Após tornado em Oklahoma, pais desesperados procuram seus filhos

Por AP | - Atualizada às

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Ventos de até 320 km/h atingiram escolas primárias. Do lado de fora de igreja, pais aguardam ansiosamente informações sobre os sobreviventes

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Pais e familiares permaneceram do lado de fora de uma igreja no subúrbio de Oklahoma City escutando atentamente, enquanto um homem com um megafone anunciava o nome das crianças que haviam sido resgatadas dos destroços, sobrevivendo a um mortal tornado que atingiu o local na segunda-feira.

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Para muitas famílias em Moore, o calvário chegava ao fim entre abraços e lágrimas de alegria. Para outros, que foram deixados aguardando na escuridão, esperar boas notícias era a única alternativa para quem tinha a expectativa do pior.

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Mulher carrega criança perto dos destroços da escola primária Plaza Towers em Moore, Oklahoma (20/5)

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crianças entre os dezenas de mortos até agora em Moore, um subúrbio de Oklahoma City arrasado pela passagem de um tornado com ventos que chegaram a 320 km/h e que destruíram duas escolas primárias. Equipes de resgate eram vistas trabalhando até depois da meia noite em um desses colégios, procurando por sobreviventes nos destroços.

Na igreja onde as crianças sobreviventes eram levadas, pais demonstravam preocupação enquanto aguardavam, alguns segurando pela mão irmãos mais novos dos desaparecidos.

Tonya Sharp e Deanna Wallace sentaram em uma mesa no ginásio da Igreja esperando por suas filhas adolescentes. Enquanto Tonya e Deanna conversavam, uma fila de estudantes adentraram o local.

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Deanna viu sua filha de 16 anos, que entrou rapidamente no local e pulou nos braços da sua mãe. Mas Tonya não teve o mesmo encontro com sua filha de 17 anos, que sofre de epilepsia. Ela estava preocupada que sua filha podia não ter tomado seus remédios.

"Eu não sei onde ela está", disse Tonya. Depois, ela foi falar com autoridades que ajudaram-na a se registrar para que fosse notificada assim que a menina fosse encontrada.

Murrey Evans ficou em casa depois do trabalho para estar próximo da escola de seus filhos, pois sabia que novas tempestades se aproximavam. "Eu sabia que eles estavam falando sobre um tornado", disse Evans em uma entrevista por telefone. "Você meio que pensa sobre essas coisas e se planeja antes da hora. As pessoas ficam muito atentas em relação à meteorologia."

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Quando o tornado atingiu o local, Evans correu para a escola primária Oakridge, onde seu filho de 9 anos, Conrad, e sua filha de 7 anos, Lexi, estudam. Ele disse que uma longa fila de pais se formou para buscar suas crianças. Eles conseguiram chegar em casa, mas não antes do tornado se aproximar.

"Meu filho ficou aterrorizado", disse.

Shelli Smith teve que andar quilômetros para encontrar seu filho. Ela conseguiu buscar sua filha de 14 anos, Tiauna, por volta das 17h de segunda-fera, mas até então não havia encontrado TJ, seu filho de 16 anos, desde que ele havia saído para a escola na segunda-feira de manhã.

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O telefone de TJ estava sem serviço, mas ele pegou emprestado um aparelho de um colega de classe para informar sua mãe sobre o local em que estava. Entretanto, Shelli não conseguiu alcançá-lo devido aos bloqueios nas estradas. Então, ela estacionou seu carro e andou alguns quilômetros.

Levou três horas, mas um pouco antes do pôr-do-sol, ela o encontrou. Ela afagou seu filho em um abraço apertado. A família teve que fazer todo o caminho de volta até chegar ao carro, para depois ir para a casa, mas ela disse que não se importou.

"Eu estava tentando buscar meu filho e eles não deixavam", disse, acrescentando: "Eu falava: 'Quer saber? Eu vou buscar o meu filho'".

Renee Lee resumiu a luta de muitos pais que têm muitos filhos, para encontrar alguns enquanto acalmava os mais novos.

Veja imagens:

Foto aérea mostra destroços da Escola Primária Plaza Towers em Moore, Oklahoma. Foto: APFoto aérea mostra bairro destruído por passagem de tornado em Moore, Oklahoma (21/05). Foto: APSoldado caminha perto de destroços deixados por tornado que passou por Moore, Oklahoma (21/05). Foto: APRodney Heltcel (E) faz buscas em destroços de sua casa para encontrar fotos e outros itens insubstituíveis após passagem de tornado em Moore, Oklahoma (21/05). Foto: APMenino é retirado de destroços na escola primária Plaza Towers após tornado em Moore, Oklahoma (20/05). Foto: APMulher carrega criança perto dos destroços da escola primária Plaza Towers em Moore, Oklahoma (20/05). Foto: APHomem é visto em frente da escola infantil em Moore após um tornado mortal em Oklahoma, EUA (20/05). Foto: APTornado atravessa sul de Oklahoma City, nos EUA (20/05). Foto: APMulher observa os destroços que restaram de sua casa no sul de Oklahoma City (20/05). Foto: APJovem retira objetos dos escombros em Moore, Oklahoma (20/05). Foto: APCarros ficam amontoados em estacionamento de hospital em Moore (20/05). Foto: ReutersProfessores retiram alunos da escola primária de Briarwood (20/05). Foto: APFoto compara destruição de Moore após tornado em 1999 (esq.) e da mesma região atingida recentemente (dir.). Foto: APEnorme tornado causa destruição em Oklahoma City (20/05). Foto: GENE BLEVINS/REUTERS/Newscom

Renee é mãe de duas meninas, Sydnay Walker, 16 anos, e Hannah Lee, 8 anos. Quando o tornado chegou ao subúrbio, ela tentou buscar Sydney na escola. Sydney falou a ela por telefone que eles não a deixariam entrar. Enquanto Renee e sua filha mais jovem esperavam em sua casa, que não foi atingida, Sydney estava segura em uma das salas da escola de ensino médio local.

"Houve tantos tornados, que eu nem sequer fico assustada", disse. "Você tem que fazer o que deve fazer. É parte da vida aqui."

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