Mulheres eram mantidas em cativeiro com cordas e correntes, diz polícia em Ohio

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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À rede NBC, chefe policial de Cleveland disse acreditar que reféns só tiveram permissão de sair ocasionalmente para o quintal nos quase dez anos de seu sequestro

O chefe da polícia de Cleveland, Michael McGrath, disse que as três mulheres encontradas na segunda-feira à noite eram mantidas em cativeiro com cordas e correntes na casa do Estado de Ohio onde ficaram por cerca de uma década. À rede NBC, McGrath afirmou que os investigadores acreditam que elas tinham permissão de sair ocasionalmente para o quintal. De acordo com ele, as três mulheres estão em boas condições "considerando as circunstâncias".

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AP
Pôster sobre desaparecimento ainda é visto em árvore do lado de fora da casa de Amanda Berry, em Cleveland

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O ex-motorista de ônibus escolar Ariel Castro, 52, que é proprietário da casa em que as mulheres foram encontradas, foi preso em um McDonald's depois de fugir do bairro. Seus dois irmãos, Pedro, 54, e Onil, 50, também estão sob custódia policial, mas não está claro como foram presos. Ariel foi indiciado nesta quarta por rapto e estupro.

Em uma declaração, o diretor de saúde pública de Cleveland, Martin Flask, afirmou que nenhum resto humano foi encontrado na residência depois de uma "busca meticulosa". A polícia informou que realiza buscas em outras propriedades.

Em sua entrevista ao Today Show, da NBC, McGrath rejeitou as alegações dos vizinhos de que a polícia não investigou completamente informações sobre atividades suspeitas no número 2.207 da Avenida Seymour, que fica em um distrito operário habitado majoritariamente por porto-riquenhos na cidade de Cleveland.

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Ele afirmou ter "absoluta" certeza de que a polícia não perdeu oportunidades de encontrar as mulheres durante os anos em que ficaram desaparecidas. Os vizinhos disseram às organizações de notícia que fizeram várias chamadas à polícia sobre a casa, para relatar mulheres chorando por ajuda e ruídos de batidas em portas.

McGrath também não confirmou informações de que as raptadas ficaram grávidas várias vezes. Ao mesmo tempo, a polícia confirmou que Jocelyn, uma menina de 6 anos descoberta com as três mulheres, é filha de Amanda Berry. A menina aparentemente foi concebida e nasceu enquanto a mãe estava em cativeiro.

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Aos 27 anos, Amanda, que desapareceu em 2003 às vésperas de completar 16 anos, fugiu com a ajuda do vizinho Charles Ramsey, que a ouviu gritando enquanto seu suposto sequestrador estava fora de casa. Quando a polícia chegou ao local, também encontrou Gina DeJesus, 23, e Michelle Knight, 32, na casa. Gina desapareceu aos 14 anos em 2004, enquanto Michelle sumiu em 2002, aos 21 anos.

AP
Combinação de fotos divulgada pela polícia mostra (E para D) Onil Castro, Ariel Castro e Pedro Castro, suspeitos pelo sequestro de três mulheres em Cleveland

À Associated Press, o vizinho Israel Lugo disse que Ariel Castro identificou Jocelyn como "a filha de sua namorada" quando brincavam em um parque na semana passada. Residentes disseram que o ex-motorista de ônibus, que era um amigo da família DeJesus, participou de uma vigília com velas no ano passado por Gina.

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Anthony, filho de 31 anos de Ariel Castro, escreveu uma matéria sobre o desaparecimento de Gina em 2004, quando era um estudante de jornalismo na Universidade Bowling Green, tendo entrevistado a mãe da jovem.

Na terça, ele disse ter "ficado sem palavras" por saber que membros de sua própria família eram suspeitos pelo crime. Ao site do jornal britânico Daily Mail, ele afirmou que seu pai trancava com cadeados as portas do porão, do sótão e da garagem de sua casa e não deixava mais ninguém entrar.

Anthony Castro disse na entrevista que, há poucas semanas, seu pai o perguntou se ele acreditava que o sequestro de Amanda Berry seria algum dia solucionado. "Se for verdade que ele a sequestrou e a forçou a fazer sexo com ele e a ter seu filho, e a manteve escondida e longe da luz do sol, então ele realmente tirou a vida dessas meninas. Ele não merece mais ter a sua própria vida. Ele merece ficar atrás das grades pelo resto de sua vida. Estou feliz que elas estejam vivas", disse.

Confiança

Ariel Castro nasceu em Porto Rico e era proprietário da casa na Avenida Seymour desde 1992. A polícia já havia ido à casa dele em duas ocasiões. Uma em 2000, quando ele contatou policiais para informar sobre uma briga de rua, e em 2004, após ele ter esquecido uma criança em um ônibus escolar - o que pode ter colaborado para sua demissão no cargo de motorista. Uma investigação sobre o incidente determinou que não houve indícios de um crime.

Assista à entrevista do vizinho que ajudou a libertar as mulheres desaparecidas:

"Ele é alguém para quem você olha e depois olha para o outro lado, porque não faz nada que não seja normal. Não tem nada de empolgante sobre ele", disse Ramsey em entrevista a uma emissora de TV local.

Um tio dos três irmãos, que é dono de um mercearia na vizinhança, afirmou em entrevista a uma emissora local que Gina era uma amiga da família e que seu sobrinho era "alguém que todos achavam uma ótima pessoa". Gina era amiga de Arlene Castro, filha de Ariel.

Juan Perez, de 27 anos, que cresceu na vizinhança, disse que achava Castro "um sujeito divertido" e que os pais que moravam na região achavam-no uma pessoa confiável.

O filho de Ariel Castro afirmou suspeitar que seu pai pode ter sequestrado Gina, sua vítima mais jovem, com facilidade, porque ela era, na ocasião, a melhor amiga de sua filha Arlene. Ele acredita que a então adolescente pode ter aceitado uma carona de Ariel em vez de ter de voltar para casa do colégio a pé.

O filho, cuja relação com o pai estava estremecida após ele ter se separado de sua mãe há mais de uma década, conta que ele era um homem violento. De acordo com o filho, Ariel chegou a espancar sua mãe pouco após ela ter se submetido a uma cirurgia cerebral. Registros judiciais mostram que Ariel foi acusado em 2005 de haver atacado sua ex-mulher, Grimilda Figueroa.

De acordo com o jornal local The Cleveland Plain Dealer, Grimilda, que morreu no ano passado, sofreu, na ocasião, ferimentos múltiplos, como costelas quebradas, um dente perdido e um coágulo no seu cérebro.

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