Nigéria envia tropas ao nordeste do país para combater extremistas

Por iG São Paulo |

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Militares do Exército, caminhões e veículos blindados adentraram os Estados de Adamawa, Borno e Yobo, todos em estado de emergência desde terça-feira

Soldados e equipamentos militares foram enviados à região nordeste da Nigéria para uma ofensiva contra extremistas islâmicos que travam uma sangrenta campanha guerrilheira no país. Jornalistas da agência Associated Press e moradores testemunharam a chegada de tropas do Exército, caminhões e veículos blindados entrando nos Estados de Adamawa, Borno e Yobo nos últimos dias.

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Reuters
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O envio de militares ocorre ao mesmo tempo em que o presidente Goodluck Jonathan declarou estado de emergência nesses locais, dando ao Exército poder adicional para efetuar prisões e ocupar construções que, supostamente, servem de abrigo para extremistas.

No momento, soldados terão que travar batalhas em um árido trecho de terra de 60 mil km² para derrotar os combatentes islâmicos. "Parece que há um esforço sistemático de insurgentes e terroristas em desestabilizar o Estado nigeriano e testar nossa determinação coletiva", disse Jonathan na terça-feira. Sob a lei da Nigéria, o presidente tem o poder de destituir políticos e instalar um governo interino em circunstâncias emergenciais.

O discurso proferido na terça pelo presidente ofereceu a visão mais clara da violência que assola o país, frequentemente subestimada por forças de segurança e funcionários do governo por causa de considerações políticas. Jonathan descreveu os ataques como uma "rebelião", em um ponto descrevendo como combatentes destruíram prédios do governo e "tomaram mulheres e crianças como reféns".

De 2009 a 2012: Boko Haram deixou quase mil mortos desde 2009, diz relatório

Desde 2010, os extremistas islâmicos se engajaram em tiroteios e ataques suicidas, ações que deixaram mais de 1,6 mil mortos, de acordo com contagem da Associated Press. Recentemente, o Exército do país disse que os militantes usam armas antiaéreas sobre caminhões para combater os soldados nigerianos, provavelmente tendo poder de fogo maior do que as forças de segurança nacionais.

Enquanto isso, a violência que coloca grupos étnicos diferentes uns contra os outros continua, com confrontos que deixam dezenas de mortos de uma só vez. Além disso, dezenas de policiais e agentes da agência de espionagem doméstica foram recentemente mortos por uma milícia.

Grande parte da violência tem sido vinculada à rede extremista conhecida como Boko Haram, que significa "a educação Ocidental é um sacrilégio" na língua hausa do norte da Nigéria. O grupo reivindica a libertação de seus membros e a adoção da sharia (lei islâmica) na multiétnica nação de 160 milhões de habitantes. Ele produziu diversos grupos associados, e analistas afirmam que seus membros contataram dois outros grupos vinculados à Al-Qaeda na África.

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A insurgência islâmica na Nigéria nasceu de um distúrbio liderado em 2009 por membros do Boko Haram em Maiduguri que terminou com uma repressão militar e policial que deixou 700 mortos. O líder do grupo morreu sob custódia policial em uma aparente execução. Desde 2010, os extremistas islâmicos se engajaram em tiroteios e ataques suicidas. Recentemente, porém, eles começaram a usar armas de potência militar, algumas das quais eles aparentemente roubaram de depósitos do Exército.

Apesar do posicionamento de mais soldados e policiais no norte da Nigéria, o fraco governo central do país tem sido incapaz de parar a matança. Enquanto isso, atrocidades violentas cometidas pelas forças de segurança contra a população civil local apenas alimenta o ódio na região.

No fim de abril, confrontos entre extremistas islâmicos e o Exército deixaram ao menos 187 mortos em Baga, outra cidade no Estado de Borno que fica às margens do Lago Chade. Testemunhas dizem que soldados enraivecidos com a morte de um militar atearam fogo em casas e mataram civis.

Com AP

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