Suspeito de ataque em Boston foi influenciado por radical misterioso

Por iG São Paulo |

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Muçulmano convertido conhecido simplesmente como Misha teria atraído Tamerlan Tsarnaev, morto em perseguição policial, para forma rígida do Islã

Nos anos antes do ataque à Maratona de Boston, Tamerlan Tsarnaev ficou sob a influência de um novo amigo, um muçulmano convertido que atraiu o jovem religiosamente apático para uma forma rígida do Islã, disseram membros de sua família.

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Tamerlan Tsarnaev (esq) luta contra Lamar Fenner de Chicago em campeonato de boxe (4/5/2009). Foto: AP

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Sob a tutela de um amigo conhecido pela família Tsarnaev apenas como Misha, Tamerlan desistiu do boxe e parou de estudar música, afirmaram parentes. Ele começou a se opor às guerras no Afeganistão e Iraque. Ele recorreu a sites e literatura alegando que a CIA estava por trás dos ataques terroristas do 11 de Setembro e que os judeus controlavam o mundo.

"De alguma forma, ele apenas possuiu seu cérebro", disse Ruslan Tsarni, tio de Tamerlan, que recordou de conversas com o pai preocupado de Tamerlan sobre a influência de Misha. Esforços de vários dias da Associated Press para identificar e entrevistar Misha não foram bem-sucedidos.

A relação de Tamerlan com Misha pode ser uma pista para entender os motivos por trás de sua transformação religiosa e, em último caso, para o próprio ataque em Boston, que deixou três mortos e mais de 260 feridos. Duas autoridades dos EUA disseram que ele não tinha nenhum vínculo com grupos terroristas.

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Durante sua transformação religiosa, Tamerlan, que foi morto em meio a uma perseguição policial, manteve uma influência forte sobre seus irmãos, incluindo Dzhokhar, que investigadores apontam como coautor do ataque e que foi preso na sexta após ter sido encontrado ferido em um barco no quintal de uma casa. Na segunda, ele foi indiciado e, se condenado, pode ser sentenciado à morte.

"Todos eles amavam Tamerlan. Ele era o mais velho e, de muitas formas, era o modelo para seus irmãos e irmãs", disse Elmirza Khozhugov, 26, ex-marido da irmã de Tamerlan, Ailina. "Era sempre ouvir seu irmão mais novo e suas irmãs dizendo: 'Tamerlan disse isso' e 'Tamerlan disse aquilo'. Dzhokhar o amava. Ele faria qualquer coisa que Tamerlan dissesse."

Com base em entrevistas preliminares por escrito com Dzhokar em sua cama de hospital, autoridades dos EUA acreditam que os irmãos foram motivados por suas visões religiosas. Não ficou claro, entretanto, que visões eram essas.

Enquanto as autoridades tentam montar o quebra-cabeça dessa informação, tocam em uma questão sempre feita depois de tantos complôs terroristas: O que transforma alguém em um terrorista?

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Tamerlan Tsarnaev (esq.) e Dzhokhar Tsarnaev (dir.) são os suspeitos do ataque à Maratona de Boston

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Os irmãos emigraram em 2002 ou 2003 do Daguestão, uma república russa que se tornou o epicentro da insurgência islâmica que se espalhou da região da Chechênia. Eles cresceram em uma casa que seguia o islamismo sunita, a maior seita dessa religião. Eles não iam regularmente a mesquitas e raramente discutiam religião, disse seu ex-cunhado.

Então, em 2008 ou 2009, Tamerlan se encontrou com Misha, um homem careca um pouco mais velho com uma longa barba em tom ruivo. Khozhugov não sabe onde eles se conheceram, mas acredita que os dois iam juntos a uma mesquita na área de Boston. Misha era um nativo da Armênia e um convertido ao Islã que rapidamente começou a influenciar seu novo amigo, disseram membros da família.

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Tamerlan se tornou um leitor ardente de sites jihadistas (que pregam a guerra santa) e de propaganda extremista, disseram duas autoridades dos EUA. Ele lia a Inspire, uma publicação online em inglês produzida pela filial da Al-Qaeda no Iêmen. A revista apoia ataques solitários.

Tamerlan começou a se interessar por Infowars, um site de teoria conspiratória. Khozhugov disse que ele tinha interesse em encontrar uma cópia de "Os Protocolos dos Anciões Instruídos do Sião", uma peça de literatura antissemita alegando que há uma conspiração judia para controlar o mundo.

"Ele nunca disse que odiava os EUA ou os judeus", disse Khozhugov. "Mas ele era agressivo em relação às políticas americanas relacionadas aos países com populações muçulmanas. Ele não gostava das guerras."

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Albrecht Ammon, um dos vizinhos dos irmãos, recentemente lembrou de um encontro em que Tamerlan discutiu sobre a política externa americana, as guerras no Afeganistão e no Iraque, e religião.

Ammon afirmou que Tamerlan descreveu a Bíblia como uma "cópia barata" do Alcorão, usada para justificar as guerras com os países. "Ele não tinha nada contra a população americana. Ele tinha algo contra o governo americano."

Segundo seu ex-cunhado Khozhugov, Tamerlan não sabia muito sobre o Islã além das informações que encontrou online ou do que ouviu de Misha. "Misha era importante", disse. "Tamerlan buscava algo. Ele buscava por algo por aí."

*Com AP

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