Vice-governador vem ao Brasil para ver formas de desenvolver região de Angola

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em entrevista ao iG, vice de Kuando Kubango fala sobre a necessidade de intercâmbio cultural entre os países e os desafios que a província enfrenta após conflitos

Um dos principais palcos da Guerra Civil de Angola (1975-2002), a Província de Kuando Kubango busca traçar um caminho para o desenvolvimento por meio da educação, esbarrando em desafios como pensar a sua infraestrutura e concluir o processo de retirada de minas terrestres. Nesta semana, o vice-governador da província para o setor da Economia, Ernesto Fernando Kiteculo, veio ao Brasil para reforçar seus laços com a cidade de Lins, no interior de São Paulo, que recebe um grande número de estudantes de Angola.

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Claudio Augusto
Vice-governador para o setor de Economia de Kuando-Kubango, Ernesto Fernando Kiteculo, chegou ao Brasil em 20 de abril

Durante sua passagem, além de confirmar a parceria entre a capital da província, Mugangue, e a cidade do interior paulista, Kiteculo conversou com as dezenas de alunos angolanos que estudam na UniLins, instituição de ensino particular que realiza processos seletivos para o ingresso de alunos estrangeiros no próprio país africano desde 2010.

“Esse intercâmbio (educacional) se dá principalmente nas áreas de engenharia e construção civil. Angola está em crescimento acelerado e precisa de mão de obra qualificada. É por isso que o governo tem vindo ao Brasil”, explicou Kiteculo ao iG. “Sobretudo por falarmos a mesma língua, é preciso que haja mais intercâmbios.”

Kiteculo aponta que Kuando Kubango precisa, principalmente, de engenheiros e especialistas em construção civil, pois o problema mais agudo que a província enfrenta é o de infraestrutura. Segundo o vice-governador, em toda a província de 199 mil km², há apenas 80 quilômetros de estradas asfaltadas. “Para se ter uma ideia, para ir de Menongue ao último município que faz fronteira com Zâmbia são duas horas de voo. E não há estradas (no percurso).”

Para o vice-governador, há muitas razões para a falência da infraestrutura. A primeira delas, segundo ele, é a colonização tardia por Portugal sem a promoção de obras de infraestrutura, como transporte e energia.

A segunda, o conflito entre Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola) e o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), que durou oficialmente da independência do país (1975) até a morte do líder da Unita Jonas Savimbi (2002). No período da Guerra Fria (1945-1991), o conflito foi reforçado pelo apoio da África do Sul e dos EUA à Unita e da URSS e Cuba ao MPLA. “A província foi a mais fustigada no conflito”, explicou.

Passados anos desde o fim do conflito, o governo adotou como prioridade a construção de 3 mil quilômetros de estradas e 121 escolas primárias e secundárias até 2017. Outro desafio é concluir o processo de desminagem. Angola é um dos países do mundo que têm mais de 100 km² contaminados por minas terrestres, segundo informações da Campanha Internacional para o Banimento de Minas. Desde o início da guerra civil, mais de 80 mil foram mutilados ou morreram em consequência das minas. “Hoje, felizmente, a província está ‘desminada’ em 71%, 72%. Mas os esforços ainda continuam.”

Segundo Kitelo, Kuando Kubango pretende livrar-se de seus problemas aproveitando seus pontos fortes, entre eles a produção de minérios, como diamante, ouro, cobre; a extração de madeira; a agricultura irrigada de insumos como arroz e cana de açúcar; e o turismo.

Para alavancar o setor turístico, uma das principais apostas do Executivo é o projeto Okavango-Zambeze (Kaza), que pretende criar uma reserva transfronteiriça de turismo ecológico, envolvendo países como Namíbia, Zâmbia, Zimbábue e a Botswana. “Temos girafa, jacaré, rinoceronte, todo o tipo de espécie. E em manadas. Semelhante ao que se vê no Quênia”, destacou sobre o parque, que possui cerca de 278 mil km².

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