Teste confirma sequestrador como pai de menina nascida em cativeiro em Ohio

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Criança é filha de Amanda Berry, que ficou presa juntamente com Gina Dejesus e Michelle Knight por quase dez anos em casa descrita por promotor como 'câmara de tortura'

Testes confirmaram que o suposto sequestrador Ariel Castro, 52, é pai da menina de 6 anos que foi resgatada de sua casa juntamente com três mulheres nesta semana, disse o escritório do procurador-geral Mike DeWine nesta sexta-feira. Segundo ele, uma amostra de DNA de Castro foi retirada na quinta e médicos trabalharam no caso durante toda a noite.

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A menina é filha de Amanda Berry, que autoridades dizem ter ficado presa por quase uma década na casa de Castro em Cleveland, Ohio, juntamente com Gina Dejesus e Michelle Knight. As mulheres foram sequestradas separadamente entre 2002 e 2004, quando tinham 14, 16 e 21 anos. Castro, ex-motorista de ônibus escolar que que foi indiciado por rapto e estupro, está preso com uma fiança imposta em US$ 8 milhões e é monitorado para evitar um suicídio.

A confirmação de paternidade acontece um dia depois de promotores dizerem que podem tentar a pena de morte contra Castro. Segundo a polícia, ele engravidou uma das cativas ao menos cinco vezes e a fez abortar deixando-a passar fome e esmurrando sua barriga. As alegações contidas em um relatório da polícia também disse que Amanda foi forçada a dar à luz em uma piscina inflável de plástico.

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O promotor Timothy McGinty disse que seu escritório decidirá se apresentará acusações de assassinato puníveis com a pena de morte em conexão com os abortos forçados. "A pena capital deve ser reservada para aqueles crimes que realmente são o pior exemplo da conduta humana", disse. "A realidade é que ainda temos criminosos brutais entre nós que não respeitam o Estado de direito e a vida humana."

"O raptor das crianças operava uma câmara de tortura e uma prisão particular no centro da cidade", disse McGinty. "A terrível brutalidade e tortura a que as vítimas foram submetidas vai além da compreensão."

De acordo com o promotor, Castro disse que ele será acusado por cada ato de violência sexual, agressão e outros crimes cometidos contra as mulheres, sugerindo que as acusações poderiam chegar a centenas ou milhares.

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O FBI (a polícia federal dos EUA) não recuperou restos humanos nas buscas que fez na casa, disse a porta-voz Vicki Anderson nesta sexta. Agentes retiraram mais de 200 pedaços de evidência, acrescentou sem informar o que foi encontrado.

Entre os detalhes arrepiantes do relatório policial estão:

- Amanda, agora com 27 anos, disse aos oficiais que foi forçada a dar à luz em uma piscina de plástico na casa, para que fosse mais fácil limpar depois. Amanda também relatou que ela, sua filha de 6 anos e as outras resgatadas nunca foram a um médico durante o tempo no cativeiro.

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- Michelle, agora com 32 anos, disse que as cinco vezes em que ficou grávida terminaram quando Castro a fez passar fome por ao menos duas semanas e "repetidamente a esmurrou na barriga até ela abortar". Ela disse que Castro a forçou a fazer o parto de Amanda sob ameaça de morte se o bebê morresse. Michelle contou que, quando a recém-nascida parou de respirar, ela a reviveu por meio de ressuscitação boca a boca.

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Ariel Castro comparece em tribunal de Cleveland, Ohio (09/05)

- Todas as três mulheres disseram que Castro as acorrentou no porão, mas eventualmente as liberava para morar no segundo andar da casa. Cada mulher contou uma história similar sobre ter sido capturada após aceitar uma carona de Castro.

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Castro foi preso na segunda-feira, quando Amanda conseguiu fugir da casa com a ajuda do vizinho Charles Ramsey e ligou para a polícia. Os agentes, então, encontraram as outras duas mulheres na casa.

Amanda e Gina, 22, voltaram para casa com parentes na quarta. Há informações de que Michelle está em boas condições em um hospital de Cleveland.

O relatório da polícia dá detalhes sobre a fuga, começando com a descoberta de Amanda de que uma porta estava destrancada, deixando apenas a porta externa contígua trancada. Amanda temeu que se tratasse de um teste: ela disse que Castro ocasionalmente deixava uma porta destrancada para testá-las. Mas ela gritou por ajuda e conseguiu sair.

A polícia então entrou na casa e encontrou as outras mulheres, que se jogaram nos braços dos agentes. Os dois irmãos de Castro, que chegaram a ser detidos, foram libertados por não ter envolvimento com os crimes cometidos.

*Com AP

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