Número de mortos em desabamento de prédio em Bangladesh passa de 300

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Parentes desesperados por notícias dos funcionários que ainda estão presos sob os escombros entraram em confronto com a polícia e 50 ficam feridos

Mais de dois dias após o desabamento de um prédio que abrigava fábricas de roupas, alguns funcionários davam sinais de que estavam vivos sob toneladas de metal e concreto nesta sexta-feira (26). Equipes de resgate lutavam para salvá-los, sabendo que, provavelmente, lhes restavam apenas algumas horas de vida.

Em meio ao caos, ao desespero de parentes das vítimas e ao cheiro dos corpos em estado de putrefação vindos dos escombros da fábrica, onde mais de 300 morreram, a sobrevivente Mussamat Anna é considerada uma pessoa de sorte. Equipes de resgate tiveram que cortar a mão direita mutilada da trabalhadora para livrá-la dos destroços na noite de quinta-feira.

Quinta: Equipes de resgate encontram 40 sobreviventes em prédio de Bangladesh

AP
Mulher chora enquanto segura foto de seu marido desaparecido nos escombros do desabamento de prédio em Savar, próximo em Daca, Bangladesh

Quarta: Prédio desaba e deixa mortos em Bangladesh

"Primeiro uma máquina caiu na minha mão e eu fui esmagada pelos escompros... Então o teto caiu sobre a minha cabeça", disse ela a Associated Press da cama do hospítal nesta sexta.

O número de mortos passou de 300 nesta sexta-feira e ainda não está claro quantas pessoas morreram ao todo. O porta-voz do Exército Shahin Islam afirmou a repórteres que 304 corpos foram recuperados.

O brigadeiro-general Mohammed Siddiqul Alam Shikder, que coordena as operações de resgate, disse que houve 2,2 mil resgates. O grupo de manufaturas disse que as fábricas no prédio empregavam 3.122 trabalhadores, mas não está claro quantos estavam dentro do edifício no momento em que ele desabou na quarta-feira em Sava, subúrbio da capital de Bangladesh, Daca.

Negligência: Fábricas de Bangladesh ignoraram alerta de risco antes de desabamento

Um dos oficiais que trabalha no resgate, major Abdul Latif, disse que encontrou um sobrevivente preso embaixo de pilastras de concreto e cercado de muitos corpos. Em outro local do prédio, quatro sobreviventes foram encontrados presos nos escombros, segundo um bombeiro.

As equipes de resgate afirmaram que estavam trabalhando com muito cuidado dentro dos detroços, usando suas mãos, martelos e pás, para evitar que mais pessoas fiquem feridas. Mas eles afirmam que os trabalhadores que estão presos estão tão feridos e fracos que eles precisariam ser retirados em poucas horas para ter alguma chance de sobreviver.

Segundo o major general Chowdhury Hasan Suhrawardy, as operações de busca e resgate continuarão pelo menos até sábado. "Samenos que um ser humano pode sobreviver por até 72 horas nessa situação. Então, nossos esforços continuarão sem parar", disse.

Os bombeiros e socorristas passaram o terceiro dia de trabalho em meio aos gritos dos trabalhadores que estão presos nos escombros e os lamentos dos parentes dos funcionários que se reuníram em frente ao prédio, que abrigava inúmeras fábricas de roupas e uma porção de outras empresas.

A polícia cercou o local onde ficava o prédio, tentando conter as centenas de curiosos e parentes, depois que trabalhadores das equipes de resgate dizerem que as multidões estavam dificultando seus esforços.

Foram registrados confrontos entre parentes dos que ainda estão sob os escombros e policiais, que usaram cacetetes para dispersar as mobilizações. Segundo a polícia, 50 ficaram feridos nos confrontos.

Assista ao vídeo:

Em outro local, centenas de trabalhadores das muitas fábricas de roupas existentes na zona industrial de Savar tomaram as ruas para protestar contra as precárias condições de segurança a que são submetidos. Segundo a mídia local, a maioria dos manifestantes protestavam pacificamente, mas alguns deles estraçalharam dezenas de veículos.

Dezenas foram resgatadas com vida dos destroços do prédio depois do desabamento na quarta-feira. Quarenta pessoas que estavam presas no quarto andar do Rana Plaza foram  resgatadas pelas equipes na noite de quinta-feira. Doze delas logo foram liberadas e as equipes trabalharam para resgatar os outros com segurança. A multidão rompeu em aplausos quando o resgate foi realizado.

Um dia antes do desmoronamento, a polícia havia ordenado que o edifício fosse esvaziado por causa de rachaduras profundas visíveis nas paredes. Entretanto, as fábricas de roupa que funcionavam dentro do local ignoraram a ordem e mantiveram mais de 2 mil funcionários trabalhando.

Abdul Halim, autoridade do Departamento de Engenharia em Savar, afirmou que o proprietário obteve a permissão somente para construir um prédio de cinco andares, mas acrescentou ilegalmente outros três andares.

O chefe da polícia local Mohammed Asaduzzman disse que o mesmo proprietário do prédio era acusado por casos separados de negligência. Habibyr Rahman, superintendente da polícia do distrito de Daca, identificou o dono como Mohammed Sohel Rana. Tahman disse que a polícia também está buscando os donos das fábricas de roupas.

AP
Multidão cerca local de desabamento em Daca, Bangladesh (25)

A tragédia no subúrbio de Savar, em Daca, aconteceu menos de cinco meses após um incêndio que deixou 112 mortos em uma fábrica de roupas e revelou as condições de segurança precárias nas quais trabalham os funcionários nessas oficinas de costura que produzem peças de roupa para o mundo inteiro.

Entre as marcas de roupa no prédio estavam a Phanton Apparels, Phantom Tac, Ether Tex, New Wave Style e New Wave Bottoms. Juntas, elas produzem milhões de camisetas, calças e outras peças de vestuário todo ano. As empresas ligadas à New Wave, segundo seu site na internet, faz roupas para marcas conhecidas, incluindo a The Children's Place e Dress Barn, dos EUA; Primark, do Reino Unido; Mango, da Espanha; e Benetton, da Itália. Ether Tax disse que o Wal-Mart, maior varejista do mundo, era um de seus clientes.

Muitos dos varejistas se afastaram do desastre dizendo que não estavam mais envolvidos com as fábricas quando aconteceu o desabamento, ou não haviam feito nehum pedido recentemente. Somente a Primark reconheceu que usava uma fábrica no Rana Plaza.

A Benetton disse por e-mail à Associated Press que os envolvidos no desabamento não eram fornecedores da marca. O Wal-Mart disse que estava investigando, e a Mango afirmou que havia conversado com uma das fábricas sobre a produção de uma amostra de roupas como um teste.

Com AP

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