questões do Estado.

Ahmadinejad diz ter respeito a Khamenei, embora suas tentativas de desafiar o líder supremo em 2011 tenham o prejudicado entre os conservadores que anteriormente o apoiavam, e marcou o início de seu declínio político. O presidente disse que Mashaei é um "homem piedoso, justo e competente". Ele disse que tentaria uma apelação "junto ao líder até o último momento e espero que o problema seja resolvido".

O presidente iraniano apoiou fortemente o seu protegido, mas Mashaei não agrada os conservadores linha-dura, por causa do suposto papel que teve na amarga disputa entre Ahmadinejad e os clérigos. Eles o denunciaram como parte de uma "corrente desviada" que tenta prejudicar o sistema islâmico do país - o que tornava sua aprovação para as urnas altamente improvável.

O Conselho Guardião também barrou o ex-presidente Akbar Hashemi Rafsajani, um político de centro que desejava realizar reformas. Rafsanjani é um dos fundadores da Revolução Islâmica de 1979 que levou os clérigos ao poder. Ele era um dos mais próximos confidentes de aiatolá Ruhollah Khomeini, líder espiritual da revolução. Até mesmo Khamenei deve a Rafsanjani sua atual posição.

AP
Candidatos do Irã (sentido horário): A Mohammad Gharazi, Mohsen Rezaei, Mohammad Bagher Qalibaf, Gholam Ali Haddad Adel, Saeed Jalili, Ali Akbar Velayati e Hasan Rowhani

Sua rejeição desmoralizou os grupos pró-reforma e aumenta as chances de que um aliado de Khamenei ganhe as eleições no país. Mas a retirada dos principais desafiantes aos candidatos linha-dura diminui a esperança de uma alta taxa de comparecimento.

Figuras proeminentes pediram que Khamenei reveja a decisão do Conselho Guardião. Zahra Mostafavi, filha de Khomeini, disse que a decisão apenas provoca maiores rupturas entre Khamenei e Rafsanjani, antes aliados.

Com AP

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