Dzhokhar Tsarnaev deixou hospital civil e foi para Centro Médico Federal Devens, que abriga detentos que necessitam de cuidados médicos de longo prazo

O suspeito pelo ataque em Boston sobrevivente, Dzhokhar Tsarnaev , recebeu alta do hospital civil onde estava internado desde a sua captura na semana passada e foi tranferido para um centro de detenção médico federal em Massachusetts.

Segundo o serviço de segurança americano, Dzhokhar deixou o Centro Médico Beth Israel Deaconess durante a madrugada e foi levado para o Centro Médico Federal Devens, a 65 quilômetros a oeste de Boston.

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Dzhokhar Tsarnaev foi tranferido para o Centro Médico Federal Devens, que recebe detentos que precisam de cuidados médicos (foto de arquivo)
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Dzhokhar Tsarnaev foi tranferido para o Centro Médico Federal Devens, que recebe detentos que precisam de cuidados médicos (foto de arquivo)

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O complexo, localizado na desativada base do Exército de Fort Devens, trata de prisioneiros federais e detentos que precisam de tratamentos médicos especializados de longo prazo ou de cuidados relacionados à saúde mental.

Dzhokhar, 19 anos, está se recuperando de ferimentos de tiros sofridos durante sua tentativa de fuga na sexta-feira passada. O estudante universitário foi indiciado por usar armas de destruição em massa na Maratona de Boston, provocando a morte de três pessoas e deixou mais de 260 feridas no dia 15 de abril.

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Autoridades afirmaram na quinta-feira que Dzhokhar e seu irmão, Tamerlan Tsarnaev , 26 anos, tinham a intenção de detonar seus explosivos remanescentes na Times Square de Nova York.

O comissário da polícia de Nova York, Raymond Kelly, disse que, enquanto ainda estava no hospital, Dzhokhar relatou aos investigadores que ele e seu irmão mais velho haviam decidido espontaneamente na noite do dia 18 ir a Nova York para detonar seus explosivos - uma bomba em uma panela de pressão similar às duas usadas na maratona - e cinco bombas de tubo.

O plano desabou depois que os irmãos Tsarnaev foram interceptados pela polícia em um carro roubado e travaram uma dura troca de tiros que terminou com a morte de Tamerlan, disse Kelly.

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Ele foi interrogado em seu quarto de hospital durante um período de 16 horas sem que fossem lidos seus direitos constitucionais. O jovem imediatamente parou de falar depois que um juiz e um representante do escritório do secretário de Justiça dos EUA entraram no quarto e leram seus direitos, de acordo com uma fonte policial.

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Segundo Kelly, os irmãos Tsarnaev discutiram o plano enquanto dirigiam "a Mercedes SUV que tinham roubado depois de matar a tiros um policial do MIT (Massachusetts Institute of Technology)". "O plano, entretanto, não deu certo quando perceberam que o veículo tinha pouco combustível e ordenaram que o motorista parasse em um posto de gasolina próximo." O motorista escapou e chamou a polícia, relatou Kelly.

As informações sobre Nova York surgiram enquanto autoridades federais em Washington montam o caso para verificar se há peças soltas nos arquivos do governo americano que, se tivessem sido encontradas previamente, poderiam ter evitado o ataque.

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O governo federal dos EUA havia colocado o nome de Tamerlan em um banco de dados terrorista 18 meses antes das explosões na maratona, informaram autoridades à agência de notícias Associated Press (AP).

Na quarta, autoridades afirmaram que Dzhokhar admitiu ao FBI seu papel nos ataques, mas o fez antes de ser avisado sobre seus direitos constitucionais de permanecer em silêncio. Não ficou claro se essas declarações poderão ser usadas no julgamento. Mas os promotores talvez nem precisem disso para conseguir uma condenação. Autoridades apontam para evidências físicas, incluindo um revólver e pedaços de controle remoto de brinquedo descobertos na cena do ataque.

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Policiais haviam afirmado anteriormente que Dzhokhar trocou tiros com eles por mais de uma hora na noite de sexta antes de ser capturado. Mas duas autoridades americanas afirmaram na quarta que ele foi encontrado desarmado quando capturado, levantando questões sobre os tiros e sobre como exatamente ele ficou ferido.

Investigadores afirmaram que os irmãos, russos de etnia chechena, parecem ter sido radicalizados por meios de materiais jihadistas (que pregam a guerra santa) na internet e não encontraram nenhuma evidência de que pertenciam a um grupo terrorista.

Duas autoridades americanas disseram que as evidências preliminares retiradas do interrogatório do irmão mais jovem, cujo estado de saúde passou de "grave" para regular na terça, sugerem que os dois estavam motivados por extremismo religioso .

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