Legisladores verificam se houve falha de inteligência em ataque em Boston

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Senadores tentam descobrir se agências falharam em partilhar informações sobre suspeito morto; investigadores viajam à Rússia para questionar pais de supostos autores do ataque

Legisladores tentam descobrir como o governo rastreou o suspeito pelo ataque em Boston Tamerlan Tsarnaev, morto durante perseguição policial, quando ele viajou para a Rússia no ano passado, renovando as críticas feitas depois do 11 de Setembro de que o fracasso em compartilhar informações de Inteligência pode ter contribuído para o atentado que deixou três mortos e mais de 260 feridos na semana passada.

Fonte: Suspeito morto de ataque em Boston não estava em lista de vigilância terrorista

AP
Tamerlan Tsarnaev (esq.) e Dzhokhar Tsarnaev (dir.) são os suspeitos do ataque à Maratona de Boston

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Depois de uma reunião a portas fechadas no Capitólio (sede do Congresso americano) com agentes do FBI e policiais na terça-feira, o senador republicano Saxby Chambliss, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, disse que aparentemente não houve falha de ninguém. Apesar disso, afirmou que pediu a todas as agências federais mais informações sobre quem sabia o que sobre o suspeito.

"Aparentemente ainda há sérios problemas com o compartilhamento de informações, incluindo investigação de informações críticas não apenas entre as agências, mas também dentro da mesma agência em um dos casos", disse Susan Collins, senadora republicana que é membro do comitê.

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Histórias conflitantes pareceram surgir sobre quais agências sabiam sobre a viagem de seis meses de Tamerlan ao Cáucaso russo no ano passado e como lidaram com a informação. A secretária de Segurança Interna dos EUA, Janet Napolitano, disse à Comissão Judiciária do Senado que sua agência sabia da viagem de Tamerlan à sua terra natal. Mas a senadora republicana Lindsey Graham disse que FBI "me disse não ter conhecimento de ele partindo ou voltado aos EUA".

Na terça, uma fonte policial à rede de TV CNN sob condição de anonimato que Tamerlan não estava em nenhuma lista de suspeitos de terrorismo ou de pessoas proibidas de voar quando viajou à Rússia. Segundo a fonte, o FBI (polícia federal dos EUA) não teve nenhuma suspeita de vínculos terroristas quando entrevistou Tsarnaev, seus parentes e amigos em 2011, depois que a Rússia contatou as autoridades americanas para expressar sua preocupação com o imigrante da região do Cáucaso.

Os legisladores intensificaram sua verificação no mesmo dia em que houve os enterros do menino de 8 anos morto no ataque e do policial do campus do MIT (Massachusetts Institute of Technology), crime que desatou a caçada por ele e seu irmão, Dzhokhar Tsarnaev, que foi preso na noite de sexta.

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Nesta quarta, investigadores dos EUA fizeram contato com os pais dos dois irmãos no sul da Rússia e começaram a trabalhar com autoridades de segurança russa em busca de pistas sobre o atentado. Os pais planejam viajar aos EUA na quinta, de acordo com a agência russa de notícias RIA Novosti.

A equipe americana viajou na terça de Moscou para a província russa do Daguestão, predominantemente muçulmana, "porque a investigação está em andamento, não acabou", disse uma autoridade sob condição de anonimato. Sem especificar por quanto tempo os americanos permanecerão no Daguestão, ele disse que os investigadores trabalham com os serviços de segurança da Rússia, o FSB.

Leia também: O que se sabe até agora dos irmãos Tsarnaev

Entenda: Cáucaso russo é terreno fértil para o terrorismo

Investigadores verificam se Tamerlan foi influenciado por extremistas religiosos que travaram uma insurgência contra os serviços de segurança russos na área durante anos. Os irmãos têm raízes no Daguestão e na vizinha Chechênia, mas nenhum deles passou muito tempo em nenhum desses lugares antes de a família se mudar para os EUA há uma década.

AP
Tênis de corrida são vistos em memorial improvisado na Praça Copley, na Rusa Boylston, em Boston

Misha: Suspeito de ataque em Boston foi influenciado por radical misterioso

Parentes disseram que o mais velho dos irmãos, de 26 anos, foi influenciado por um muçulmano convertido, conhecido pela família apenas como Misha, a seguir um tipo rígido e antiamericano do Islã.

Preso na noite de sexta após ser encontrado ferido em um barco no quintal de uma casa, Dzhokhar, 19, foi indiciado na segunda e será julgado em uma corte civil por ser americano naturalizado. Se condenado, ele pode ser sentenciado à morte. Com ferimentos na cabeça, pernas, mão e garganta, que o impede de falar, Dzhokhar comunicou-se com os investigadores do caso de forma limitada por escrito e por gestos em sua cama de hospital.

Segundo seus interrogadores, Dzhokhar indicou que nem ele nem Tamerlan tinham qualquer contato com grupos terroristas externos. Segundo o suspeito sobrevivente, seu irmão se radicalizou por meio da internet, com as guerras dos EUA no Afeganistão e no Iraque sendo motivações para o ataque.

Suspeito em interrogatório: Ataque a Boston teria motivação religiosa

Duas autoridades americanas disseram que as evidências preliminares retiradas do interrogatório do irmão mais jovem, cujo estado de saúde passou de "grave" para regular na terça, sugerem que os dois estavam motivados por extremismo religioso.

Autoridades não acreditam que os dois irmãos tenham vínculos com grupos terroristas. Apesar disso, duas autoridades americanas disseram que Tamerlan frequentemente olhava sites extremistas, incluindo a revista Inspire magazine, uma publicação online em inglês produzida pela filial da Al-Qaeda no Iêmen. A revista apoio ataques solitários.

*Com AP

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