Próximo primeiro-ministro do Paquistão é islamita que deu a volta por cima

Por iG São Paulo |

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Deposto por golpe em seu 2º período no poder, Sharif voltou do exílio em 2007 e fez oposição que permitiu transferência democrática no sábado pela 1ª vez desde fundação do Paquistão

O homem que deve se tornar o próximo primeiro-ministro do Paquistão depois de eleições históricas no fim de semana poderia ser chamado de islamita que deu a volta por cima. Nawaz Sharif, 63, ficou nessa cargo por outras duas vezes antes, mas a última vez não acabou tão bem. Ele foi deposto em um golpe liderado pelo chefe do Exército em 1999 e enviado ao exílio na Arábia Saudita. Ele passou vários anos no Golfo antes de voltar ao Paquistão, em 2007.

Domingo: Nawaz Sharif deve formar governo forte após eleições no Paquistão

AP
Ex-primeiro-ministro paquistanês e líder do partido Liga-N Muçulmana, Nawaz Sharif, acena para partidários em Lahore (11/05)

Sábado: Ex-primeiro-ministro declara vitória em eleição no Paquistão

Depois de servir como o principal líder da oposição, Sharif voltou com tudo nas eleições de sábado, nas quais seu partido Liga-N Muçulmana conquistou uma ampla vitória. Seus partidários acreditam que seu histórico pró-empreendimentos e seus anos de experiência no governo o tornam a pessoa certa para lidar com os muitos problemas econômicos do país, como os crescentes cortes de energia, a inflação dolorosa e o desemprego disseminado. Ele também é o principal defensor da melhora das relações com a arqui-inimiga vizinha Índia, um passo que provavelmente daria um impulso à economia paquistanesa.

Os críticos temem que Sharif, que é conhecido por ser pessoalmente muito religioso, seja leve com o extremismo islâmico e não reprima os militantes que representam uma séria ameaça ao Paquistão e a outros países - os principais sendo os que pertencem à milícia islâmica do Taleban e aos grupos vinculados à Al-Qaeda.

Os EUA estão observando Sharif muito atentamente, já que Washington conta com a ajuda de Islamabad para combater os militantes islâmicos e para negociar um fim para a guerra no vizinho Afeganistão.

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Filho de um rico industrial da Província de Punjab, centro do país, Sharif começou na política como um pupilo do general Zia ul-Haq, que chegou ao poder em um golpe militar em 1977. Sharif foi primeiro-ministro de 1990 a 1993 e novamente de 1997 e 1999.

O segundo período de Sharif no poder foi encurtado quando ele foi destituído em um golpe militar e enviado ao exílio pelo general Pervez Musharraf, que na época servia como chefe de Exército. O golpe seguiu-se à tentativa de Sharif de demetir Musharraf ao evitar que seu avião pousasse quando ele retornava de uma viagem ao exterior.

Em uma virada irônica, Musharraf está atualmente sob prisão domiciliar no Paquistão depois de retornar de um exílio autoimposto e caberá ao governo de Sharif decidir impor contra ele acusações de traição.

Depois do golpe de 1999, Sharif passou sete anos no exílio antes de Musharraf relutantemente permitir que voltasse em novembro de 2007, aparentemente sob pressão do rei da Arábia Saudita, um importante aliado do Paquistão. A ex-premiê Benazir Bhutto também voltou do exílio na mesma época para concorrer ao Parlamento, mas ela foi morta em um ataque a tiros e suicida no fim de 2007, antes da eleição.

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Sharif também teve a intenção de concorrer na eleição de 2008, mas foi desqualificado por uma corte por causa de uma condenação sob acusações de terrorismo e sequestro relacionadas ao golpe de Musharraf. Sharif insistiu que a condenação tinha motivação política, e ela foi revogada pela Suprema Corte em 2009.

O partido de Sharif ficou em segundo na eleição parlamentar de 2008, atrás do Partido do Povo do Paquistão, de Bhutto. As duas legendas originalmente formaram um governo mas, depois de dois meses, partido de Sharif se tornou a principal oposição, acusando o viúvo de Bhutto, o presidente Asif Ali Zardari, de descumprir uma promessa de restituir juízes demitidos por Musharraf.

Sharif impôs uma constante pressão sobre o governo, mas nunca o suficiente para ameaçar sua posição de poder. A atitude ajudou a assembleia nacional a completar seu mandato de cinco anos e transferir o poder em eleições democráticas no sábado pela primeira vez desde a fundação do país, em 1947.

*Com AP

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