Americano começa a cumprir pena em 'prisão especial', diz Coreia do Norte

Por iG São Paulo |

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Relatório da ONU obtido pela Reuters afirma que sanções financeiras aplicadas contra o país retardaram o desenvolvimento do programa nuclear

Um cidadão americano condenado a 15 anos de trabalhos forçados pela Coreia do Norte começou a cumprir sua pena em uma "prisão especial", informou a mídia estatal do país nesta quarta-feira (15).

Keneth Bae deu entrada na prisão na terça-feira, segundo informou a Agência de Notícias Central da Coreia em um curto comunicado. Nenhum outro detalhe foi fornecido sobre a prisão do americano em novembro, acusado por Pyongyang de tentar estabelecer uma base anti-governo no Norte. Dois especialistas sul-coreanos em leis da Coreia do Norte afirmaram não saber do que se trata essa "prisão especial".

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Reuters
Reprodução de vídeo divulgada por agência de notícia de Seul mostra retrato do cidadão americano Kenneth Bae

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Um acadêmico norte-coreano, usando informações forncedias pelo governo, afirmou à agência Associated Press (AP) no início da semana que Bae falou à sua família por telefone que não poderia recorrer da sua sentença e que eles deveriam pedir ao governo americano que pressione pela anistia. Segundo amigos, Bae morava em uma cidade fronteiriça na China e viajava com frequência para a Coreia do Norte para trabalhar como guia turístico e para alimentar orfãos.

Ao menos outros cinco americanos estão detidos na Coreia do Norte desde 2009. Os outros eventualmente tiveram permissão para deixar o país sem cumprir suas sentenças após o pedido de autoridades americanas, incluindo ex-presidentes como Bill Clinton e Jimmy Carter. O jovem líder Kim Jong-un tem o poder de conceder perdões de acordo com a constituição norte-coreana.

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Washington pediu a libertação de Bae, mas não há sinais até o momento de que um enviado norte-americano de alta patente viaje para a Coreia do Norte para negociar. O grupo de direitos humanos Anistia Internacional condenou a falta de acesso de Bae à defesa. Pyongyang afirma que ele confessou o crime e não queria um advogado presente durante sua sentença.

Recentemente, a Coreia do Norte divulgou diversos comunicados sobre Bae e analistas estrangeiros afirmaram que Pyongyang provavelmente está usando sua prisão como moeda de troca para conquistar concessões diplomáticas em relação ao seu programa nuclear. A Coreia do Norte nega essa informação.

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Os comunicados foram divulgados em um momento de relativo relaxamento nas tensões na península coreana. Março e abril foram marcados por intensa retórica e ameaças da Coreia do Norte contra Washington e Seul após as sanções da ONU pelo teste nuclear realizado pelo país em fevereiro. Seul afirmou que daria uma resposta rígida caso fosse atacada.

Sanções e o programa nuclear

De acordo com um relatório confidencial da ONU a qual a agência Reuters teve acesso, as sanções financeiras cada vez mais rigorosas, o embargo armamentista e outras restrições internacionais ao comércio retardaram significamente a expansão do programa nuclear norte-coreano.

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O novo relatório anual do grupo encarregado de monitorar as sanções da ONU sai num momento em que os EUA tentam convencer a China de que aplicar sanções econômicas e políticas a Pyongyang é a única forma de interromper a produção ilícita de armas atômicas.

"Embora a imposição de sanções não tenha suspendido o desenvolvimento de programas nucleares e de mísseis balísticos, ele adiou consideravelmente o cronograma e, por meio da imposição de sanções financeiras e das proibições ao comércio de armas, sufocou um financiamento significativo que teria sido canalizado para suas atividades proibidas", disse o grupo em seu relatório de 52 páginas.

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O documento abrange um período que vai até o mês passado, segundo diplomatas, então é cedo demais para mensurar o efeito da nova rodada de sanções adotada em março pela ONU. No relatório enviado ao comitê de sanções do Conselho de Segurança da ONU, os especialistas recomendam também incluir três entidades norte-coreanas e 12 indivíduos na lista de sanções. Cabe aos 15 países do Conselho acatarem ou não a recomendação.

As três entidades citadas são o recém-criado Ministério da Indústria da Energia Atômica, o Departamento da Indústria de Munições do Partido Comunista local, e o Departamento Estatal de Desenvolvimento Estatal. Os indivíduos citados incluem o ministro da Energia Atômica, ainda por ser nomeado, e quatro dirigentes do órgão partidário ligado à indústria de munições. O texto recomenda também sanções a um cidadão casaque e dois ucranianos suspeitos de envolvimento em transações militares com a Coreia do Norte.

Com AP e Reuters

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