Fábricas de Bangladesh ignoraram alerta de risco um dia antes de desabamento

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Manufaturas desrespeitaram ordem da polícia para esvaziar prédio que apresentava rachaduras visíveis; mais de 220 foram mortos em desabamento

Um dia antes do desmoronamento de um prédio em Bangladesh, que deixou ao menos 228 mortos, a polícia havia ordenado que o edifício fosse esvaziado por causa de rachaduras profundas visíveis nas paredes. Entretanto, as fábricas de roupa que funcionavam dentro do local ignoraram a ordem e mantiveram mais de 2 mil funcionários trabalhando, informaram autoridades nesta quinta-feira (25), quando 40 sobreviventes foram encontrados em cômodo no quarto andar.

4º andar: Equipes de resgate encontram 40 sobreviventes em prédio de Bangladesh

A tragédia no subúrbio de Savar, em Daca, aconteceu menos de cinco meses após um incêndio que deixou 112 mortos em uma fábrica de roupas e revelou as condições de segurança precárias nas quais trabalham os funcionários nessas oficinas de costura que produzem peças de roupa para o mundo inteiro. Algumas das empresas do edifício que caiu afirmam que entre seus clientes estão gigantes do varejo como o Wal-Mart.

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AP
Parentes e curiosos se reúnem em volta de prédio que desabou perto de Dhaka, Bangladesh

Vídeo: Equipes buscam sobreviventes após desmoronamento na Índia

Equipes de resgate trabalharam durante toda a noite e a madrugada desta quinta-feira em meio aos gritos dos sobreviventes presos nos escombros e aos lamentos dos parentes dos trabalhadores que se reuniram em frente ao prédio, chamado Rana Plaza.

Um cinegrafista da Associated Press (AP) que entrou junto com as equipes de resgate falou rapidamente com um homem preso entre placas de ferro e ao lado de dois corpos. Mohammad Altab implorava por ajuda. "Salve-nos, irmão. Eu imploro, irmão. Eu quero viver", disse Altab, um funcionário da fábrica de roupas que até o momento não foi resgatado. "É tão doloroso aqui... Eu tenho duas crianças pequenas."

Outro sobrevivente cuja voz podia ser ouvida dos escombros chorou enquanto pedia por ajuda. "Queremos viver, irmão; é duro permanecer vivo aqui. Teria sido melhor morrer do que suportar essa dor para viver. Queremos viver. Por favor, nos salve."

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Depois que as empresas foram informadas sobre as fissuras nas paredes na terça-feira, gerentes de um banco local retiraram seus funcionários de um escritório localizado no prédio. As fábricas de roupa, entretanto, continuaram trabalhando, ignorando as instruções da polícia, disse Mostafizur Rahman, diretor da força paramilitar.

A Associação das Fábricas de Roupa e Exportadores também havia pedido que as oficinas suspendessem seus funcionários a partir da quarta de manhã, horas antes do desabamento. "Depois que tivemos registros de fissuras, pedimos que suspendessem o trabalho até que se fizesse um exame mais profundo, mas eles não prestaram atenção", disse Atiqul Islam, o presidente do grupo.

Na manhã desta quinta, o odor de corpos em decomposição era sentido através de buracos abertos no edifício. O ministro para Assuntos Domésticos Shamsul Haque, disse que, até o fim da manhã de quinta, um total de 2 mil foram resgatados dos escombros.

Dezenas de corpos, com seus rostos cobertos, foram colocados no lado de fora de uma escola local para que fossem identificados pelos parentes. Centenas de parentes de trabalhadores se reuniram do lado de fora de onde ficava o prédio, aguardando por notícias. Shikder disse que as operações de resgate eram processadas vagarosamente e com cuidado, para que fosse possível salvar o maior número de sobreviventes possível.

O grupo de manufatura de roupas disse que as fábricas no prédio empregavam 3.122 trabalhadores, mas não estava claro quantos deles estavam no prédio no momento do desabamento.

Em uma visita ao local da tragédia, o ministro do Interior Muhiuddin Khan Alamgir afirmou que o prédio tinha violado regras de construção e que "os responsáveis seriam punidos".

Abdul Halim, autoridade do Departamento de Engenharia em Savar, afirmou que o proprietário obteve a permissão somente para construir um prédio de cinco andares, mas acrescentou ilegalmente outros três andares.

O chefe da polícia local Mohammed Asaduzzman disse que o mesmo proprietário do prédio era acusado por casos separados de negligência. Habibyr Rahman, superintendente da polícia do distrito de Daca, identificou o dono como Mohammed Sohel Rana. Tahman disse que a polícia também está buscando os donos das fábricas de roupas.

Entre as marcas de roupa no prédio estavam a Phanton Apparels, Phantom Tac, Ether Tex, New Wave Style e New Wave Bottoms. Juntas, elas produzem milhões de camisetas, calças e outras peças de vestuário todo ano. As empresas ligadas à New Wave, segundo seu site na internet, faz roupas para marcas conhecidas, incluindo a The Children's Place e Dress Barn, dos EUA; Primark, do Reino Unido; Mango, da Espanha; e Benetton, da Itália. Ether Tax disse que o Wal-Mart, maior varejista do mundo, era um de seus clientes.

Muitos dos varejistas se afastaram do desastre dizendo que não estavam mais envolvidos com as fábricas quando aconteceu o desabamento, ou não haviam feito nehum pedido recentemente. Somente a Primark reconheceu que usava uma fábrica no Rana Plaza.

A Benetton disse por e-mail à Associated Press que os envolvidos no desabamento não eram fornecedores da marca. O Wal-Mart disse que estava investigando, e a Mango afirmou que havia conversado com uma das fábricas sobre a produção de uma amostra de roupas como um teste.

Com AP

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