Rebeldes curdos iniciam retirada da Turquia, diz líder de partido

Por iG São Paulo |

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Gultan Kisinak afirmou que primeiro grupo de combatentes já começou a se dirigir em direção ao norte do Iraque como parte do processo de paz

Rebeldes curdos deram início nesta quarta-feira (8) à retirada gradual da Turquia para bases no norte do Iraque, informou a líder de um partido pró-curdo. A retirada é um dos passos mais importantes no processo de paz com o governo turco após décadas de insurgência.

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AP
Rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) deixam a Turquia em direção ao Iraque

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) declarou um cessar-fogo em março e concordou em retirar combatentes da guerrilha do território curdo, atendendo ao pedido de seu líder preso Abdullah Ocalan, que está envolvido em diálogos com a Turquia para colocar fim ao conflito que deixou milhares de mortos.

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O grupo, que luta pela autonomia territorial curda e por mais direitos, rejeitou, entretanto, a exigência do governo turco para que os rebeldes abandonassem as armas antes de deixar o país. O comandante do PKK, Murat Karayilan, disse que o grupo não vai se desarmar até que a Turquia aprove as reformas democráticas para aumentar os direitos dos curdos e anistie todos os rebeldes presos, incluindo Ocalan.

Gultan Kisinak, líder do partido turco pró-curdos, disse que o primeiro grupo de combatentes rebeldes começou a avançar em direção à fronteira com o Iraque nesta quarta. "De acordo com a informação que recebemos, a movimentação começou", disse Kisanak à AP. Ela não deu informações em relação ao número de combatentes que se retiraram.

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O governo da Turquia não confirmou a retirada e o porta-voz do PKK no norte do Iraque não foi encontrado para comentar. O vice-premiê da Turquia, Bulent Arinc, disse, entretanto: "Estamos acompanhando a questão. São os resultados que importam para nós. Sentimos que estamos perto de alcançar resultados."

O PKK, considerada uma organização terrorista pela Turquia e seus aliados ocidentais, tem entre 1,5 mil e 2 mil combatentes dentro da Turquia, além de outros milhares no norte do Iraque. É esperado que a retirada total das forças deva levar alguns meses. Há muito tempo, o grupo se utiliza de suas bases no território iraquiano para atacar a Turquia.

Ozturk Turkdogan, chefe da Associação dos Direitos Humanos na Turquia, encarregado de supervisionar a retirada, disse que os rebeldes deixariam o território turco a pé. Membros de seu grupo monitorarão regiões próximas à fronteira para garantir que não ocorram atividades militares durante a retirada do PKK.

Com AP

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