Explosão em comício de partido islâmico mata 14 no Paquistão

Por iG São Paulo |

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Bomba foi detonada durante evento do Jamiat-e-Ulema na região de Kurram, no mais recente ato de violência relacionado às eleições de 11 de maio

Uma explosão atingiu um comício eleitoral de um partido islâmico no Paquistão nesta segunda-feira (6) deixando ao menos 14 mortos e ferindo dezenas, informou uma fonte do governo.

Uma bomba explodiu durante o evento do partido islâmico Jamiat-e-Ulema no vilarejo de Sewak na região noroeste de Kurram, o mais recente ato de violêcia envolvendo candidatos, políticos e eventos relacionados às eleições, com a aproximação da votação em 11 de maio.

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AP
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Acredita-se que grande parte dos episódios violentos foram realizados pelo Taleban contra três partidos liberais e seculares, mas a explosão desta segunda foi a única a atacar um partido com uma relação aparentemente mais próxima ao grupo militante. Até o momento, ninguém reivindicou responsabilidade pela explosão.

A bomba, que aparentemente foi colocada perto do principal palco do comício, deixou 14 mortos e cerca de 50 feridos, disse Javed Khan, administrador do governo na região tribal de Kurram. Os dois líderes do partido que fizeram pronunciamentos no evento escaparam sem ferimentos.

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Um dos candidatos, Ainuddin Shakir, disse a uma emissora de televisão local que a explosão ocorreu enquanto os candidatos estavam finalizando sua marcha e deixando o palco. Ele disse que, aparentemente, os explosivos foram detonados por controle remoto.

Cerca de 2,5 mil pessoas se reuniram no local, uma escola religiosa, para ouvir as propostas dos candidatos, informou uma testemunha no local. A explosão ocorreu depois que um dos candidatos terminou seu pronunciamento e estava deixando o palco.

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O partido islâmico Jamiat-e-Ulema é considerado favorável ao Taleban afegão na luta contra os EUA e seus aliados. É também simpático ao Taleban paquistanês, que luta contra tropas do país e deseja estabelecer um governo fundamentalista islâmico no país. Os líderes do grupo normalmente se opõem às operações do Exército paquistanês na região.

O Taleban reivindicou responsabilidade nas últimas semanas por uma série de ataques contra os partidos seculares paquistaneses que apoiam a intervenção do Exército contra os militantes nas regiões tribais.

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O primeiro-ministro interino Mir Hazar Khan Khoso condenou a explosão da bomba e exigiu que o governo local fortaleça a proteção dos candidatos nas eleições. Essa será a primeira votação em que o país assistirá a transição de um governo civil para outro.

Os militares governaram o Paquistão durante mais de metade da sua história de 66 anos, seja através de golpes de Estado ou de forma velada. Mas a violência do Taliban manchou a eleição, com alguns candidatos com medo de fazer campanha.

Com AP e Reuters

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