Presidente da Nigéria declara estado de emergência em três Estados

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Admitindo que extremistas islâmicos controlam parte das vilas e cidades do maior país da África, líder promete enviar mais soldados para combater o que chamou de rebelião aberta

Admitindo que os extremistas islâmicos agora controlam parte das vilas e cidades da Nigéria, o presidente Goodluck Jonathan declarou nesta terça-feira estado de emergência no nordeste do país, prometendo enviar mais soldados para combater o que caracterizou como uma rebelião aberta.

Dia 7: Ataques de extremistas deixam 55 mortos no nordeste da Nigéria

Reuters
Policial nigeriano inspeciona local para colher evidência em Bama, Estado de Borno, após ataque de extremistas islâmicos (07/05)

Fevereiro: Mulheres da equipe de vacinação contra pólio são mortas na Nigéria

Em pronunciamento ao vivo nas rádios e TVs nigerianas, Jonathan alertou que qualquer construção suspeita de abrigar extremistas islâmicos seria invadida no que descreveu como "guerra" que confronta a nação mais populosa da África. Entretanto, não está claro o que os poderes emergenciais farão para impedir a violência, já que um esforço similar anterior fracassou em pôr fim ao banho de sangue.

"Parece que há um esforço sistemático de insurgentes e terroristas em desestabilizar o Estado nigeriano e testar nossa determinação coletiva", disse. Segundo ele, a ordem estará em vigor nos Estados de Adamawa, Borno e Yobe, que receberão mais soldados sem que sejam retirados de seus cargos políticos locais. Sob a lei da Nigéria, o presidente tem o poder de destituir políticos e instalar um governo interino em circunstâncias emergenciais.

O discurso do presidente ofereceu a visão mais clara da violência que assola o país, frequentemente subestimada por forças de segurança e funcionários do governo por causa de considerações políticas. Jonathan descreveu os ataques como uma "rebelião", em um ponto descrevendo como combatentes destruíram prédios do governo e "tomaram mulheres e crianças como reféns".

"Algumas partes do Estado de Borno estão sob o controle de grupos cuja aliança são com bandeiras diferentes da nigeriana", afirmou. Posteriormente, ele acrescentou: "Essas ações representam uma declaração de guerra e são uma tentativa deliberada de minar a autoridade do Estado nigeriano e ameaçar sua integridade territorial. Como um governo responsável, não toleraremos isso."

Desde 2010, os extremistas islâmicos se engajaram em tiroteios e ataques suicidas, ações que deixaram mais de 1,6 mil mortos, de acordo com contagem da Associated Press. Recentemente, o Exército do país disse que os militantes usam armas antiaéreas sobre caminhões para combater os soldados nigerianos, provavelmente tendo poder de fogo maior do que as forças de segurança nacionais.

Enquanto isso, a violência que coloca grupos étnicos diferentes uns contra os outros continua, com confrontos que deixam dezenas de mortos de uma só vez. Além disso, dezenas de policiais e agentes da agência de espionagem doméstica foram recentemente mortos por uma milícia.

De 2009 a 2012: Boko Haram deixou quase mil mortos desde 2009, diz relatório

Grande parte da violência tem sido vinculada à rede extremista conhecida como Boko Haram, que significa "a educação Ocidental é um sacrilégio" na língua hausa do norte da Nigéria. O grupo reivindica a libertação de seus membros e a adoção da sharia (lei islâmica) na multiétnica nação de 160 milhões de habitantes. Ele produziu diversos grupos associados, e analistas afirmam que seus membros contataram dois outros grupos vinculados à Al-Qaeda na África.

Abubakar Shekau: Líder de facção islâmica desafia presidente da Nigéria em vídeo

AP
Imagem de celular mostra garota em meio a ruínas incendiadas de Baga, Nigéria (21/04)

A insurgência islâmica na Nigéria nasceu de um distúrbio liderado em 2009 por membros do Boko Haram em Maiduguri que terminou com uma repressão militar e policial que deixou 700 mortos. O líder do grupo morreu sob custódia policial em uma aparente execução. Desde 2010, os extremistas islâmicos se engajaram em tiroteios e ataques suicidas. Recentemente, porém, eles começaram a usar armas de potência militar, algumas das quais eles aparentemente roubaram de depósitos do Exército.

Apesar do posicionamento de mais soldados e policiais no norte da Nigéria, o fraco governo central do país tem sido incapaz de parar a matança. Enquanto isso, atrocidades violentas cometidas pelas forças de segurança contra a população civil local apenas alimenta o ódio na região.

No fim de abril, confrontos entre extremistas islâmicos e o Exército deixaram ao menos 187 mortos em Baga, outra cidade no Estado de Borno que fica às margens do Lago Chade. Testemunhas dizem que soldados enraivecidos com a morte de um militar atearam fogo em casas e mataram civis.

*Com AP

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas