A Kaesong abrigava empresas com conhecimento da Coreia do Sul e mão de obra norte-coreana e era um dos últimos sinais remanescentes de reconciliação entre os dois países

Os últimos sete sul-coreanos que estavam na Kaesong, um complexo industrial conjunto com a Coreia do Norte, foram retirados do local nesta sexta-feira (3). A Kaesong, que abrigava empresas com conhecimento da Coreia do Sul e mão de obra do Norte, era um dos únicos sinais remanescentes de reconciliação entre os dois países, que travaram uma guerra nos anos 1950.

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Uma van que carregava US$ 13 milhões de dólares deixa o complexo industrial Kaesong, na Coreia do Norte, após retirada de sul-coreanos
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Uma van que carregava US$ 13 milhões de dólares deixa o complexo industrial Kaesong, na Coreia do Norte, após retirada de sul-coreanos

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O complexo empregava mais de 53 mil norte-coreanos e centenas de gerentes sul-coreanos até o mês passado, quando Pyongyang começou a, gradualmente, bloquear suas operações e a entrada de trabalhadores da Coreia do Sul. Os últimos sete sul-coreanos deixaram a empresa depois de negociar os salários atrasados de funcionários norte-coreanos. A partida deles deixa as duas Coreias com praticamente nenhum canal de comunicação.

A saída dos trabalhadores encerra um dos últimos pontos de contato entre as Coreias, que ainda estão tecnicamente em estado de guerra, uma vez que o conflito terminou com um cessar-fogo e não com um tratado de paz. Seul usava linhas telefônicas conectadas a um gabinete sul-coreano na Kaesong para trocar mensagens com a Coreia do Norte.

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Analistas acreditam que a retirada dos trabalhadores piora as relações já deterioradas entre Seul e Pyongyang e renova temores de que um mal-entendido possa levar a outro conflito armado.

Dois veículos carregando US$ 13 milhões - para pagar impostos e salários atrasados dos trabalhadores norte-coreanos - atravessaram a fronteira pouco antes de os sete sul-coreanos retornarem, segundo o Ministério da Unificação em Seul, que é responsável pelas relações entre os países rivais.

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Quando as relações entre os dois países ficou tensa no mês passado, a Coreia do Norte suspendeu as operações na Kaesong, proibindo gerentes sul-coreanos e caminhões carregando suprimentos de entrar no parque industrial. Depois, retirou os norte-coreanos que trabalhavam em 123 empresas sul-coreanas na Kaesong.

Em meio a semanas de retórica inflamada, incluindo ameaças da Coreia do Norte de atacar os EUA e de testar mísseis, o fechamento da Kaesong foi a mais significante mostra de rejeição do país em relação aos exercícios militares conjuntos entre Coreia do Sul e os EUA e as sanções impostas pela ONU por causa do teste nuclear realizado em fevereiro. Depois, Pyongyang reduziu o tom de sua fala e mostrou condições para que ocorresse um diálogo.

A Coreia do Sul anunciou a retirada de seus funcionários da Kaesong depois que o Norte rejeitou um pedido de conversas. Nesta sexta-feira, as empresas que operam na Kaesong pediram que os governos imediatamente dialoguem para que protejam seus patrimônios. As companhias também renovaram um pedido a Coreia do Norte para que os permita visitar a Kaesong para recuperar insumos e produtos e reparar as instalações.

Com AP

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