Autoridades do governo disse que materiais de construção de má qualidade, combinados com a vibração de máquinas pesadas das fábricas de vestuário, causaram colapso de prédio

Mais de 600 corpos foram retirados dos escombros de um prédio com oficinas de costura que entrou em colapso no dia 24 , disse a polícia de Bangladesh neste domingo, enquanto continuam os trabalhos nos destroços de um dos piores acidentes do mundo na indústria do vestuário.

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Mulher é confortada após identificação do corpo de sua filha em destroços de prédio que desmoronou em Savar, perto de Daca, Bangladesh
AP
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Mais de 200 corpos foram encontrados desde quarta, quando as autoridades disseram que havia apenas 149 listados como desaparecidos. De acordo com a polícia, o número de mortos é agora de 622. O odor de corpos em decomposição continua em meio ao concreto do prédio de oito andares de Rana Plaza, e ninguém sabe quantas vítimas faltam ser retiradas do local.

Masood Reza, arquiteto cuja firma projetou o prédio como uma shopping em 2004, disse neste domingo que o edifício não foi desenhado para ter pesados equipamentos industrias, sem falar nos três andares que foram adicionados ilegalmente após sua construção. O equipamento usado pelas cinco fábricas de roupas que ocupavam o Rana Plaza incluía pesados geradores que foram ligados pouco antes de o prédio desmoronar.

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"Projetamos o prédio para ter três andares de lojas e outros dois de escritórios. Não sei como os pisos adicionais foram acrescentados e como fábricas tiveram permissão para ficar nos andares superiores", disse Reza. Autoridades do governo disse que materiais de construção de má qualidade, combinados com a vibração das máquinas pesadas usadas pelas fábricas, levaram ao desabamento.

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O edifício apresentou fissuras um dia antes de ruir e seu proprietário, Mohammed Sohel Rana , chamou o engenheiro Abdur Razzak Khan para inspecioná-lo. Khan apareceu na TV naquela noite e disse que o prédio deveria ser esvaziado. A polícia também emitiu uma ordem de retirada, mas testemunhas relataram que, horas antes do colapso, Rana disse às pessoas que o local era seguro, e os gerentes das fábricas disseram a seus funcionários para entrar .

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Rana foi preso e espera-se que ele seja acusado de negligência, construção ilegal e de forçar os operários a trabalhar, crimes puníveis com a pena máxima de sete anos de prisão. Autoridades não disseram se algum crime mais sério será adicionada à lista de acusações. O engenheiro Khan também foi preso. Segundo a polícia, ele trabalhava como consultor de Rana com os três andares adicionais foram acrescentados.

O governo prometeu tornar a indústria do vestuário mais segura depois de um incêndio ter deixado 112 mortos em novembro, afirmando que inspecionaria as oficinas e tiraria as licenças daqueles que não cumprissem as normas. Esse plano ainda tem de ser implementado.

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A indústria do vestuário de Bangladesh de US$ 20 bilhões fornece a varejistas em todo o mundo e corresponde a 80% da exportações do país, que é popular como fonte de vestimentas amplamente por causa de sua mão de obra barata. O salário mínimo por trabalhador é de US$ 38 por mês, depois de ter quase dobrado neste ano após violentos protestos. De acordo com o Banco Mundial, a renda per capita de Bangladesh era de cerca de US$ 64 por mês em 2011.

A União Europeia ameaçou restringir o acesso de Bangladesh a seu mercado se o país fracassar em assegurar os padrões trabalhistas básicos.

*Com AP

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