Série de ataques atinge Iraque e deixa ao menos 95 mortos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Explosões de carros-bomba e ataques a tiros em áreas xiitas e sunitas elevam para mais de 240 o número de mortos desde a semana passada e causam temores de nova guerra civil

Uma série de ataques com carros-bomba e tiroteios atingiu áreas sunitas e xiitas do Iraque nesta segunda-feira (20), deixando ao menos 95 mortos e levando para mais de 240 o número de vítimas fatais desde a semana passada, o que aumenta os temores do retorno de um amplo conflito sectário no país, informaram autoridades.

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AP
Iraquiana passa pelo local onde um carro-bomba explodiu no bairro xiita de Kamaliyah, a leste de Bagdá, Iraque

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Os ataques, alguns dos quais atingiram mercados e pontos de ônibus lotados no horário em que a maioria das vítimas se dirigia ao trabalho, foram os últimos no recente aumento da violência no Iraque tendo como alvo civis xiitas e sunitas.

Apesar de o banho de sangue ainda estar longe da escala e brutalidade dos dias negros de 2006 a 2007, quando as duas seitas muçulmanas lançaram ataques retaliatórios uma contra a outra, a violência recente aumenta os temores de que país possa se encaminhar novamente para uma guerra civil.

As tensões pioraram desde que a minoria sunita do Iraque começou a protestar contra os maus-tratos supostamente infligidos pelo governo xiita. As manifestações em massa, que começaram em dezembro, foram em sua maioria pacíficas, mas o número de ataques cresceu muito depois que as forças de segurança lançaram uma ofensiva contra um acampamento sunita no norte do Iraque em 23 de abril.

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A maioria xiita no Iraque, que foi oprimida pelo governo de Saddam Hussein, agora controla o poder no país. Desejando reconstruir a nação em vez de retornar a um estado de guerra, eles restringiram suas milícias nos últimos cinco anos, que foram alvo de grupos sunitas extremistas como a Al-Qaeda.

Mas o recrudescimento da violência em áreas xiitas e sunitas desde o mês passado alimenta preocupações de um retorno da guerra sectária. O pior parte da violência desta segunda-feira aconteceu em Bagdá, onde dez carros-bomba explodiram em feiras livres e em outras áreas de bairros xiitas, deixando ao menos 48 mortos e mais de 150 feridos.

"Por quanto tempo continuaremos a viver assim, com todas essas mentiras do governo?", questionou o residente de Bagdá Malik Ibrahim, 23 anos. "Todas vez que eles dizem que chegaram a uma solução, as explosões voltam mais fortes que antes." "Estamos fartos deles e não podemos mais tolerar isso."

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A cidade predominantemente xiita de Basra, no sul do Iraque, também foi atingida nesta segunda com dois carros-bomba - um do lado de fora de um restaurante e outro no principal ponto de ônibus da cidade -, deixando so menos 13 mortos e 40 feridos, de acordo com o porta-voz da polícia coronel Abdul-Karim al-Zaidi e o chefe da secretaria de saúde, Riadh Abdul-Amir.

Na cidade de Balad, a cerca de 80 km ao norte de Bagdá, um carro-bomba explodiu perto de um ônibus com peregrinos iranianos, matando 13 cidadãos do Irã e um iraquiano, disse um policial. Mais tarde, um carro-bomba atingiu fiéis xiitas quando deixavam uma mesquita em Hillah, cidade no sul do Iraque, deixando nove mortos e 26 feridos.

Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelos ataques, mas explosões em larga escala costumam ser uma marca registrada da franquia da Al-Qaeda no Iraque.

A violência também aconteceu em áreas sunitas, atingindo a cidade de Samarra (a norte de Bagdá) e a Província de Anbar, um reduto sunita no oeste do Iraque. Um carro-bomba estacionado em Samarra explodiu perto de uma reunião de milícias sunitas pró-governo que aguardavam do lado de fora de uma base militar para receber seus salários, deixando três mortos e 13 feridos, enquanto um homem armado em Anbar fez uma emboscada contra duas patrulhas da polícia perto da cidade de Haditha, deixando oito policiais mortos.

Também em Anbar, autoridades encontraram 13 corpos em uma região desértica, disseram autoridades. Os corpos, em que estavam oito policiais que haviam sido sequestrados por homens armados na sexta, foram executados com disparos na cabeça.

Com AP

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