Segundo fontes, FBI também chegou a incluir Tamerlan Tsarnaev em lista, mas após investigação, encerrou o caso por concluir que ele não possuía ligações com terrorismo

O governo federal dos EUA havia colocado o nome Tamerlan Tsarnaev , um dos suspeitos pelo ataque em Boston , em um banco de dados terrorista 18 meses antes das explosões na maratona, informaram autoridades à agência de notícias Associated Press (AP).

Cinco dias depois que os EUA determinaram as identidades dos suspeitos do ataque em Boston, Washington segue juntando as peças sobre o que aconteceu e se existiam pistas enterradas nos arquivos do governo americano que, se trazidas à tona, poderiam ter impedido o atentado.

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Tamerlan Tsarnaev, sorri após ganhar um troféu por vencer competição de boxe em Lowell, Massachusetts
AP
Tamerlan Tsarnaev, sorri após ganhar um troféu por vencer competição de boxe em Lowell, Massachusetts

O suspeito sobrevivente , Dzhokhar Tsarnaev, 19 anos, afirmou a autoridades que seu irmão mais velho, Tamerlan Tsarnaev, 26 anos, teria pedido seu auxílio para o ataque recentemente, informaram autoridades na quarta-feira.

A CIA, entretanto, havia nomeado Tamerlan em um enorme e secreto banco de dados de terroristas há 18 meses. Esse fato, sem dúvidas, vai provocar um questionamento no Congresso sobre se o governo Obama investigou adequadamente as pistas fornecidas pela Rússia de que Tamerlan poderia representar uma ameaça.

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Pouco depois do ataque, autoridades dos EUA afirmaram que a comunidade de inteligência não tinha nenhuma informação sobre ameaças à maratona antes das explosões de 15 de abril. As autoridades que falaram à AP são próximas à investigação mas insistiram em manter o anonimato.

Investigadores afirmaram que os irmãos, da etnia chechena , eram muçulmanos radicais, mas não pertenciam a nenhuma rede terrorista, segundo evidências encontradas.

Tamerlan, a quem as autoridades descreveram como o cabeça do plano, foi morto em uma troca de tiros com a polícia. Dzhokhar está se recuperando em um hospital por ferimentos provocados durante sua tentativa de fuga na semana passada

A CIA fez o pedido de incluir o nome de Tamerlan em um banco de dados terrorista depois que o governo russo contatou a agência revelando preocupações de que ele teria se tornado um seguidor islâmico radical. Cerca de seis meses depois, o FBI investigou Tamerlan separadamente, também após um pedido da Rússia, mas o FBI não encontrou razões para relacionar Tamerlan a terrorismo.

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Autoridades afirmam que nunca tinham encontrado nenhum tipo de informação depreciativa sobre Tamerlan que pudesse ter elevado seu status entre os investigadores de contraterrorismo ou que o colocasse em uma lista de alerta terrorista.

Legisladores que se reuniram com o FBI afirmam que eles possuem mais perguntas do que respostas sobre a investigação de Tamerlan. Autoridades dos EUA devem se reunir nesta quinta no Senado para discutir mais sobre a investigação.

Na quarta-feira, autoridades afirmaram que Dzhokhar admitiu ao FBI seu papel nos ataques, mas o fez antes de ser avisado sobre seus direitos constitucionais de permanecer em silêncio. Não ficou claro se essas declarações poderão ser usadas no julgamento. Mas os promotores talvez nem precisem disso para conseguir uma condenação. Autoridades apontam para evidências físicas, incluindo um revólver e pedaços de controle remoto de brinquedo descobertos na cena do ataque.

Ferimentos de Dzhokhar

Policiais haviam afirmado anteriormente que Dzhokhar trocou tiros com eles por mais de uma hora na sexta-feira a noite antes de ser capturado dentro de um barco em uma casa no subúrbio de Boston. Mas duas autoridades americanas afirmaram na quarta-feira que ele foi encontrado desarmado quando capturado, levantando questões sobre os tiros e sobre como exatamente ele ficou ferido .

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Dzhokhar Tsarnaev em foto publicada em rede social russa na internet
AP
Dzhokhar Tsarnaev em foto publicada em rede social russa na internet

Dzhokhar afirmou ao FBI que ele e o irmão estavam irritados pelas guerras dos EUA no Afeganistão e no Iraque e com a morte dos muçulmanos nesses países.

