Trabalhos de busca terminam em prédio de Bangladesh com 1.127 mortos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Trabalhos chegam ao fim no mesmo dia em que grandes marcas ocidentais de roupas adotam plano que exigirá sua ajuda para melhorias em fábricas do país asiático

Grandes marcas ocidentais adotaram nesta segunda-feira um plano de segurança que requererá sua ajuda para pagar melhorias nas fábricas de Bangladesh enquanto as buscas pelas vítimas do pior acidente da indústria do vestuário terminaram com o número de mortos em 1.127. Cerca de 2,5 mil foram resgatados do Rana Plaza, em Savar, um subúrbio comercial da capital Daca após o desabamento de 24 de abril. Muitos dos resgatados sofreram ferimentos graves.

Sexta: Mulher é encontrada viva 17 dias após desabamento em Bangladesh

AP
Costureira Reshma Begum, 19, que passou 17 dias sob os escombros de prédio que ruiu em Bangladesh é vista em hospital em Savar, perto de Daca

NYT: Esforço para resgatar mulher foi esperança na tragédia de Bangladesh

O governo de Bangladesh também concordou em permitir que operários do setor formem sindicatos sem a permissão dos proprietários das fábricas. A decisão foi tomada um dia depois de ter anunciado um plano para aumentar o salário mínimo na indústria.

O colapso da fábrica de oito andares de Rana Plaza, que abrigava cinco fábricas de roupa, chamou a atenção mundial para as terríveis condições da indústria do vestuário em Bangladesh, na qual operários costuram roupas de baixo custo que terminam nas prateleiras de lojas de todo o mundo, incluindo dos EUA e da Europa Ocidental.

A gigante do varejo sueca H&M, a maior compradora de produtos de Bangladesh, e a britânica Primark Stores anunciaram que aceitaram um plano vinculante de segurança e incêndio elaborado por grupos trabalhistas internacionais e do país asiático. O plano estabelecerá um inspetor independente para fiscalizar as fábricas, com poderes para fechar as instalações não seguras e para requerer renovações pagas parcialmente pelas varejistas ocidentais.

Na berlinda: Empresas ocidentais ficam sob pressão por desabamento em Bangladesh

O acordo foi assinado previamente também pela PVH, proprietária das marcas Tommy Hilfiger e  Calvin Klein, e pela varejista alemã Tchibo. Outros se recusaram a assinar porque, disseram, o plano era legalmente vinculante e custoso.

As condições de trabalho no setor de US$ 20 bilhões de Bangladesh, que fornece a varejistas em todo o mundo e corresponde a 80% da exportações do país, são péssimas, um resultado da corrupção governamental, do desespero por empregos e da indiferença da indústria. Bangladesh tem 5 mil fábricas de roupas e 3,6 milhões de funcionários. O país é terceiro maior exportador de vestuário do mundo, atrás da China e da Itália.

Drama: Garota que ficou sob escombros por 4 dias 'esperava a morte'

O país é popular como fonte de vestimentas amplamente por causa de sua mão de obra barata. O salário mínimo por trabalhador é de US$ 38 por mês, depois de ter quase dobrado neste ano após violentos protestos. De acordo com o Banco Mundial, a renda per capita de Bangladesh era de cerca de US$ 64 por mês em 2011.

Mohammed Amir Hossain Mazumder, vice-diretor dos bombeiros e da defesa civil, disse que as buscas pelos corpos no Rana Plaza foi paralisada na noite desta segunda. O último corpo foi retirado na noite de domingo. Um serviço religioso especial será feito na terça para honrar os mortos, disse o general do Exército Mohammad Siddiqul Alam Shikder.

Perfil: Dono de prédio que desabou em Bangladesh representa império do crime

O edifício Rana Plaza apresentou fissuras um dia antes de ruir e seu proprietário, Mohammed Sohel Rana, chamou o engenheiro Abdur Razzak Khan para inspecioná-lo. Khan apareceu na TV na noite do dia 23 e disse que o prédio deveria ser esvaziado. A polícia também emitiu uma ordem de retirada, mas testemunhas relataram que, horas antes do colapso, Rana disse às pessoas que o local era seguro, e os gerentes das fábricas disseram a seus funcionários para entrar.

AP
Soldado de Bangladesh é visto em local onde prédio com fábrica de roupas ruiu em Savar, perto de Daca

Negligência: Fábricas de Bangladesh ignoraram alerta de risco antes de desabamento

Rana e outras oito pessoas, incluindo donos de fábricas de roupas, foram presos na investigação e espera-se que o proprietário do prédio seja acusado de negligência, construção ilegal e de forçar os operários a trabalhar, crimes puníveis com a pena máxima de sete anos de prisão. Autoridades não disseram se algum crime mais sério será adicionada à lista de acusações. O engenheiro Khan também foi preso. Segundo a polícia, ele trabalhava como consultor de Rana com três andares adicionais foram acrescentados ao prédio.

Masood Reza, arquiteto cuja firma projetou o prédio como uma shopping em 2004, disse no dia 5 que o edifício não foi desenhado para ter pesados equipamentos industrias, sem falar nos três andares que foram adicionados ilegalmente após sua construção. O equipamento usado pelas cinco fábricas de roupas que ocupavam o Rana Plaza incluía pesados geradores que foram ligados pouco antes de o prédio desmoronar.

De acordo com o grupo internacional Fórum pelos Direitos Trabalhistas, ao menos 1,8 mil funcionários do setor do vestuário morreram desde 2005 em incêndios e colapsos de prédio em Bangladesh. Em novembro, um incêndio na fábrica Tazreen deixou 112 mortos. Na semana passada, oito morreram em um incêndio em uma fábrica, incidente que uma associação da indústria disse que pode ter sido criminoso.

*Com AP e Reuters

Leia tudo sobre: bangladeshdesabamentodesmoronamentodaca

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas