Papa da Igreja Ortodoxa Copta do Egito, Tawandros 2º, participou de audiência privada com o pontífice católico perto do mosteiro onde vive papa emérito Bento 16

Reuters

O líder da Igreja Ortodoxa Copta do Egito, Tawandros 2º , visitou o papa católico Francisco, nesta sexta-feira (10) em evento que ambos se chamaram de "vossa santidade", rezaram juntos e pregaram a conciliação entre suas comunidades, sem aludir aos ataques contra cristãos no Egito.

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Papa Francisco e líder da Igreja Ortodoxa Copta do Egito Tawadros 2º se cumprimentam durante audiência privada do pontífice no Vaticano
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Papa Francisco e líder da Igreja Ortodoxa Copta do Egito Tawadros 2º se cumprimentam durante audiência privada do pontífice no Vaticano

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A reunião ocorreu no Palácio Apostólico, a poucas centenas de metros do convento onde o papa emérito Bento 16 vive . Tawandros 2º, que faz sua primeira visita fora do Egito desde sua eleição, em novembro, não tinha planos de visitar Bento 16. Ele é apenas o segundo chefe da Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria - maior seita cristã do Egito - a visitar o Vaticano.

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Os cristãos compõem cerca de 15% da população do Egito, de 84 milhões de habitantes, e têm sido alvo de frequentes ataques por membros da maioria muçulmana.

Em seu discurso, Francisco falou de um "ecumenismo do sofrimento" entre os cristãos, e depois disso, ao rezarem em uma capela do Vaticano, os dois papas escutaram uma prece por "todos os países e comunidades que são vítimas do conflito e da violência", e pela "paz e harmonia sem discriminação nem injustiça".

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A tensão religiosa no Egito cresceu depois da ascensão de políticos islâmicos ao poder, em 2011, que se seguiu à derrubada do presidente Hosni Mubarak . Naquele ano, os cristãos haviam saído às ruas junto com os muçulmanos para derrubar Mubarak.

Em uma rara entrevista no mês passado, Tawandros 2º disse à Reuters que os cristãos egípcios se sentem negligenciados pelo governo ligado à Irmandade Muçulmana, que pouco estaria fazendo para cumprir suas promessas de dar proteção às minorias. "Há uma sensação de marginalização e rejeição, que chamamos de isolamento social", afirmou.

Tawandros 2º convidou o argentino Francisco para visitar o Egito, mas o papa católico para isso precisaria de um convite paralelo feito pelo governo do país.

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