Série de explosões de carros-bomba deixam ao menos 16 mortos em Bagdá; propriedade de líder proeminente sunita é alvo de operação do Exército do país, segundo TV

Carros-bomba atngiram bairros xiitas na capital do Iraque e uma cidade do norte nesta quinta-feira (16) deixando ao menos 16 mortos, enquanto homens armados em Bagdá mataram o irmão de um legislador sunita, informaram autoridades.

Os ataques seguem uma onda de explosões na quarta-feira que também atingiram bairros xiitas, matando 33 e aumentando as preocupações em relação a um retorno da sangrenta violência sectária no Iraque.

Análise: Violência sectária pode levar à desintegração do Iraque

Civis inspecionam local atingido por carro-bomba em Bagdá, Iraque
AP
Civis inspecionam local atingido por carro-bomba em Bagdá, Iraque

NYT: Conflitos no Iraque evocam temores de nova guerra civil

Segundo a rede CNN, forças de segurança iraquianas invadiram uma fazenda na província de al-Anbar pertencente a um proeminente líder sunita tribal. Sheikh Ali Hatem al-Suleiman, emir das tribos de Dulaim, e outros dois líderes afirmaram à CNN que as forças de segurança tentavam prendê-lo quando realizaram a operação.

Ele foi fundamental para a criação do chamado "Exército do Orgulho e da Dignidade", uma força armada formada por tribos em Ramadi e em outros locais na província de Anbar. Cada tribo é responsável por seus próprios homens e ações. De acordo com Al-Suleiman, dezenas de soldados conseguiram prender três de seus fazendeiros.

Números: Abril foi mês mais sangrento no Iraque desde 2008, diz ONU

Contra xiitas: Ataques coordenados deixam 36 mortos no Iraque

Depois de combates entre as tropas do Exército e as forças tribais, os três fazendeiros foram libertados, segundo Al-Suleiman. "É isso. Basta é basta. Vamos atacar cada posto do Exército em Abbar se eles não retirarem suas forças da província imediatamente", disse ele a CNN.

Ataques em Bagdá

A polícia de Bagdá afirmou que o primeiro ataque desta quinta-feira atingiu um ponto de ônibus e táxi durante a manhã, quando a maioria dos moradores se encaminhava para o trabalho no subúrbio de Kamaliya. Três civis foram mortos e 14 ficaram feridos.

Contra sunitas: Confrontos entre tropas e manifestantes deixam 36 mortos no Iraque

No distrito de Chikok, dois civis foram mortos e 10 feridos quando um carro-bomba tentou atingiu uma patrulha da polícia que estava passando. Em Mosul, um homem-bomba chocou seu carro contra um posto do Exército, deixando dois soldados mortos e outros três feridos. O ataque ocorreu pouco depois que um carro-bomba em outra região de Mosul feriu dois civis.

No bairro de Baiyaa, na capital, homens armados mataram o irmão de um legislador sunita e feriram dois de seus guardas.

Explosões de carro-bomba: Ataques coordenados deixam 55 mortos no Iraque

Frente Al-Nusra: Grupo rebelde na Síria promete lealdade à Al-Qaeda

O aumento da violência ocorre em meio às crescentes tensões entre o governo xiita e a minoria sunita no Iraque, que reclama de ser tratada como segunda classe no país. Uma invasão violenta das tropas do governo a um acampamento de protesto no mês passado no norte do país provocou os mais recentes ataques.

Violência: Morte de soldados sírios no Iraque reflete que conflito se espalha por região

Dez anos após invasão americana: Novas ameaças sectárias alarmam Iraque

O primeiro-ministro xiita do Iraque, Nouri al-Maliki, culpou as tensões sectárias pelos últimos episódios de violência. "Temos que saber que o derramamento de sangue de hoje é fruto do ódio sectário e também resultado de um acirramento das tensões sectárias", disse al-Maliki em uma conferência do governo nesta quinta-feira, realizada para discutir sobre as atrocidades cometidas no governo Saddam Hussein (1979-2003).

Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelos atentados de quarta e quinta-feira, mas carros-bomba e ataques suicidas costumam ser uma marca da facção iraquiana da Al-Qaeda.

Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.