Manifestação contra presidente da Rússia atrai milhares em Moscou

Por iG São Paulo |

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Manifestantes se reúnem em praça para marcar aniversário de um ano do confronto entre ativistas da oposição e polícia antes da posse de Putin

Milhares se reuniram nesta segunda-feira em uma manifestação em Moscou para marcar o aniversário de um confronto entre ativistas da oposição e a polícia. Segundo líderes da oposição, 50 mil foram à Praça Bolotnaya, enquanto a polícia afirmou que o número não passou de 7 mil.

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AP
Manifestantes da oposição seguram cartazes de opositores presos durante protesto na Praça Bolotnaya, em Moscou

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Os confrontos do ano passado aconteceram no local antes da posse do presidente Vladimir Putin. Dos supostamente envolvidos, 28 foram indiciados e dois condenados até agora.

Os preparativos para o manifestação foram manchados pela morte de um homem que foi esmagado por um equipamento de som. O homem ajudava a preparar um palco quando o equipamento pesado despencou sobre ele.

"A praça toda está cheia. Há dezenas de milhares de nós", disse a importante figura da oposição  Boris Nemtsov aos participantes.

O blogueiro anticorrupção e ativista Alexei Navalny dirigiu-se à multidão, dizendo que uma série recente de casos penais apresentados contra ele não o impediriam de se opor a Putin. "Não me importo. Mesmo que enfrentar 124 casos, ainda direi o que quero dizer", afirmou Navalny.

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Um pôster da oposição foi aberto no topo de um bloco de apartamentos na New Arbat, uma grande avenida no centro de Moscou, dizendo: "Liberdade para os prisioneiros de 6 de maio." Os ativistas Maxim Luzyanin e Konstantin Lebedev foram presos por deliberadamente conspirar para fomentar o tumulto nos confrontos de Bolotnaya há um ano. Outros ainda esperam julgamento.

Os líderes da oposição desconsideram a ideia de conspiração, argumentando que as autoridades provocaram os choques.

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Desde que retornou ao poder, Putin assinou uma série de leis aparentemente elaboradas para calar a dissidência e enfraquecer a sociedade civil, incluindo com punições mais duras para protestos sem permissão e legislação que amplia a definição de traição ao Estado.

Reuters
Manifestantes participam de protesto contra o governo em Moscou

Tensão dentro do governo

No dia 17, um site ligado ao Kremlin publicou um vídeo mostra Putin ameaçando demitir autoridades de alto escalão, alimentando especulações de que o primeiro-ministro Dmitri A. Medvedev e membros de seu gabinete correm perigo de perder seus cargos.

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O secretário de imprensa de Putin disse que o vazamento do vídeo na internet era "inaceitável do ponto de vista ético", afirmando que o Kremlin poderia ter de "romper nossa relação com o Life News", um site de tabloide local que publicou o vídeo. Antes de falar com as autoridades, Putin pediu que a câmera fosse desligada.

Mas como a política na Rússia é praticada de maneiras misteriosas, muitos analistas concluíram que o Kremlin tinha intencionalmente publicado o vídeo como uma advertência a Medvedev.

A influência de Medvedev deteriorou-se drasticamente quando ele e Putin trocaram de posição no ano passado. Cada um deles comanda um aparelho poderoso e possui suas próprias prioridades: Medvedev se preocupa mais com a inovação e desenvolvimento econômicos, enquanto Putin prioriza os compromissos sociais que foram fundamentais para sua reeleição, disse Aleksei Mukhin, diretor do Centro de Informação Política, um grupo de pesquisa em Moscou.

"A população espera que essas promessas se tornem realidade", disse Mukhin. "Isso só pode ser implementado pelo governo, que não tem pressa em implementá-las."

Essa tensão pode ser vista no vídeo, que foi filmando enquanto Putin estava reunido com governadores, ministros e outras autoridades para conversar sobre questões habitacionais.

Ele criticou o progresso no cumprimento das promessas feitas em sua campanha, como o aumento de moradias de emergência e de vagas em creches públicas. Ele classificou a qualidade do trabalho dos funcionários como "insignificante" e, sem oferecer detalhes, os instruiu a melhorar seu desempenho se não quisessem ser despedidos.

"Se não fizermos isso, será necessário admitir que ou eu não trabalho efetivamente ou todos vocês não cumprem suas responsabilidades, e por isso serão demitidos", disse Putin. "Chamo sua atenção para o fato de que, hoje, tendo à segunda opção! Espero que isso tenha ficado claro."

*Com BBC e New York Times

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