Inquérito sobre telefonemas faz fontes relutarem em falar, diz presidente da AP

Por Reuters |

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Agência de notícias teve seus registros telefônicos investigados pelo governo americano no ano passado

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A apreensão dos registros telefônicos de jornalistas da Associated Press pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos está prejudicando a capacidade da agência em apurar notícias, disse o presidente da agência de notícias, Gary Pruitt, neste domingo (19).

AP
Tela de aparelho telefônico é vista em mesa da sucursal da Associated Press em Washington (13/05)

"Autoridades que normalmente falariam conosco e pessoas com quem falamos no curso normal da captação de notícias já estão nos dizendo estarem um pouco relutantes em falar com a gente", disse Pruitt no programa "Face the Nation", da rede CBS. "Eles temem serem monitorados pelo governo."

O Departamento de Justiça dos EUA disse à AP em 10 de maio que havia apreendido registros do período entre abril e maio de 2012 de mais de 20 linhas telefônicas da agência . A apreensão fazia parte de uma investigação sobre o vazamento para a mídia de um frustrado plano terrorista.

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"Cerca de uma centena de jornalistas usam estas linhas telefônicas como parte da captação de notícias", disse Pruitt. "E, ao longo dos dois meses de registros que eles recolheram, foram feitas milhares e milhares de ligações relacionadas à apuração de notícias."

A Casa Branca disse que o presidente Barack Obama soube sobre a apreensão dos registros pelo Departamento de Justiça por meio da imprensa e não tinha conhecimento prévio da ação. A administração de Obama está respondendo a preocupações sobre vários incidentes que levantam questões a respeito de sua transparência.

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Pruitt disse que o Departamento de Justiça alegou uma exceção a suas próprias regras, pelas quais seria obrigatório notificar a AP sobre a apreensão dos registros, dizendo que tal divulgação representava uma ameaça substancial à investigação.

"Mas eles não explicaram por que representaria, e não podemos entender por que representaria", disse Pruitt. "Nós nunca sequer tivemos a posse desses registros, eles estavam sob a posse de nossa empresa de serviços telefônicos e eles não poderiam ser violados."

Funcionários do governo disseram à Reuters que os registros telefônicos da AP eram apenas um elemento em uma extensa investigação em curso, conduzida pelo governo dos EUA, sobre vazamentos para a mídia sobre uma trama terrorista baseada no Iêmen para explodir um avião de passageiros norte-americano. A AP publicou matéria em 7 de maio de 2012 sobre a operação para frustrar o plano.

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