Maduro chama Lula de ‘pai’ e pede ajuda para ‘revolução agrícola’ na Venezuela

Por Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

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Sucessor de Hugo Chávez anuncia duas fábricas em parceria com a Braskem para abastecer o Brasil de coque e ureia, enquanto Brasil se compromete a enviar mais alimentos

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez, aproveitou visita ao Palácio do Planalto nesta quinta-feira (9) para negociar parcerias com a presidente Dilma Rousseff. Em discurso recheado por homenagem ao “amado comandante” Chávez, Maduro exaltou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como último sobrevivente de um processo de transformação esquerdista liderado por ele, seu antecessor e Nestor Kirchner, falecido presidente da Argentina. “Todos vemos Lula como um pai dos homens e mulheres de esquerda na América do Sul”, afirmou.

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Maduro passa o dia em Brasília e tem reuniões com Dilma e Lula. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAÉ a primeira visita dele à região após a eleição em abril , quando obteve o apoio dos líderes latino-americanos. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIASucessor de Chávez aproveitou visita para negociar parcerias com a presidente Dilma Rousseff . Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAA presidente também ressaltou que a Venezuela é "grande amiga do Brasil”. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIAMaduro foi alvo de protestos na sua chegada ao Palácio do Planalto. Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIACartazes questionam a legitimidade das eleições na Venezuela . Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA

Maduro anunciou duas novas fábricas em território venezuelano em parceria com a Braskem: uma para produzir 1,5 milhão de toneladas anuais de ureia e outra para coque verde – insumos químicos derivados do petróleo. O coque é um item caro à indústria siderúrgica brasileira, que tem nele um substituto barato ao carvão mineral necessário para produzir aço. Já a ureia é peça importante para o agronegócio, que utiliza o derivado para fabricar fertilizante.

As iniciativas industriais da Venezuela terão como contrapartida o fornecimento de tecnologia para ampliar a produção de alimento no vizinho sul-americano. “Sofremos uma amputação da atividade agrícola”, disse Maduro. “Temos um grave problema de abastecimento de produtos e temos pedido, uma vez mais, para dar apoio para uma revolução a agrícola. Nosso grande objetivo de curtíssimo prazo é abastecer de produtos no curto prazo (o mercado venezuelano)”, afirmou.

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Brasil enviará alimentos

A Venezuela sofre com falta de produtos internos, o que tem elevado as importações nos últimos anos. Não à toa, a corrente comercial com o Brasil atingiu US$ 6 bilhões em 2012. O mercado promissor foi destacado pela presidente Dilma Rousseff como oportunidade para ampliar a corrente de comércio bilateral. “Manifestei ao presidente Maduro nossa disposição em buscar ampliar esse intercâmbio e analisar todas as possibilidades de equilíbrio nessa relação”, disse, indicando que vai estudar como aumentar as importações.

O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou que o governo se comprometeu a elaborar uma lista de produtos prioritários para a Venezuela e, depois, negociar com empresas brasileiras formas de aumentar a remessa ao país vizinho.

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Os alimentos devem ganhar destaque na cesta ampliada. “Eles precisam de todo tipo de produto, desde comida até fraldas”, indicou.

Caipirinha e amor

Maduro disse que a relação entre os países vive o melhor momento da história, tendo evoluído para um “grande sentimento de solidariedade e amor” e de “relação de irmandade verdadeira”.

“O Brasil para nós e outros hispânicos era futebol, samba e caipirinha (antes de Chávez). Não nos conhecíamos. Na Venezuela se fazia campanha contra o Brasil: ‘cuidado com o Brasil’, ‘o perigo é o Brasil’. Hoje construímos uma relação como nunca antes de irmandade verdadeira entre os governos e os povos. Somos mais que companheiros, somos irmão de uma causa e vamos seguir trabalhando”, afirmou.

A presidente Dilma foi mais comedida, mesmo ressaltando a Venezuela “como grande amigo do Brasil”. “Estou certa de que manterei com o presidente Maduro um excelente relacionamento como com o presidente Chávez”, disse.

Dilma anunciou ainda uma “nova cooperação de abastecimento, segurança alimentar e suprimento de energia”. Para isso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Caixa Econômica desembarcam na Venezuela para ajudar no planejamento alimentar e nas demais áreas.

A presidente manifestou apoio à vitória de Maduro na disputa presidencial no mês passado. A vitória foi contestada pelo líder da oposição anti-chavista Enrique Capriles. Segundo Maduro, foi realizada uma auditoria em 54% das urnas e 99,98% delas não registraram fraude.

Dilma afirmou que Maduro pode governar “sem ingerência externa” e é “capaz de resolver seus próprios problemas”. Em seguida, a presidente comemorou a “vocação para criar um ambiente comum” entre os países.

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