Promotor no caso da morte de Benazir Bhutto é assassinado no Paquistão

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Chaudhry Ali foi assassinado por homens armados dentro de seu carro em Islamabad; além do caso da ex-premiê morta em 2007, ele processava os suspeitos pelos ataques a Mumbai

Homens armados mataram nesta sexta-feira (3) o promotor que investigava o assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto em 2007, um dos eventos mais chocantes da turbulenta história do país.

Segundo policiais, Chaudhry Zulfikar Ali foi baleado em seu carro em Islamabad depois de sair de casa para uma audiência sobre o caso, um ato que ressalta a instabilidade do Paquistão uma semana antes das eleições gerais.

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Principal suspeito: Polícia do Paquistão prende ex-presidente Musharraf

AP
Policial paquistanês examina o carro do promotor Chaudhry Zulfikar que foi morto em ataque em Islamabad

Além de estar tratando do caso do assassinato de Benazir, no qual o ex-líder do país Pervez Musharraf é acusado de envolvimento, Ali também processou militantes ligados ao ataque terrorista de 2008 na cidade indiana de Mumbai, que deixou 166 mortos. A Índia disse que militantes com base no Paquistão estavam por trás do massacre.

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Ali foi atingido na cabeça, no ombro e no peito pelos tiros. "Ele foi morto por atiradores desconhecidos. Doze tiros foram disparados", disse uma fonte policial. Ele, então, perdeu o controle de seu carro e atropelou uma pedestre, que acabou morrendo. O guarda de Ali devolveu os tiros e acredita-se que ele feriu pelo menos um dos homens armados. O guarda também ficou ferido no ataque.

Apesar de o Paquistão ter experimentado um aumento da violência nos últimos anos, é raro que um ataque dessa forma aconteça na capital do país, onde vivem as autoridades do mais alto escalão do governo, diplomatas e funcionários de ajuda humanitária.

O marido de Benazir Bhutto, Asif Ali Zardari, condenou o assassinato do promotor e pediu uma profunda investigação. A motivação do ataque não ficou clara, mas o envolvimento de Ali no caso de Benazir e do ataque a Mumbai pode ser um indício.

Em março: Ex-presidente Musharraf retorna ao Paquistão apesar de ameaças

Promotores acusam Musharraf de envolvimento no assassinato de Benazir e de não fornecer segurança suficiente para a primeira premiê mulher do país. Musharraf, que estava no poder quando Benazir foi morta, negou as acusações. Na ocasião, ele responsabilizou o Taleban paquistanês.

Um relatório de uma comissão de inquérito da ONU divulgado em 2010 disse que qualquer investigação confiável não deve descartar a possibilidade de que membros das Forças Armadas e outras instituições de segurança estavissem envolvidos.

O caso de Benazir, morta com tiros seguidos de um ataque suicida a bomba realizado por um garoto de 15 anos de idade ao retornar de um comício na cidade de Rawalpindi, amargou por anos no sistema judicial do Paquistão. O caso voltou a ganhar repercussão quando Musharraf retornou ao Paquistão em março após quatro anos de exílio.

O promotor havia afirmado a jornalistas que recebeu ameaças de morte recentes em conexão com o caso mas que não diria quem estava por trás das ameaças nem o conteúdo delas.

Atualmente, Musharraf está sob prisão domiciliar nos arredores de Islamabad em decorrência de diversas acusações que pesam contra ele na Justiça, incluindo o caso de Benazir. Ele também enfrenta acusações de traição perante a Suprema Corte.

Com Reuters e AP

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