Investigadores encontraram peças de equipamento de controle remoto que teria sido usado como detonador entre os detritos da cena do ataque. Eles também resgataram um revólver que acredita-se ter diso usado por Tamerlan durante a troca de tiros que feriu um guarda de trânsito.

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Autoridades também disseram que nenhuma arma foi encontrada no barco. O comissário da polícia de Boston Ed Davis afirmou mais cedo que tiros tinham sido disparados de dentro do barco. Questionado sobre se o suspeito tinha uma arma no barco, Davis disse: "Eu não vou falar sobre isso".

O pai dos suspeitos, Anzor Tsarnaev, afirmou nesta quinta-feira que irá para os EUA nesta quinta ou sexta-feira. A mãe dos suspeitos, Zubeidat Tsarnaeva, disse que estava pensando sobre isso. A família informou que quer levar o corpo de Tamerlan de volta para a Rússia.

Na Rússia, investigadores americanos viajaram até a província do Daguestão e estavam em contato com tios e parentes dos suspeitos, esperando reunir mais informações.

Cronologia da inteligência

Autoridades dos EUA descreveram à AP o que o governo sabia sobre Tamerlan desde que ele foi colocado no radar da inteligência há 18 meses. O serviço interno de segurança da Rússia, o FSB, enviou informação ao FBI sobre Tamerlan Tsarnaev em 4 de março de 2011. Os russos afirmaram ao FBI que Tamerlan era um seguidor islâmico radical e que havia apresentado mudanças drásticas de comportamento desde 2010.

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Por causa do iquérito realizado pelo FBI posteriormente, o nome de Tamerlan foi arescentado em um banco de dados do Departamento de Segurança Interna usado por autoridades americanas de fronteira para conseguir obter dados de pessoas que entram e saem dos EUA.

O gabinete do FBI em Boston abriu uma análise preliminar sobre Tamerlan e procurou bancos de dados do governo sobre comunicações relacionadas com terrorismo. Investigadores buscaram saber se Tamerlan usava sites que promoviam atividades radicais. Eles entrevistaram Tamerlan e membros de sua família, mas não encontraram nada que o relacionasse com atividade terrorista. O FBI compartilhou essa informação com a Rússia e também pediu mais informações sobre Tamerlan, mas não tiveram retorno. A análise sobre Tamerlan foi encerrada em junho de 2011.

Então, no final de setembro de 2011, a Rússia separadamente contatou a CIA com preocupações quase idênticas sobre Tamerlan. Os russos deram duas possíveis datas de aniversário para ele e uma variação sobre como seu nome poderia ser pronunciado, bem como a grafia correta pelo alfabeto cirílico, usado na Rússia.

A CIA determinou que Tamerlan deveria ser incluido em um outro banco de dados e o Centro de Contraterrorismo Nacional acrescentou seu nome. A grafia do nome de Tamerlan Tsarnaev neste banco de dados não é a mesma que o FBI usou em sua investigação. A CIA também compartilhou essa informação com outras agências federais em outubro.

Em janeiro de 2012, Tamerlan viajou para a Rússia e retornou aos EUA em julho. Três dias depois que ele deixou a Rússia, o banco de dados da fronteira gerou um alerta sobre Tamerlan. O alerta foi compartilhado com um gabinete de Proteção de Fronteiras que é um membro da força anti-terrorista do FBI de Boston. Naquele momento, a investigação do FBI sobre Tamerlan havia sido encerrada há aproximadamente seis meses, porque o FBI não encotrara nenhuma evidência contra ele.

Em 21 de janeiro de 2012, a empresa aérea pela qual Tamerlan estava viajando errou a grafia de seu nome quando submeteu a lista de passageiros para aprovação do governo americano. As empresas aéreas devem fornecer ao governo a lista de passageiros em voos internacionais para que todos os nomes sejam checados em bancos de dados. Por que seu nome estava escrito errado, não houve outro alerta como aquele emitido três dias antes.

Em julho de 2012, Tamerlan retornou aos EUA e outro alerta foi gerado. Essa informação foi novamente compartilhada com o gabinete de proteção de fronteira. Mas por que o FBI havia fechado sua investigação sobre Tamerlan um ano antes, não havia razão para suspeitar de suas viagens a Rússia. "Mais tarde, essas agências serão julgadas", disse o congressista Dutch Ruppersberger. "Mas agora, é muito cedo para criticar ou começar a argumentar quem falhou."

Com AP

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