Suspeitos de ataque em Boston planejavam atacar a Times Square

Por iG São Paulo |

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Plano deu errado depois que irmãos Tsarnaev foram interceptados pela polícia em carro roubado após matar policial no campus do MIT

Os suspeitos pelo ataque à Maratona de Boston tinham a intenção de detonar seus explosivos remanescentes na Times Square de Nova York, disseram autoridades locais nesta quinta-feira.

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AP
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O comissário da polícia de Nova York, Raymond Kelly, disse que, de sua cama no hospital, Dzhokhar Tsarnaev relatou aos investigadores que ele e seu irmão mais velho haviam decidido espontaneamente na noite do dia 18 ir a Nova York para detonar seus explosivos - uma bomba em uma panela de pressão similar às duas usadas na maratona - e cinco bombas de tubo.

O plano desabou depois que os irmãos Tsarnaev foram interceptados pela polícia em um carro roubado e travaram uma dura troca de tiros que terminou com a morte de Tamerlan, 26, disse Kelly. Preso após ter sido encontrado ferido dentro de um barco no quintal de uma casa, Dzhokhar, 19, foi indiciado pela ataque que deixou três mortos e mais de 260 feridos. Se condenado, ele pode ser sentenciado à morte.

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Ele foi interrogado em seu quarto de hospital durante um período de 16 horas sem que fossem lidos seus direitos constitucionais. O jovem imediatamente parou de falar depois que um juiz e um representante do escritório do secretário de Justiça dos EUA entraram no quarto e leram seus direitos, de acordo com uma fonte policial.

De acordo com Kelly, os irmãos Tsarnaev discutiram o plano enquanto dirigiam "a Mercedes SUV que tinham roubado depois de matar a tiros um policial no MIT (Massachusetts Institute of Technology)". "O plano, entretanto, não deu certo quando perceberam que o veículo tinha pouco combustível e ordenaram que o motorista parasse em um posto de gasolina próximo." O motorista escapou e chamou a polícia, relatou Kelly.

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As informações sobre Nova York surgiram enquanto autoridades federais em Washington montam o caso para verificar se há peças soltas nos arquivos do governo americano que, se tivessem sido encontradas previamente, poderiam ter evitado o ataque.

O governo federal dos EUA havia colocado o nome de Tamerlan em um banco de dados terrorista 18 meses antes das explosões na maratona, informaram autoridades à agência de notícias Associated Press (AP).

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Dzhokhar afirmou às autoridades que seu irmão mais velho o recrutou apenas recentemente para participar do ataque. A CIA, entretanto, colocou o nome de Tamerlan em um enorme e confidencial banco de dados de terroristas há 18 meses - informação que, sem dúvida, provocará um questionamento no Congresso sobre se o governo de Barack Obama investigou adequadamente as pistas fornecidas pela Rússia de que Tamerlan representaria uma ameaça.

Pouco depois do ataque, autoridades dos EUA afirmaram que a comunidade de inteligência não tinha nenhuma informação sobre ameaças à maratona antes das explosões de 15 de abril. As autoridades que falaram à AP são próximas à investigação mas insistiram em manter o anonimato.

Investigadores afirmaram que os irmãos, russo de etnia chechena, parecem ter sido radicalizados por meios de materiais jihadistas (que pregam a guerra santa) na internet e não encontraram nenhuma evidência de que pertenciam a um grupo terrorista.

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A CIA pediu para incluir o nome de Tamerlan à base de dados depois que o governo russo contatou a agência revelando preocupações de que ele teria se tornado um fiel islâmico radical. Cerca de seis meses depois, o FBI investigou Tsarnaev separadamente, também após um pedido da Rússia, mas o FBI não encontrou razões para relacionar Tsarnaev a terrorismo.

Autoridades afirmam que nunca tinham encontrado nenhum tipo de informação depreciativa sobre Tsarnaev que pudesse ter elevado seu status entre os investigadores de contraterrorismo ou que o colocasse em uma lista de alerta terrorista.

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Tamerlan Tsameav (esq) luta contra Lamar Fenner de Chicago em campeonato de boxe (4/5/2009). Foto: APFoto sem data fornecida pela rede social vkontakte mostra Dzhokhar Tsarnaev. Foto: APTamerlan Tsarnaev aceita o troféu por ter vencido campeonato de boxe de 2010 das mãos de Joseph Downes. Foto: APDzhokhar Tsarnaev (esq.) e o sobrinho da radialista Robin Young (dir.) posam para foto em formatura (foto de arquivo). Foto: APTamerlan Tsarnaev (5º de pé, da esq. para dir.)  é fotografado ao lado de sua equipe de boxe (02/2010). Foto: AP

Na quarta, autoridades afirmaram que Dzhokhar admitiu ao FBI seu papel nos ataques, mas o fez antes de ser avisado sobre seus direitos constitucionais de permanecer em silêncio. Não ficou claro se essas declarações poderão ser usadas no julgamento. Mas os promotores talvez nem precisem disso para conseguir uma condenação. Autoridades apontam para evidências físicas, incluindo um revólver e pedaços de controle remoto de brinquedo descobertos na cena do ataque.

Policiais haviam afirmado anteriormente que Dzhokhar trocou tiros com eles por mais de uma hora na noite de sexta antes de ser capturado. Mas duas autoridades americanas afirmaram na quarta que ele foi encontrado desarmado quando capturado, levantando questões sobre os tiros e sobre como exatamente ele ficou ferido .

Dzhokhar afirmou ao FBI que ele e o irmão estavam irritados pelas guerras dos EUA no Afeganistão e no Iraque e com a morte dos muçulmanos nesses países.

Duas autoridades americanas disseram que as evidências preliminares retiradas do interrogatório do irmão mais jovem, cujo estado de saúde passou de "grave" para regular na terça, sugerem que os dois estavam motivados por extremismo religioso.

*Com AP

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