Acusado de sequestrar três mulheres em Ohio vai a tribunal

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Corte de Cleveland fixa fiança em US$ 8 milhões; segundo relatório policial indica que uma das sequestradas abortou cinco vezes após apanhar. Promotor pode pedir pena de morte

O acusado de sequestrar e estuprar três mulheres que estavam desaparecidas havia pelo menos uma década e foram encontradas vivas em sua casa fez sua primeira aparição pública em um tribunal nesta quinta-feira (9). O juiz do tribunal municipal de Cleveland fixou a fiança em US$ 8 milhões (R$ 16 milhões).

De acordo com um relatório policial, as três mulheres passaram fome e foram estupradas, sendo que uma delas teve cinco abortos depois que o suspeito a surrou na barriga. Um promotor afirmou que pode pedir a pena de morte pelos abortos forçados.

Algemado e vestindo uma roupa azul da prisão, Ariel Castro, ex-motorista de ônibus escolar de 52 anos, manteve o rosto abaixado durante toda a audiência. Ele não falou em nenhum momento.

AP
Ariel Castro comparece ao Tribunal de Cleveland, Ohio

O pesadelo de Amanda Berry, Gina DeJesus e Michelle Knight teve fim quando Amanda conseguiu fugir com a ajuda do vizinho Charles Ramsey e ligou para a polícia. Ariel Castro foi detido juntamente com seus dois irmãos, Pedro e Onil.

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Os irmãos também compareceram ao tribunal na manhã desta quinta-feira em respeito a acusações anteriores, não relacionadas ao caso dos sequestros. Eles foram libertados posteriormente.

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De acordo com a polícia, Castro manteve as mulheres presas com cordas e correntes em quartos diferentes. Elas sofreram abusos sexual e psicológico prolongados além de abortos, segundo uma autoridade local familiar com as investigações.

As mulheres e Castro deram longos depoimentos à polícia, ajudando as autoridades a construir o caso, disse o vice-chefe da polícia Ed Tomba. Nenhuma das três, entretanto, deu qualquer indicação de que os dois irmãos mais velhos tinham qualquer relação com o caso. "Ariel manteve todo mundo à distância", disse Tomba.

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Um fato que continua um mistério, segundo ele, é como as mulheres foram mantidas dentro da casa por tanto tempo. As mulheres, por volta de seus 20 ou 30 anos, foram sequestradas separadamente entre 2002 e 2004. Na ocasião, elas tinham 14, 16 e 20 anos.

Em coletiva, atoridades afirmaram que não discutiriam as circunstâncias de seu sequestro e cativeiro. O vereador Brian Cummin, entretanto, afirmou: "Sabemos que essas vítimas sofreram abortos confirmados, mas não sabemos com quem, quantas vezes e em que condições."

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Ariel Castro comparece ao Tribunal de Cleveland, Ohio. Foto: APOnil Castro (esq.), Pedro Castro (centro) e Ariel Castro (dir.) participam de audiência na corte de Cleveland, Ohio. Foto: APAriel Castro conversa com a defensora pública Kathleen DeMetz na corte em Cleveland, Ohio. Foto: APAriel Castro comparece em tribunal de Cleveland, Ohio. Foto: AP

Segundo a rede CNN, Michelle Knight disse que ficou grávida ao menos cinco vezes, mas ficava privada de alimentação e apanhava até abortar. À polícia, segundo fontes ouvidas pela rede americana, Michelle disse que, quando Castro descobria que ela estava grávida, "fazia com que abortasse o bebê".

Michelle "afirmou que ele a fazia passar fome por ao menos duas semanas, e repetidamente batia em seu estômago até que ela abortasse", disseram os registros iniciais da polícia.

Mas quando Amanda ficou grávida, a situação foi diferente. Segundo fontes da polícia, quando ela entrou em trabalho de parto, Castro ordenou que Michelle a ajudasse a ter o bebê. O parto foi realizado em uma piscina ou banheira de plástico para conter o líquido amniótico. Entretanto, quando a bebê nasceu, ela teria imediatamente parado de respirar. Segundo Michelle, Castro ameaçou matá-la caso o bebê não sobrevivesse.

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"O mais incrível é uma garota que não sabia nada sobre partos ter conseguido ajudar uma mãe a ter um bebê que agora é uma saudável criança de 6 anos", disse a fonte policial à CNN.

Elas nunca tiveram uma chance de fugir nos últimos dez anos, até esta semana, quando Amanda saiu pela porta, correndo em liberdade e alertando a polícia para resgatar as outras duas mulheres enquanto Castro estava longe de casa.

Em um novo áudio divulgado pela polícia, o atendente da emergência notifica autoridades na segunda-feira, dizendo que ele acabara de falar com uma mulher que "disse que seu nome é Amanda Berry e que esteve sequestrada por 10 anos".

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Depois, é possível ouvir a polícia chegando na casa, com mulheres chorando ao fundo. Então, um policial afirma ao atendente. "Nós as encontramos. Nós as encontramos."

Assista à entrevista de Charles Ramsey, que ajudou a libertar as mulheres desaparecidas:

Amanda e Gina foram recebidas na quarta-feira por multidões animadas de vizinhos e parentes que carregavam balões e cartazes. Nenhuma das mulheres falou à imprensa. "Esse é o melhor Dia das Mães que eu poderia ter", disse Nancy Ruiz, mãe de Gina. Ela disse que abraçou a filha e não queria deixá-la. Michelle segue internada no hospital, mas está em boas condições.

Com AP

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