Número de mortos em desabamento em Bangladesh passa de 700

Por iG São Paulo |

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Funcionários das oficinas de costura que sobreviveram ao desastre protestaram por indenizações e pagamentos de salários nas ruas de Daca

O número de mortos no desabamento de um prédio que abrigava oficinas de costura em Bangladesh passou de 700, informou a polícia nesta terça-feira (7). Milhares de sobreviventes do incidente, o pior da história do setor têxtil, protestaram por indenizações nas ruas de Daca.

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De acordo com a equipe policial que coordena as operações de resgate, o número de mortos estava em 704 na tarde desta terça, enquanto trabalhadores encontravam mais corpos em meio aos destroços do prédio que possuía cinco fábricas de peças de vestuário. Essas fábricas produziam mercadorias vendidas por grandes varejistas ao redor do mundo.

O desastre é o pior do setor na história mundial, superando a tragédia em 1911 na fábrica de Nova York Triangle Shirtwaist, que deixou 146 mortos, e outros incidentes como o incêndio no Paquistão que matou 260 e outro, também em Bangladesh, que vitimou 112 em 2012. É também um dos incidentes industriais mais mortais de todos os tempos.

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Ninguém sabe ao certo qual será o número de mortos ao final dos resgates, uma vez que a quantidade de funcionários que estava no prédio no momento do desabamento é incerta. Mais de 2,5 mil foram resgatados com vida do prédio Rana Plaza.

Milhares de funcionários que sobreviveram ao desastre bloquearam uma estrada próxima ao local do incidente no subúrbio de Daca na terça-feira para exigir pagamento de salários e outros benefícios. Não foram registrados episódios de violência, mas o tráfego ficou interrompido por horas.

O administrador do governo local Yousuf Harun disse que estavam trabalhando com a Associação de Fábricas e Exportadores de Bangladesh para garantir que os trabalhadores recebessem seu pagamento. A maioria dos funcionários recebia o salário mínimo do país, de US$ 38 por mês (R$ 76), e exigia o recebimento de quatro meses de pagamento.

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Harun afirmou que nenhum pagamento deixou de ser efetuado, exceto o do mês de abril e havia um acordo para que os funcionários recebessem três meses adicionais de salários. Assim que uma equipe da associação chegou à manifestação e prometeu fazer os pagamentos mais tarde nesta terça, os trabalhadores liberaram a estrada.

A associação havia dito na segunda-feira que preparava uma "lista completa" dos funcionários empregados nas fábricas e precisariam de mais alguns dias para finalizá-la e liberar os pagamentos.

As exportações de produtos têxteis rendem para Bangladesh US$ 20 bilhões por ano. Os principais destinos dessas produções são os EUA e a Europa. Autoridades não divulgaram um cronograma específico para o fim das operações de resgate, dizendo que continuariam até que todos os corpos e destroços sejam removidos.

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Segundo autoridades do país, o proprietário do prédio, Sohel Rana, acrescentou ilegalmente três andares ao Rana Plaza e permitiu que as fábricas instalassem máquinas e geradores muito pesados para a estrutura do edifício. Ele também é acusado de ter ignorado uma ordem da polícia para esvaziar o prédio um dia antes do desabamento. Havia fissuras visíveis nas paredes, mas Rana teria dito que o edifício era seguro.

Com AP

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